Sou professor da Escola do Sexo

Nos anos 80, fui ator de pornochanchadas. Hoje, o meu trabalho é ensinar os homens a transar melhor

Tanto o paraíso como o inferno dependem do pensamento. 
Sexo depende mais do estado de espírito do que do físico
Foto: Cida Souza

Se há uma coisa de que eu entendo é sexo. Entre 1978 e 1985, fui ator, diretor, produtor e roteirista da pornochanchada, aquele gênero do cinema brasileiro com muito erotismo, mas sem sexo explícito. No meu currículo estão filmes como Mulher Natureza, O Castelo das Taras e Casais Proibidos, entre outros.

Com a decadência da pornochanchada, no fim dos anos 80, me dediquei aos vídeos eróticos amadores, até então proibidos pela censura. A pornochanchada tinha galãs como David Cardoso e eu. O pornô, por outro lado, precisava de mão-de-obra para se firmar no país. Foi pensando nesse mercado que eu abri a Escola do Sexo em 1996.

Imagine a minha surpresa quando recebi os primeiros alunos: a maioria deles não queria atuar no cinema. Eles estavam a fim de melhorar o próprio desempenho entre quatro paredes.

Muitos encaram o prazer com culpa

Como todo brasileiro, fui criado de acordo com a hipócrita moral judaico-cristã, que enxerga o sexo como pecado — aliás, como o pecado original. Transar, na Bíblia, só é permitido para a reprodução. A ironia é que, hoje, nem é preciso fazer sexo para procriar… Mas, ainda assim, muitas pessoas encaram o prazer com culpa.

Meu trabalho no cinema me levou a estudar outras abordagens sobre sexo. Para os hindus, por exemplo, o sexo é uma forma de se aproximar do divino. A ejaculação, vital para repor a testosterona e os hormônios, não deve ser desperdiçada.

No meu curso sobre sexo, procuro conciliar o santo e o pecador que existem em cada um de nós. A sexualidade é o instinto mais primitivo do homem, um desejo que todos têm. Mesmo assim, ela continua sendo um tabu em pleno século 21! Os animais, ao contrário de nós, fazem sexo com a maior naturalidade, sem esconder de ninguém.

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