nao

Você já pensou em conhecer um quilombo?

Os quilombos contam a história de um Brasil diferente que merece ser descoberto

Publicado em 03/12/2009

Os quilombos espalhados pelo Brasil conservam a tradição e a cultura dos afrodescendentes
Foto: Getty Images

Um quilombo é mais do que uma comunidade de descendentes de ex-escravos africanos. Cada um desses povoados fundados por escravos fugidos ou alforriados contém um Brasil diferente, mais ou menos isolado das idéias e tecnologias que mudaram o país desde a abolição, há mais de um século. A contabilidade oficial, baseada nos registros de terra, soma pouco mais de 700 quilombos Brasil afora. Mas há mais, alguns tão isolados que nem sabem que a Constituição lhes garante a posse do chão que habitam.

O quilombo de Ivaporunduva, por exemplo, fica no Vale do Ribeira, em São Paulo, onde vivem cerca de 260 pessoas. Ele existe há mais de 300 anos, mas o contato com o mundo de fora só se firmou a partir de 1997, graças à ONG Instituto Socioambiental. A abertura provocou transformações profundas na vida dos ivaporunduvenses, que agora discutem temas como geração de renda e desenvolvimento sustentado e trabalham na comercialização do que produzem, da banana orgânica ao artesanato. Boa oportunidade para conhecer suas festas, suas danças e seu rico trabalho manual com palha de bananeira.

Espírito Comunitário

A comunidade é o centro da vida dos moradores de Ivaporunduva. Nela os quilombolas compartilham, sem parcimônia, o que fazem. A produção de alimento é comunitária, a colheita e os peixes são repartidos entre todos. Para o solo não cansar, alternam as áreas de cultivo. E assim sobra oportunidade para todos plantarem.

Diferença valiosa

Preservar o que possuem é outro ponto de honra para os quilombolas. E isso se estende da terra para as tradições. Longe, porém, de se isolar, eles querem agora marcar suas diferenças para ter o que oferecer na troca. Falam muito do que aprenderam com o que os antepassados trouxeram da África. Com isso, valorizam a identidade de seu povo, conscientizando-se de que são diferentes e têm uma história própria. Assim, pegam as rédeas de seu destino.
 
Para saber mais
Instituto Socioambiental, http://www.socioambiental.org/prg/rib.shtm
Fundação Cultural Palmares, www.palmares.gov.br

Comentários

Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.

Sandra Gabriel - Não conheço, mas admiro a garra e persistência deste povo em querer manter suas tradições. Espero que o contato com a tecnologia não os descaracterize e os deixem a mercê de catequizadores e pessoas que forçam a conversão as suas ideias. - 22/08/2012 13:42:17

Comente

Li e concordo com os termos de uso do site.