O que determina o valor de um objeto?
O faz um objeto ser considerado valioso? Entenda porque alguns deles, mesmo sem nenhum valor comercial, tornam-se especiais em nossa vida
Atualizado em 18/10/2011
Mariana Sgarioni - Edição: MdeMulher
Cada canto da casa pode ter um valor; tudo depende das recordações que você tem dele
Foto: Getty Images
O que faz com que as coisas tenham tanto valor para nós? Bem, esqueça o dinheiro. Um objeto de alto valor no mercado pode não dizer absolutamente nada para você. Esta afirmação foi provada pelo professor de psicologia e educação na Universidade de Chicago Mihaly Csikszentmihalyi.
Ele visitou 80 famílias americanas e perguntou o que era mais importante para cada uma delas dentro de casa. A grande maioria não indicou nada de alto valor monetário. Era sempre algo de valor afetivo: a cadeira de balanço que foi do avô, a colherzinha da infância, a mesa de estudos da adolescência.
Os artefatos têm participação ativa no cotidiano. Eles organizam práticas sociais, influenciam comportamentos, incorporam metas e se tornam inseparáveis daquilo que somos, afirma. Isso significa que as coisas têm vida social, são palco de nossas experiências e, sim, são impregnadas de emoções.
As coisas e nós
O estudo de Mihaly mostra que a tão propagada cultura do descartável não está tão presente assim no que diz respeito à vida privada das pessoas. Nós fazemos questão de guardar aquilo que realmente nos importa. Isso pode acontecer quando um objeto nos lembra alguém especial ou quando nos remete a um lugar que merece ser lembrado.
Você mede a maturidade de uma pessoa com base na história das suas coisas, diz Vera Damazio, coordenadora do LabMemo (Laboratório Design, Memória e Emoção), da PUCRJ. O que quer dizer que tudo dentro de casa tem uma história, uma memória. E, se você reparar bem, muitas vezes a gente guarda uma infinidade de objetos em casa que não tem nenhuma funcionalidade prática ou óbvia.
Então por que nos apegamos tanto assim a objetos, até mesmo àqueles que nem funcionam? Bem, é que cada coisa interage conosco de maneira diferente, nos lembra pessoas diferentes e tem uma recordação específica boa ou má. Em sua tese de doutorado Artefatos de Memória da Vida Cotidiana Um Olhar sobre as Coisas que Faz Bem Lembrar, Vera pesquisou quais foram os objetos que melhor testemunharam a passagem da vida para as pessoas.
As respostas foram surpreendentes: há desde papeizinhos de bala toffee até medalhinhas e flores secas guardadas dentro de livros. São lembranças de reconhecimento, de que somos amados.
Livros
· Emotional Design Why We Love (or Hate) Everyday Things, Donald A. Norman, Basic Books
· O Erro de Descartes Emoção, Razão e o Cérebro Humano, Antonio R. Damásio, Companhia das Letras




































