Manual da boa vizinhança - A família problema

Saiba como lidar com esse tipo de vizinho-problema para ter uma convivência mais harmoniosa em casa ou no prédio

Publicado em 19/01/2009

Reportagem: Leandro Sarmatz - Edição: Amanda Zacarkim

Famílias e suas complicações podem interferir - e encontrar ajuda - na vizinhança
Ilustração: Flávio Rossi

Na casa ao lado, um jovem casal discute em altos brados toda a noite de sexta para sábado e perturba o sossego da vilinha inteira - até o cachorro, no pátio de uma das residências, fica assustado. No prédio, um adolescente, sempre que contrariado, costuma bater a porta do quarto com toda a força, fazendo ecoar um som seco e perturbador, que põe em sobressalto o andar inteiro. Em outro apartamento, um choro alto, convulsivo, que corta a madrugada e o coração de quem o escuta, indica que uma criança pequena costuma apanhar de sua mãe. Dureza, não? Essas talvez sejam as situações mais delicadas, as que envolvem questões familiares, mas ultrapassam a tênue fronteira da porta de casa, invadindo a intimidade de todos nas proximidades. O que fazer?

Pergunte a qualquer síndico sobre o tema "família problema" e a resposta será praticamente a mesma: é um tema difícil, espinhoso, em que a diplomacia deve ser praticada quase como uma arte. E mesmo assim podem sobrar arranhões para todos os lados. Isso porque o que é praticado dentro da casa de cada um não é, a princípio, da conta de mais ninguém. Ou é? Vejamos.

Como lidar

A sensação de invadir a privacidade é inevitável, pois não existe uma fórmula infalível para abordar um problema causado por familiares de um vizinho, até porque uma frase do escritor russo Tolstoi, em Ana Karenina, continua valendo: "Cada família infeliz é infeliz à sua maneira".

Para lidar com criança barulhenta: delicadeza e cuidado. "Tem que ter muito tato para reclamar de criança", afirma José Roberto Iampolsky. Isso porque a possibilidade de os pais se ofenderem com a reclamação é um fato quase consumado. Ninguém acha agradável ver um adulto (e ainda por cima estranho) se queixar do seu petiz.

O advogado especializado em direito imobiliário Michel Rosenthal Wagner, frequentador de reuniões de condomínio por causa do trabalho, tem uma sugestão menos invasiva para colocar um freio na bagunça juvenil: a criação de um conselho só para eles no condomínio - nos moldes daquele dos adultos - para deixá-los por dentro das normas e evitar ferir suscetibilidades paternas. Mas ele admite, tendo visto casos gravíssimos ao longo de sua vida profissional: "Há pessoas que não deveriam estar em um condomínio, pois não têm condições de viver em uma sociedade".

Casal barraqueiro: difícil mensurar quando a perturbação passa dos limites e obriga a uma ação mais afirmativa. Esse é um dos casos em que vale apelar para o síndico. Então ele mesmo poderá mandar uma cartinha bem impessoal, destinada a todos os moradores, solicitando maior atenção às normas de silêncio e à harmonia do prédio.
O babado é grave quando há evidências de maus-tratos a menores. Aí, o mais indicado é mesmo mobilizar outros moradores e buscar uma solução que resguarde a criança e não seja uma invasão à intimidade. Em casos extremos, vale até chamar o conselho tutelar.

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