Acabe com a autossabotagem

O que nos leva à autossabotagem? Reconheça os sinais de alerta que podem ajudar a mudar antes de repetir os mesmos erros

Atualizado em 10/06/2011

Liane Alves

Livre-se da autossabotagem e da culpa
Foto: Marcelo Zocchio

Todo mundo tem uma boa história de autossabotagem para contar. Mas isso só acontece quando já estamos livres desse ciclo incômodo. No dia a dia, esse é um sério problema não só em nosso universo pessoal, mas que também atinge a vida profissional. O consultor de empresas Eduardo Farah, por exemplo, é convidado a dar palestras sobre as leis que regem o sucesso para profissionais de várias áreas do mercado. Mas, assim como ele se refere ao que pode contribuir com o êxito na profissão, também fala das circunstâncias que podem induzir ao erro, como a autossabotagem. "Podemos tentar identificar em nós mesmos o que nos empurra em direção ao fracasso", diz. "Para começar, é fundamental saber que não temos só de nos preocupar com os rivais externos, mas principalmente com esse time interno sabotador que todos carregamos em algumas áreas da vida", explica.

E o que fazer com esse instinto do contra? Uma das respostas é: começar a lidar com ele olho no olho. E prestar muita atenção nos fracassos recorrentes em nossa vida. A grande pergunta que devemos fazer é: "Por quê?"

Eterna repetição

Passamos boa parte da nossa vida tentando concretizar as crenças que adquirimos quando crianças, sobretudo no relacionamento com o pai ou a mãe. "O garoto cuja família sempre passava as férias numa cabana de Rainbow Lake cresce e insiste em levar a família para a mesma casinha em Rainbow Lake - às vezes para o desespero de sua família atual", escreve o psicólogo americano Stanley Rosner no livro O Ciclo da Auto-sabotagem. "Para indivíduos assim, tanto na vida real quanto na íntima, não há espaço para a mudança, para a inovação, não há espaço sequer para a imaginação", afirma Rosner.

Associadas ao autoboicote, a uma gama enorme de emoções negativas. A culpa, por exemplo, vem em primeiro lugar, e geralmente aparece por se romper uma crença de infância. O medo também pode vir sozinho: grandes expectativas, por exemplo, podem gerar pânico. Também há o medo de se perder o que se conseguiu até o momento atual ou de não levar adiante a realização com o mesmo sucesso. Enfim, de que a história, no fim das contas, não dê certo.

O mais saudável seria que, ao se conhecerem outros estilos de vida e comportamentos durante a vida, escolhêssemos o que mais tem a ver conosco. E, depois de uma análise mais adulta da situação, tentar ignorar aquela voz vinda lá da infância que diz: "Você não vai abandonar tudo o que a gente ensinou para você, vai?"

Trens e sabotagens

Porém, em algum momento da vida, as coisas podem mesmo começar a descarrilar. Aliás, a origem da palavra sabotagem tem a ver com trens e descarrilamentos. Segundo uma das versões da etimologia da palavra, os sabotadores franceses do século 19 retiravam os dormentes (em francês, sabots) que uniam os trilhos da via férrea para as locomotivas se desgovernarem. É mais ou menos o que acontece conosco quando nós mesmos retiramos os dormentes dos nossos trilhos sociais, isto é, daquilo que se espera de nós. Quando isso acontece, instaura-se um estado de enorme confusão e conflito internos.

No entanto, a autossabotagem nem sempre é ruim. Ela também pode ser positiva e nos alertar para algo que simplesmente não vai bem. Por exemplo, quando aceitamos fazer um trabalho por dinheiro sem questionarmos se é exatamente isso que queremos da vida. O conflito que pode emergir a partir dessa opção é particularmente agudo no campo da criatividade. Mônica Figueira ganhava bem como redatora de publicidade numa agência de São Paulo. Mas estava infeliz e sofria a cada texto que tinha de escrever. "Meu chefe queria uma intensa produtividade para justificar meu salário. E eu procrastinando o trabalho, me arrastando rumo a uma depressão", afirma ela. "A certa altura, travei. Era a sabotagem suprema, com se minha mente fosse uma criatura independente de mim que se recusasse a colaborar com aquela dolorosa situação". Resumo da ópera: a agencia finalmente a demitiu. Hoje, feliz, ela ensaia os rumos de seu primeiro livro. E o cérebro dela, totalmente refeito da crise, colabora intensamente para isso.

Nosso corpo dá sinais das questões psicológicas da autossabotagem
Foto:Marcelo Zocchio

Embates internos

Em 1916, Freud assinou um artigo com um título instigante: "Os que fracassam ao triunfar". No texto, o criador da psicanálise explica que, por razões complexas, alguns indivíduos têm problemas em usufruir plenamente a satisfação de um desejo. Conseguir realizá-lo só traz angústia e ansiedade a eles, porque essa concretização vai contra algumas de suas crenças primordiais. É uma espécie de medo de ser feliz.

O receio da satisfação traz um conflito. Uma parte da pessoa quer realizar esse desejo, pois vê que as coisas precisam ser mudadas. Outra metade não quer, por culpa, raiva ou acomodação. Essa parte é geralmente inconsciente e reprimida, mas está lá. Inicia-se então um jogo de forças entre a parte consciente e inconsciente, entre desejo e pressão social. Como em tudo na vida, quem for mais forte ganha.

Pergunte ao corpo

Podemos descobrir o que está por trás da autossabotagem ao fazermos perguntas a nós mesmos para detectar culpas, medos ou nos lembrando dos registros negativos de infância. Isso também pode ser feito por meio de terapia analítica, com ajuda de um psicólogo ou psicanalista. As terapias corporais também são uma boa alternativa. "A limitação do movimento ou a dor nos dão indicações do que acontece em nossa psique e, por extensão, em nossa vida", diz a terapeuta Miriam Leiner, que trabalha com a conscientização corporal. "O corpo não está desconectado de nossas atitudes. Se ele não está em equilíbrio, o que está à sua volta também não está", diz ela.

Um exemplo: uma das clientes de Miriam tinha sua postura comprometida por um grave ferimento no pé. Ele trazia dolorosas lembranças, pois havia ocorrido em um acidente em que seu irmão havia morrido. Quando reaprendeu a andar, ela passou a colocar mais peso no lado oposto do corpo: era uma maneira de não sentir a dor física e de evitar o trauma associado a ela. "Ela admitiu que se autossabotava toda vez que estava prestes a sentir-se bem-sucedida e satisfeita", afirma Miriam. Esse sentimento emergiu ao travar contato com a dor e a culpa registrada em seu corpo. "A autoconsciência do que fazia com ela mesma foi vital para o seu reequilíbrio psíquico, energético e corporal", explica.

"O que meu corpo me diz?", portanto, pode ser outra pergunta a indicar um caminho para a solução do conflito. É mais uma boa pista para saber em que direção mudar.

Comentários

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marluci - Eu leio varios textos sobre isso de sabotagem,pq isso ocorre comigo ha muitos anos,ttenho TOC,depressao,e isso vem de mim por muitos anos,passei da adolescencia,tive meus tres filhos(que sao saudaveis),me junteime separei,fiquei com muitos homes(de bom caraater)mas com tudo isso,nao cnsegui me conhecer ainda nao ao ponto de dizer ¿sou feliz¿vou ser feliz como for,sozinha,acompanhada¿enfim quero me conhecer ao maximo,quero me entender,pq fa¿o isso de querer emagrecer,e eu meamo ir la coer tudo,tudo,sem fome nhenhuma e depois de todo arrependimento e culpa,ir no banheiro e vomitar tudo que euconseguir,tenho total consciencia que isso so me faz mau,que nao vai me ajudar a emagrecer com saude,que enfim,nao tem nenhum proceder saudavel,eu quero parar,mas so fa¿o e¿me piorar. - 10/09/2011 10:06:01

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