Embeleze e harmonize ambientes com a prática de ikebana

A prática de ikebana pode reavivar sentimentos de prazer e alegria enquanto reestabelece o equilíbrio dos ambientes

Publicado em 19/05/2008

Edição: Amanda Zacarkim

A técnica do ikebana busca a harmonia
Foto: Reprodução

Conta-se que, durante uma viagem, Buda encontrou uma rosa caída no chão. Quando colocou a flor num vaso, ela ganhou vida nova. Começava aí a história do ikebana, precursor do arranjo floral, como forma de adornar altares e venerar deuses. A arte de dar vida (ike) à flor (bana) nasceu na Índia, percorreu a China e se consagrou no Japão por volta de 1338, como cerimônia da tradição zen-budista. O ikebana recebia lugar de honra na casa, compondo o canto de oração e meditação, arranjado com incensos e hai-kais - os rápidos e certeiros poemas japoneses.

O princípio do arranjo floral é simples: um vaso escolhido com especialidade, galhos de flores e folhas e certo senso estético.

No entanto, vivificar a natureza, valorizando a beleza de cada elemento do arranjo, é algo de segredos ancestrais. Assim, paciência, perseverança e certa dose de abstração são requisitos fundamentais para quem quer praticar esse exercício espiritual. "Fazendo ikebana, você estabelece um estado de espírito mais consciente, centrado e harmonioso, gerando melhores relacionamentos com as pessoas, com o ambiente e consigo mesmo", afirma Elisa Inoue, florista e professora de ikebana. No livro O Zen na Arte da Cerimônia das Flores, Gussty L. Herrigel diz que trilhar esse caminho pede recolhimento interior e desapego, atributos que conduzem à comunhão com os elementos naturais e à união com o coração do Universo.

No Brasil, o estilo mais difundido de ikebana é o kado sanguetsu, que significa "o caminho da flor", e está relacionado ao princípio do três, representado pelo triângulo formado por galhos secos ou flores solitárias. O mais alto dos galhos determina a direção do arranjo, aponta para o futuro, e representa o Sol e o pai. O médio é a figura do presente, da Lua e da mãe, enquanto o pequeno nos liga à terra, ao passado e aos filhos. Espetando aqui, ajeitando ali, o florista vai percorrendo o caminho do equilíbrio, da simplicidade e da beleza com sua melhor intenção, revelando o mistério da própria vivência.

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