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Sexo: nada de fingir orgasmos (outra vez)

Deixe de lado a interpretação na cama e confira as dicas para chegar ao orgasmo de verdade

Atualizado em 22/08/2012

Ivonete Lucirio e Kristen Dold - Edição:MdeMulher

Não finja

Não finja na cama
Foto: Reprodução revista Women`s Health

Acredite, você não está sozinha. Há estudos mostrando que 60% das mulheres ao redor do mundo mereciam receber um prêmio pela performance entre os lençóis. A gente consegue enganar direitinho, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Indiana, nos EUA, e publicada no Journal of Sexual Medicine. Foram ouvidos 6 mil participantes, e os números mostram o seguinte: 85% dos homens garantiram que sua parceira chegou lá nas últimas relações. Mas apenas 64% das mulheres realmente atingiram o clímax. Ooops, um quarto deles estava enganado. Uma pesquisa da Universidade de Temple, na Filadélfia, nos EUA, revelou que são muitos os motivos que levam o sexo feminino a simular pequenos suspiros e gemidos: o medo de ficar vulnerável, insegurança sobre a própria performance e até usar o fingimento para aumentar a excitação. "É impressionante que nos dias de hoje, com tanto esclarecimento, ainda haja mulheres que simulem o orgasmo", espanta-se o sexólogo Amaury Mendes Jr., coordenador do curso de pós-graduação em terapia sexual da Clínica Delphos, no Rio de Janeiro. "Mas sempre que há um homem e uma mulher na cama muita coisa entra em jogo", completa ele. Caso você ainda não saiba, descubra agora quais são os principais fatores que podem levá-la a blefar na alcova.

Medo da vulnerabilidade

Se uma mulher não está emocionalmente pronta para se abrir com o parceiro, fingir pode ser um caminho para manter o cara ao alcance dos braços. "Há uma vulnerabilidade e um risco emocional que vêm junto com o clímax na frente de alguém", diz Yvonne K. Fullbright, autora de Sultry Sex Talk to Seduce Any Lover (inédito no Brasil). Um orgasmo autêntico exige "uma verdadeira entrega à experiência e nunca se preocupar em ser julgada", ela diz. As causas dessa pouca coragem em se entregar podem ser muitas: falta de confiança no parceiro, medo de rejeição, de perder a própria personalidade, experiências anteriores com parceiros que se tornam pegajosos demais. Mas, se você resistir a se entregar, é praticamente impossível ter um prazer autêntico.
 

Chegue lá: consiga a intimidade de que precisa dentro do quarto conversando mais fora dele, diz Debby Herbenick, consultora da versão americana desta revista e autora de Because It Feels Good (inédito no Brasil). "Ser autêntica na hora de mostrar quem você é forma a chave para um sexo melhor", diz. "Comece devagar: conte um segredo ou divida uma história embaraçosa e, quando ele perguntar onde você quer comer, escolha um restaurante em vez de dizer ‘Qualquer lugar está bom’", aconselha Debby. "Homens e mulheres que se tornam intimamente próximos têm mais facilidade em ser honestos com seu parceiro sobre o sexo entre eles — o que os faz se sentir bem o suficiente para atingir um orgasmo", afirma. Fortaleça os laços durante o dia e você ficará mais confortável ao dizer "para a esquerda, mais devagar" e, por fim, deixar-se levar.

Falta de consciência sobre o corpo

"Algumas mulheres não sabem exatamente quanto tempo levam para chegar ao clímax ou o que na verdade é preciso para levá-las até lá", diz Vivienne Cass, autora de The Elusive Orgasm (inédito no Brasil). "Elas veem essas mulheres altamente orgásticas nos filmes e acham que isso é a regra", diz. Enquanto isso, os homens que assistem a filmes pornôs — ou seja, quase todos eles — estão acostumados a assistirem a mulheres chegarem lá em segundos, o que aumenta ainda mais a pressão.
 

Chegue lá: seja honesta sobre suas expectativas e leve-o a fazer o mesmo. Atingir um final grandioso nunca é simples. De acordo com um estudo da Universidade de Chicago, nos EUA, apenas 5% das mulheres sempre chegam ao clímax. Já o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, um amplo levantamento realizado pelo Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, mostrou que 26% nunca ou raramente têm orgasmo. Na verdade, você e seu parceiro precisam de um pouco mais de criatividade. "As pesquisas mostram que a maior parte das mulheres necessita de estimulação do clitóris para chegar lá, seja por meio da masturbação, do estímulo de um parceiro, seja pelo sexo oral", diz Charlene Muehlenhard, professora de psicologia clínica na Universidade do Kansas, nos EUA. "Melhore o autoconhecimento tocando-se para descobrir o que a deixa excitada", diz Debby. Quando estiver sozinha, masturbe-se, fantasie, use um vibrador. Quando estiver com o parceiro, faça um sexo mais quente de lição de casa. Explorem o corpo um do outro com o único propósito de descobrir o que acende vocês — sem preocupação com o orgasmo. Assim vocês podem mostrar o que leva cada um ao céu.

Medo de ficar rotulada

Desde que a pílula anticoncepcional surgiu e liberou a mulher para sentir prazer, atingir o orgasmo passou a ser praticamente uma obrigação. Se não tem que se preocupar em engravidar, o que a impede de chegar junto, certo? "Recebo meninas de 16 anos em meu consultório preocupadas por não atingir o clímax", conta Mendes Jr. A mídia mostrando mulheres indo e voltando do céu junto com o parceiro, como quem pega o metrô, acentua ainda mais a ideia de que é muito simples, qualquer um consegue a qualquer momento. E, se não conseguir, é porque é frígida. Ninguém quer esse rótulo.
//Chegue lá: o homem é, digamos assim, um sistema hidráulico. Com a excitação, seus "canos", ou seja, os vasos sanguíneos, se enchem de sangue e voilà, temos a ereção, meio caminho andado para o orgasmo. "Para as mulheres, não é tão simples assim, a excitação vem de um reflexo fisiológico, mas também tem um alto componente emocional", reforça Mendes Jr. Assim, não chegar lá não significa ser frígida, mas talvez não ter encontrado o parceiro certo para levá-la ao lugar certo. Se você confia na pessoa que está com você, não deve se preocupar com rótulos.

Rotina

Quando o casal transa sempre às sextas-feiras depois da pizza, é quase inevitável aquela sensação de "vamos acabar logo com isso que eu tenho cabeleireiro amanhã logo cedo". E o caminho mais rápido, no geral, é fingir. O sexo, para funcionar como um caminho de mão dupla, precisa de certo empenho. "Não basta chegar, fazer e achar que o orgasmo está garantido", diz Mendes Jr. Se você não estiver disposta a dispender energia, será apenas um ato mecânico.
 

Chegue lá: "A rotina não é um mal em si. Se for adequada e agradável, atingir o orgasmo é até mais garantido, pois o caminho conhecido é sempre mais fácil e rápido", garante o psicólogo Oswaldo Martins Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade. "As pessoas que reclamam da rotina têm dificuldade em administrar coisas iguais, mesmo que sejam prazerosas." O segredo está em montar o cenário de tal forma que, mesmo com a rotina, ele traga algo de novo. Ou, com mais criatividade, colocar na cama um lençol de 400 fios, vestir uma lingerie novinha ou pôr para tocar um som de que vocês dois gostem.

Achar que está sendo traída

Um estudo da Universidade de Columbia, nos EUA, divulgado em novembro, mostrou que mulheres que não estão muito certas da fidelidade do parceiro apresentam uma tendência maior a fingir o orgasmo. Faz parte de um pacote de comportamentos para tentar "segurar o homem" e evitar que a relação acabe. Cinquenta e quatro por cento das entrevistadas revelaram que fingiam o orgasmo - exatamente o grupo menos seguro da fidelidade do parceiro.
//Chegue lá: pelamordedeus, fingir orgasmo para segurar homem infiel é a maior besteira. Nesse caso, antes de se preocupar em chegar lá, você tem que colocar sua vida amorosa em pratos limpíssimos. Se ele realmente a estiver traindo e isso for um problema para você — o que geralmente é —, o orgasmo é sua menor preocupação no momento.

Aumento da libido

Suspiros, sussurros, respiração arfante podem funcionar como um interruptor que liga algumas mulheres, de acordo com uma pesquisa de Erin B. Cooper, estudante de doutorado em psicologia da Universidade de Temple. No estudo, as mulheres contaram que aumentar os sinais de que estariam chegando ao orgasmo melhora também seu nível de excitação e as deixa mais disposta para o sexo. Faz sentido: se você parecer estar à beira do êxtase, o rapaz ficará mais propenso a entrar em alta rotação, aumentado as chances de um autêntico grand finale.
 

Chegue lá: tudo bem usar essa estratégia do fingimento para melhorar sua excitação. Mas é importante que o seu homem saiba que não se trata de uma forma de terminar logo com o assunto, mas algo que aumenta sua excitação. Tente apimentar as coisas com uma conversa picante ou pense em como seu corpo reage enquanto se aproxima do clímax. Pode soar psicologês, mas imagine que a sensação de um orgasmo na sua cabeça — os sinais, o cheiro e o som — pode ajudar você a chegar ao topo. E deixar a performance para as atrizes.

Muita calma, você não está sozinha

80% das mulheres admitem fazer sons, gritar e gemer metade do tempo quando sabem que não chegarão ao clímax, descobriu uma pesquisa da Universidade de Central Lancashire e da Universidade de Leeds, na Inglaterra. Como se não bastasse, essas mulheres dizem que ficam quietas durante a masturbação e o sexo oral, por exemplo, quando estão próximas do orgasmo. Por que isso acontece? "As mulheres sabem que ser barulhenta na cama pode aumentar a intensidade física da experiência com o parceiro", explica Diana Hoppe, autora de Healthy Sex Drive, Healthyyou (inédito no Brasil). Tudo bem dar um pouco de feedback, mas, se você não está verdadeiramente gostando, ofereça a ele instruções mais específicas em vez de faixas de sons sintéticas. Vocês farão uma bela música juntos.