Trair está na moda?
O sexo fora do casamento não é de hoje, mas está se tornando cada vez mais comum. A ciência jura que é uma tendência biológica. Dá para lutar contra ela?
Atualizado em 23/08/2012
Reportagem: Ivonete Lucirio e Meghan Rabbitt - Edição: MdeMulher
Foto: Getty images
Todo mundo tem uma história de infidelidade para contar. Talvez esse comportamento esteja mesmo ganhando força nos dias de hoje. Um levantamento realizado em 2008 pela pesquisadora Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, mostra uma característica interessante da traição. Aos 70 anos, 80,3% dos homens dizem já ter traído, ante apenas 22% das mulheres. Já com 18 anos, o público feminino chega mais pertinho: 66% dos entrevistados do sexo masculino já traíram, e 49,5% das mulheres também.
De onde vem a safadeza?
Os cientistas parecem cada vez mais empenhados em encontrar explicações para a traição. Um minucioso trabalho realizado na Universidade do Estado de Nova York mostrou que uma em cada quatro pessoas tem o gene chamado DRD4, o gene da traição. Homens e mulheres com o dito-cujo apresentam uma facilidade maior para trair.
Além dos genes, o que circula pelo seu sangue também faz diferença. A Universidade do Texas, em Austin, nos EUA fez um estudo com mulheres de idade entre 17 e 30 anos. Viu-se que, nos dias em que eles traíram ou sentiram vontade de trair, havia uma overdose de estradiol (hormônio tiram os homens do prumo) no sangue. O cérebro das mulheres com um nível elevado de estradiol sussurra: Você pode capturar o homem mais bonitão, vá lá, diz Kristina Durante, coautora do estudo.
Mais um pouco de bioquímica
Estudos mostram que alguns espécimes do sexo masculino têm uma propensão fisiológica maior a procurar lençóis novos. Pesquisadores suecos descobriram que quanto menor o número de receptores para vasopressina um neurotransmissor associado com sentimentos de apego um homem tem no cérebro, mais ele é propenso a trair.
Além disso, quanto mais testosterona um macho recebe no útero, maior sua chance de ser infiel, diz o psiquiatra Daniel G. Amen. Uma pista: se seu parceiro é um deles, o dedo anular é ligeiramente maior do que o indicador, segundo Amen.
Segue mais um motivo: O cérebro do homem é visual, o que faz com que o desejo seja acionado várias vezes por dia, diz a ginecologista e sexóloga Jaqueline Brendler, diretora da Associação Mundial de Saúde Sexual. A perspectiva de sexo com uma nova parceira cria uma resposta psicológica que não acontece ao dormir com a pessoa do dia a dia: os neuroquímicos da excitação como a prostaglandina sobem mais rapidamente, produzindo mais sêmen e aumentando a chance de uma ereção vigorosa.
Insatisfação e traição andam juntas
A traição acontece porque um dos parceiros ou os dois está insatisfeito com o relacionamento, incluindo dificuldades sexuais, principalmente por parte das mulheres. Se as coisas estão mornas em casa, a pessoa fica mais propensa a se arrepiar com um mero toque de um possível amante.
Até no quesito insatisfação a biologia coloca seu dedo. Já havia várias pesquisas mostrando que quanto mais você gosta do cheiro natural de um rapaz, menos parecidos seus genes são. Genes diferentes provocam maior atração porque aumentam as chances de produzir bebês saudáveis.
Brad Wilcox, diretor do Programa Nacional sobre Casamento, da Universidade de Virgínia, nos EUA, aposta que sim. E afirma que a insatisfação vem do fato de os parceiros entrarem no casamento com expectativas altas demais, difíceis de ser cumpridas. As pesquisas mostram que a infidelidade é mais comum entre casais que não moraram juntos antes de se casarem e eu penso que isso acontece porque a coabitação proporciona uma espécie de test-drive para a relação, diz Wilcox.
Traição virtual
Não há dúvida de que a tecnologia deixou a traição mais ao alcance dos dedos. O combustível para a liberdade sexual é a possibilidade de dar uma escapada sem abrir a porta da frente, simplesmente ligando o laptop. Isso criou mais oportunidades. E, no caso da traição, a oportunidade surge como um terceiro fator que facilita as coisas, somado ao biológico e ao psicológico, diz o psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira-Santos, doutor em ciências médicas.
Além disso, a tecnologia permite alguns comportamentos que não seriam aceitos no mundo físico, analisa o psicólogo Oswaldo Rodrigues Júnior, do Instituto Paulista de Sexualidade. Muitas pessoas que vivem presas às regras, ao acessarem a internet sentem-se desculpadas para agir de modo contrário ao que normalmente fazem. Assim a tecnologia permite que elas usem esse esquema para vivenciar condições irreais sem sentirem-se culpadas.
É possível resistir?
Se trair está na natureza do ser humano, é também de esperar que ele consiga controlar o impulso. Graças ao estilo de vida pegue-isso-quando-você-quiser, superestimulamos nosso centro de prazer no cérebro. A internet e o smartphone oferecem resultados imediatos. Assim, é preciso mais e mais para nos satisfazer, incluindo o apetite sexual. De alguma forma essa superestimulação está sequestrando o sistema de prazer no nosso cérebro e nos roubando a habilidade de experimentar sensações boas com coisas simples, diz o psicólogo Archibald D. Hart. Portanto, se tomarmos ciência de que somos donos da tecnologia, mas ela não é nossa dona, fica mais fácil administrar esse sentimento de emergência.
É importante lembrar que a biologia não traça nosso destino. Não é porque podemos estar predispostas a trair que não temos a opção de escolher viver uma relação monogâmica feliz, diz Ley. Depende do nosso controle. E entender as forças biológicas que nos levam à atração por outras pessoas pode ajudar a resistir às tentações. Traição não é inevitável.
Dicas para quem não quer trair
· Escolha bem seus amigos. Muitas pessoas têm o hábito de sair com amigos do sexo oposto para desabafar sobre algo que não vai bem no relacionamento. Está na cara que isso pode virar outra coisa.
· A atração pode ser mais ou menos como a dieta. Quanto mais você tenta não pensar no chocolate, mais ele gruda na sua cabeça. Lembre-se do ditado: não importa onde você faz seu apetite crescer, desde que vá jantar em casa.
· Escolha para seu parceiro alguém que você admire. A maioria das pessoas não arriscaria, por uma aventura sexual, perder alguém admirável.
· Faça uma forcinha para manter os lençóis de casa quentes: chame seu parceiro pelo nome (nada de apelidinhos bobos), olhe nos olhos dele, evite intimidade demais (ele não precisa ver você cortando as unhas dos pés).
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Comentários
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Rodrigo - Seu marido ¿ um viado enrustido e deveria tomar uma surra pra aprender a ser homem de verdade! - 07/01/2013 05:38:20
Carla de Curitiba - Meu marido me incentivou a ter relacionamentos extraconjugais, embora eu tenha resistido no inicio, depois de 5 anos de experiencias diversas, considero o resultado positivo, sempre muito seletiva, foram poucos que antes de mais nada tornaram-se meus amigos, pessoas que têm minha confiança e carinho. - 16/09/2012 19:21:44





































