Meu sangue, teu sangue - conto de Amor e Sexo

Depois de flagrar o noivo nos braços de outra, Cuca decide se dedicar à faculdade. No primeiro dia, sofre uma tentativa de assalto e recebe ajuda de Paulo, que consegue afugentar o bandido

Publicado em 18/12/2010

Carminha Nunes

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Destaque da Matéria

Cuca ficou assusta com a tentativa de assalto
Foto: Getty Images

Eu não conseguia entender muito bem o que estava vendo. Aquele homem loiro, sarado e de sorriso sedutor aos beijos com uma morena de cabelos oxigenados até a cintura. O casal trocava carícias no banco de uma praça. Mãos e bocas realizavam uma coreografia erótica: eles quase se comiam. Se eu lesse lábios, poderia entender as juras de amor que faziam. Não ligaria para a cena se o moço não fosse Gabriel... meu noivo. 

"Espero não estar atrapalhando o casal", gritei, me aproximando da dupla. A moça olhou assustada. Ele começou a tremer. Covarde, não encontrou palavras para justificar a traição. "Prazer, sou Cuca, a noiva dele, aliás, ex-noiva!", disse, antes de ir embora. O desgraçado bem que tentou segurar meu braço, mas me desvencilhei. Chorei até chegar em casa. Abri minha gaveta e comecei a rasgar as fotos dele, uma a uma: "Adeus, Gabriel no parque; adeus, Natal com Gabriel; adeus, Gabriel e o sobrinho Lucas; adeus, Gabriel no aniversário da Cuca, adeus...", murmurava, enquanto destruía os últimos registros de nossos dois anos de noivado. Mas havia um pouco de sol no meio daquela tempestade. Dias antes, tinha passado no vestibular de Direito. 

Agora ia me dedicar aos estudos e esquecer aquela decepção. Pretendia me afundar no meio dos livros e me tornar uma advogada bem-sucedida. "Homens?! Nem pensar!" Meus pais, aliás, papai, não achou que o flagra fosse motivo para o rompimento do noivado. Ele insistia para que eu atendesse às inúmeras ligações de um Gabriel cheio de desculpas óbvias. "Cuca, esse moço é de ouro. De boa família.Você não pode deixá-lo assim, menina!", falava, em tom autoritário. As semanas se passaram e veio o primeiro dia de aula. Ia conhecer gente nova, fazer novas amizades e aprender muito.

Estava eufórica. Como trabalhava de dia, dando aulas de inglês numa escolinha, fui fazer o curso noturno. A sala estava cheia. Umas 40 pessoas. Escolhi uma carteira e sentei. Os professores eram diferentes dos que estava acostumada no colegial. Uns tinham uma aparência séria e sisuda. Outros mais pareciam colegas de sala. Esse contraste me empolgou ainda mais. Na hora de ir embora, resolvi pegar um ônibus num ponto que ficava meio longe da faculdade. A alguns metros dali, ouvi um assobio. Me virei e não enxerguei ninguém.

Ao seguir em frente, um homem me pegou pelo braço. "Dá a bolsa, patricinha!", gritou, tentando puxar minha mochila. "Cala a boca, gostosa, e entrega logo a fita!", repetiu, me empurrando contra o chão. Fiquei desesperada e quis me defender segurando a porcaria da bolsa. Então, o bandido me mostrou algo embrulhado num lenço e me ameaçou. Quando eu ia entregar tudo, uma voz grave surgiu do outro lado: "Larga a moça, vagabundo!" Ao olhar para trás, reconheci a figura: era um colega de classe. Meu salvador correu na direção do ladrão com a mão dentro da jaqueta, como se também estivesse armado. Fiquei estática.

O larápio fugiu e deixou seu lenço cair no chão. Não tinha nada dentro. "Está tudo bem com você?", perguntou meu herói. Quando acenei positivamente, ele completou: "Meu nome é Paulo. Estudo na mesma sala que você!", falou, enquanto eu olhava encantada para aquele mulato tão lindo e valente. 

Comentários

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daisy - nossa chegar chorei muito linda essa historia q siva de lição p muita gente - 10/05/2012 16:38:55

mariane martins - a cor não é a diferenças entre as pessoas e sim o carater. odeio qualquer tipo de preconceito - 03/05/2012 10:31:25

tX5fCz sobzimoumbni - 06/01/2012 13:03:38

TsZBJl gwfgxxcldyfi - 05/01/2012 16:14:25

TsZBJl gwfgxxcldyfi - 05/01/2012 16:13:31

That hits the trgaet perfectly. Thanks! - 05/01/2012 03:15:34

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