5 mentiras sobre o casamento

Saiba quais são as cinco mentiras sobre o casamento e conheça algumas estratégias que ajudarão a evitar o fim da relação

Publicado em 16/03/2012

Reportagem: Sibelle Pedral - Edição: MdeMulher

Casal se beijando

O primeiro passo de um relacionamento saudável é ter uma conversa franca consigo mesma
Foto: Getty Images

Existem muitas mentiras sobre o casamento que precisam ser desmascaradas e combatidas. Só assim você conseguirá preservar um relacionamento saudável. O casamento feliz é uma conquista diária, que exige tanto esforço quanto uma carreira profissional de sucesso. Reconhecer essa fragilidade e construir um projeto para preservá-lo é vital para não ver a sua união acabar em divórcio, uma experiência difícil e dolorosa.

Confira algumas mentiras e verdades:

1. Mentira - você só precisa de amor e tudo vai dar certo

Verdade - Só o amor não é suficiente para o sucesso do casamento

Muitas pessoas insistem em acreditar que o casamento motivado pelo amor romântico tem o extraordinário poder de afastar os graves problemas da vida. Não se engane: essa história de que encontramos a alma gêmea, a pessoa que nos amará incondicionalmente até o final dos tempos, não importa o que fizermos, é pura ilusão. Seu parceiro na aventura do casamento não é perfeito nem adivinho, e será preciso dizer a ele o que faz você se sentir amada e até onde vai a sua tolerância. O primeiro passo é ter uma conversa franca consigo mesma. Por exemplo, se tem mania de ordem ou não suporta que ele chegue atrasado, assuma esses desejos e discuta-os abertamente. Assim você dará ao outro a oportunidade de aceitar esses limites ou perceberá com clareza o quanto terá que lutar para tentar mudá-los. Em geral, as pessoas evitam os assuntos capazes de produzir atritos no relacionamento - dinheiro, sexo, educação dos filhos - sem se dar conta de que são exatamente os que mais causam separações. Também tendem a ignorar o que lhes parece sem importância: a pasta de dentes destampada, a roupa suja no chão do banheiro, o jornal embaralhado. Se evitar esses probleminhas, eles não vão desaparecer; pelo contrário, vão minar lentamente a relação.

2. Mentira - Eu falo o tempo todo e ele não me ouve

Verdade - Uma boa comunicação requer muito mais do que uma conversa franca

Vivemos numa sociedade que nos estimula a ser francas sobre nossos sentimentos, mas não nos ensina a falar deles sem agressividade. Se chegamos em casa irritadas, é fácil descontar no parceiro e nos filhos e, assim, azedar a noite. Num mundo perfeito, deveríamos ser capazes de dizer: "Olha, tive um dia ruim e preciso de meia hora para relaxar. Daqui a pouco volto para conversarmos melhor". Em tese, qualquer adulto é capaz de se acalmar por pior que tenha sido o dia. Acontece que, se alguém reage mal a nós, temos uma incrível capacidade de pagar na mesma moeda, produzindo uma espiral de decepção e ressentimento. Quando o amor se transforma em decepção, é natural que haja um distanciamento emocional, e a separação pode ser só uma questão de tempo. Daí a importância de dominar a comunicação, evitando raiva, desprezo e sarcasmo. Procure sempre falar primeiro do que magoa você, não da sua irritação. Peça, de boa-fé, expressando com clareza e gentileza os seus desejos, em vez de fazer exigências. Exponha seus sentimentos sem dar à conversa um tom de crítica; isso aproxima os casais e favorece a intimidade duradoura.

3. Mentira - As pessoas não mudam

Verdade - A mudança é sempre possível, e pequenas mudanças produzem grandes resultados

Cedo ou tarde, na terapia da maior parte dos casais, alguém sempre pergunta se as pessoas podem, de fato, mudar. Isso é possível, sim. A questão é o que pode mudar e os fatores que impedem a mudança. O maior obstáculo é a crença de que não é você que precisa de ajustes – o problema é com o outro. Para evitar essa armadilha, tenha em mente que a mudança é uma luta em direção à maturidade e que é nossa obrigação crescer dentro do relacionamento conjugal. Ou seja, melhorar. E quanto é preciso mudar para tirar o casamento do impasse da estagnação? Em geral, muito pouco. O segredo é estimular no cônjuge a menor mudança possível que seja capaz de satisfazer você e, ao mesmo tempo, convencer seu parceiro de que não será tão ruim assim. Essa atitude recebe o nome de solução dos 10%. Jacobs se recorda de ter atendido uma mulher que não trabalhava fora e se queixava de que o marido nunca ligava durante o dia para saber dela. Com isso, não se sentia amada. Ele sugeriu a esse marido que, por mais ocupado que estivesse, ligasse uma vez por semana; a mulher, por seu lado, se comprometeria a ter conversas breves. Era uma mexida tão pequena na rotina que parecia ridículo dizer "não": acataram a sugestão. Hoje, ele liga várias vezes por semana, a mulher se sente lembrada e a relação melhorou. Coloque na mesa de negociações as mudanças capazes de ajudar você e seu casamento. Faça pequenos pedidos, com calma e sem acusações. Explique as razões. Pode ser a chance de que seu casamento precisa para prosseguir saudável.

4. Mentira - Quando você se casa, constitui a própria família

Verdade - Você leva sua família de origem para o casamento, por mais que se esforce por mantê-la afastada

Quem quer preservar uma relação amorosa por muitos anos precisa ter consciência da influência das tradições familiares sobre sua vida. Muitos casais acabam repetindo situações indesejáveis, seja perpetuando o padrão, seja criando um modelo novo, porém igualmente nocivo. Uma criança que cresce vendo os pais brigarem pode, por exemplo, imitá-los na vida adulta. Ou evitar conflitos a todo custo, o que é igualmente ruim. É importante saber reconhecer os padrões negativos que herdamos da nossa família e fazer escolhas conscientes sem deixar de afirmar o nosso amor. Busque manter um bom relacionamento com seus pais e nunca corte os laços totalmente, ainda que a influência da família seja muito complicada. Os laços de sangue são para sempre.

5. Mentira - O casamento igualitário é mais fácil que o casamento tradicional

Verdade - O casamento igualitário permite negociar as diferenças com mais justiça, mas quase sempre com grande dificuldade

Um novo modelo de casamento está em alta. Nele, marido e mulher querem ter voz igual na parceria. Dividem as responsabilidades e tomam decisões conjuntas sobre despesas e planos futuros. Quando têm filhos, em geral se comprometem a dividir igualmente as obrigações. Na teoria, é uma mudança bem-vinda em relação aos casamentos do passado. Na prática, a passagem do velho para o novo paradigma está cheia de armadilhas. Muitos homens esperam que a mulher trabalhe e contribua, mas continuam supondo que ela cuidará da casa. Muitas mulheres negligenciam a administração doméstica ou a educação dos filhos porque estão mais preocupadas com a carreira. A maioria dos casais está num dilema e se culpa mutuamente pela frustração com seus papéis. A saída para esse nó é elaborar uma lista de tarefas que deve ser dividida de maneira justa, levando em conta algumas questões: quem faz isso melhor? Quem adora ou detesta fazer determinado trabalho? Vocês podem se revezar? Uma vez fixados os deveres e responsabilidades, é preciso praticar a arte de manter-se em silêncio, sem espezinhar, enquanto o outro faz a sua parte. E notar e elogiar o esforço do outro. É impressionante como os casais se esquecem disso.