Zibia e você

Como dizer adeus e libertar o espírito

Na hora de se desligar do corpo físico, o espírito vê passar diante dos próprios olhos, como num filme, todos os acontecimentos de sua vida

"Em 2009, perdi meu irmão com 32 anos. Uma vez, a mulher dele tentou se suicidar e sonhou que o marido lhe dizia: ‘Não se mate, pois, do contrário, não irá mais me encontrar’. Ao ser questionado sobre como se sentia, ele teria dito: ‘ Vi minha vida toda passar como num filme. Quando me dei conta, estava na UTI e não consegui mais voltar.’ O que foi essa experiência?"

Mirian Furtado, por carta

O espírito de seu irmão está ao lado de sua família. Ele tem presenciado o desespero e a dor que sua morte provocou na esposa e nas demais pessoas. Por isso, ainda não teve ânimo para seguir em frente. Com essa atitude, ele quer dizer que continua vivo e que todos precisam se conformar, pois sua passagem ocorreu sem dor nem sofrimento.

Seu irmão relatou um fenômeno comum que ocorre no momento da morte: a visão panorâmica. Na hora de se desligar do corpo físico, o espírito vê passar diante de seus olhos, como num filme, todos os acontecimentos de sua vida. Esse relato demonstra que ela não teve um sonho. Seu irmão, de fato, esteve presente e conseguiu evitar que ela consumasse o suicídio. Ele sabia que se a mulher atingisse seu objetivo, não o encontraria quando chegasse a hora de partir.

A agressão ao corpo lesa o perispírito (corpo astral). Isso o desequilibra de tal forma que leva muito tempo para se recuperar. Se consumada, tal atitude o distanciaria das pessoas que ama, que ainda precisam continuar seguindo o próprio caminho.

Está sendo difícil para seu irmão aceitar o que lhe aconteceu. Quem morre, deixa tudo o que tinha aqui: as pessoas que ama e seus bens. Ele fica entre os dois mundos, uma vez que ainda não se recorda de sua vida astral. O ser imagina que seus projetos de vida foram destruídos e assiste o sofrimento dos entes queridos. Por isso, não quer seguir adiante. É preciso que tanto sua família como a esposa dele compreendam que precisam ajudá-lo para que siga em paz.

Os espíritos superiores sabem que forçar situações não funciona. Eles auxiliam, apoiam, orientam, confiam e esperam que as coisas se resolvam com o tempo. Eu realmente acredito que foram eles que o ajudaram a evitar que sua cunhada se suicidasse.

Este é o momento de vocês aceitarem a realidade, libertando-o para que siga o novo caminho. O melhor a ser feito agora é mostrar-lhe que vocês sabem que ele continua vivo e que se comunicou. Diga-lhe que vocês o amam muito. Que sabem que, um dia, se reencontrarão e poderão, finalmente, matar as saudades do ente querido.

Reúna a família, discutam o assunto e peça-lhes para deixá-lo ir. O amor é eterno e o reencontro, mera uma questão de tempo. Depois, cada um deve imaginar que ele está diante de si e transmitir-lhe, em silêncio, tudo o que está no coração. O amor dirá mais do que as palavras!

 No cemitério, durante o enterro, Mirian relatou que um beija-flor parou na frente dela, da viúva e do pai dele. O pássaro ficou olhando para os três durante certo tempo. Dias mais tarde, quando Mirian foi olhar os documentos do irmão, encontrou um desenho feito por ele, onde havia justamente um beija-flor e os seguintes dizeres: "Deus é meu pastor nada me faltará!" Ela sentiu que foi um sinal! Então, entenda: ninguém está só. Vocês estão sendo auxiliadas por espíritos amigos. Confiem na vida e fiquem em paz!