O amor proibido

Paula se apaixonou por um belo espanhol: o pai do seu marido

Ilustração: Dreamstime

Eu e Márcio nos casamos e mudamos para uma casa no mesmo bairro da família dele. Paco abriu uma oficina mecânica, meu marido começou a ajudar o pai e, aos poucos, o negócio progrediu. Tudo mudava muito rapidamente — menos o que eu sentia pelo meu sogro. Como era difícil esconder meu desejo por aquele espanhol maduro! A cada dia, matava um leão para não deixar transparecer meus sentimentos e a coisa foi ficando cada vez mais complicada.

“Paula, por que você não usa aquela salinha no fundo da oficina para pintar suas porcelanas?”, sugeriu Márcio, certo dia, ao notar que eu mal conseguia trabalhar no cubículo que reservara em nossa casa para ser meu ateliê. A princípio, adorei a boa idéia, mas logo tremi: a mudança me colocaria perto de Paco.

“Não sei, amor, não quero atrapalhar”, respondi, tentando parecer distraída. Ele insistiu. “Atrapalhar o quê?! E ainda vai ficar pertinho do maridão aqui”, brincou, exibindo o sorriso cativante, herdado de… seu pai. Sem argumentos, topei.

Até então, Paco não percebera minhas intenções. Tratava-me como a filha que nunca teve. Dona Dulce também. E aquilo me fazia sentir ainda mais culpada. Como eu poderia cobiçar o marido dela? Uma mulher tão boa, doce, praticamente uma segunda mãe. Dona Dulce costumava fazer saborosos churros espanhóis nos almoços em que reunia a família. A paella que preparava não havia igual! Nessas ocasiões, eu a ajudava na cozinha lavando a louça, dando uma ordem geral. Evitava ao máximo ficar na sala, onde meu sogro e meu marido costumavam assistir a alguma partida de futebol.

Quando levei meus apetrechos para a salinha da oficina, justamente Paco veio me receber. “O Marcinho deu uma saída, mas eu ajudo a pôr as coisas no lugar”, falou, com aquele sotaque delicioso, misturando palavras em português e espanhol. A presença dele me abalou. De regata e bermuda, exibia uma forma física invejável para um quarentão. Músculos muito bem torneados, ainda rígidos e viris. Pele morena. Os olhos amendoados exibiam uma honestidade tocante e a barba cerrada fechava com chave de ouro o biotipo que tanto me excitava.

Nunca havia ficado a sós com Paco. E aquilo me incomodava. Enquanto ele carregava as caixas recheadas de peças de porcelana, prontas para serem pintadas, eu evitava olhá-lo diretamente. Mas sentia seu cheiro, uma mistura de colônia masculina com suor. Se tivesse que compará-lo com algum ator de TV, diria que Paco lembrava muito o Antônio Fagundes, aquele gostoso da novela das 8!

De repente, entretetida em meus devaneios, tropecei e caí no chão, toda desmazelada. Paco correu em minha direção e me acudiu, segurando-me nos braços. Fiquei olhando para ele sem saber o que fazer: não sentia mais dor, pudor, nada. Segui meu coração e o abracei. Sem entender nada, meu sogro retribuiu o gesto daquela mulher que já não suportava mais esconder sua paixão por ele.

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