As crises existenciais nos ajudam a evoluir

Todos temos crises existenciais que precisam ser trabalhadas para crescermos ao longo da vida

Atualizado em 15/06/2011

Eugenio Mussak

Conheça algumas estratégias para ficar livre das crises existenciais
Foto: Marcelo Cipis

A vida de todos nós é formada por vários períodos de mudança e transformação. Não temos como fugir das crises, mas podemos aprender a lidar com elas. Isso exige amadurecimento das emoções e controle dos pensamentos, o que leva tempo e provoca algum sofrimento. Mas existem algumas estratégias.

Os ciclos da vida

Os ciclos psicossociais são abertos pela idade (infância, adolescência, maturidade), pelas relações (namoros, casamento, família) e pelas atividades (escola, vestibular, empregos). Nunca passamos de um ciclo para o seguinte impunemente. Entretanto, se por um lado não temos como fugir das crises, por outro aprendemos com elas - e por isso evoluímos.

É de praxe dividir a vida de uma pessoa em quatro fases: infância, adolescência, maturidade e velhice. Mas, no mundo moderno, cada uma dessas quatro fases apresenta-se dividida em subfases, a tal ponto de algumas delas já serem consideradas novas etapas.

Entre a adolescência e a maturidade atualmente colocamos mais uma, que é chamada de fase dos Anos de Odisséia (nome proposto pelos psicólogos). É justamente nessa idade que o jovem enfrenta sua primeira crise existencial diante do imenso conjunto de oportunidades que estão à disposição. Escolhas são difíceis porque pressupõem renúncias, e a opção por uma carreira transforma-se em uma espécie de condenação.

Entre a maturidade e a velhice acabamos de colocar mais uma fase, chamada de envelhescência (nome proposto pelo escritor Mário Prata). É a adolescência do adulto que não quer ficar velho. Já passou dos 60, mas continua produtivo como nunca e ainda está fazendo planos. Só que, assim como o adolescente, ele tem dúvidas sobre o futuro.

Estamos todos condenados a enfrentar crises existenciais na medida em que amadurecemos e vamos experimentando as várias fases da vida. Sofremos, mas nem sempre isso precisa ser ruim.

O foco alienante

A crise tira as pessoas da zona de conforto e desperta a criatividade. Até os economistas podem ajudar a entender essa evolução. Segundo eles, uma empresa só prospera se fechar seus ciclos de crescimento, que são formados por quatro etapas: expansão, recessão, depressão e recuperação.

A recuperação, entretanto, só ocorre porque na depressão a empresa entra em crise e se torna mais criativa e produtiva. Há empresas, entretanto, que usam a crise para procurar culpados e não soluções. Pois na vida é a mesma coisa. Se você não entra em crise vai se acostumando com a situação, mesmo que ela não seja favorável.

Somos salvos pela crise porque reagimos a ela. Caso contrário, vamos morrer lentamente, sendo enganados pelo conforto proporcionado pela estabilidade e pela conformidade.

* Eugenio Mussak é educador e escritor
Acesse: http://www.sapiensapiens.com.br/

Comentários

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