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Esta semana, lemos mais uma notícia sobre espancamento motivado por homofobia nas ruas de São Paulo. Desta vez, as testemunhas não se calaram e os dois agressores foram detidos pela polícia. Presos, eles verbalizaram, diante da câmera da TV, a máxima da sua sabedoria brucutu: “Apanhou de besta”, soltou um deles. “Se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado”. Tem tanta gente errada levantando a bandeira do macho que chega a dar vergonha de carregar um cromossomo Y por aí.
As circunstâncias deste caso demonstram como a noção de “macheza” se deturpou. E os envolvidos ainda disseram se tratar de uma briga de trânsito rotineira… Parados em um cruzamento dentro do carro, os bombadões provocaram um universitário que passava sozinho a caminho de casa. Inadvertidamente, eles o xingaram. Quando ele devolveu a ofensa, sentiram-se no direito de descer do veículo, encurralá-lo e acertá-lo com socos e pontapés. Dois grandalhões movidos a suplementos vitamínicos contra um sujeito mais baixinho. Para mim, a vítima, homossexual assumido, foi o verdadeiro macho da história, tendo coragem de denunciar a violência que sofreu.
Valentões que acham necessário atestar sua virilidade o tempo todo querem provar algo a si mesmos. Não digo que esses agressores não passam de uns enrustidos, como muita gente fala, porque me parece mais uma ofensa aos gays. Além disso, acho melhor não buscar justificativas para atos de pura estupidez. Mas, na cabeça de sujeitos assim, homem não pode demonstrar sentimentos ou fraqueza. A testosterona precisa exalar de seus músculos, de suas roupas, de sua voz e de seu carrão. Homem não chora, não leva desaforo para casa, não foge da briga, não broxa, não deixa sua mulher solta. Em povos latinos, como nós, tais convenções estão ainda mais presentes – e, surpreendentemente, tem muita mulher que pensa assim também.
O que a sociedade precisa é de novos modelos de valentia. Homens que praticam atos de covardia e preconceito como este são apenas ogros truculentos. Machão de verdade não bate em mulher, não implica com cor de pele ou classe social e, decididamente, não se importa com as escolhas sexuais dos outros. Prezo a amizade com meus amigos gays, já chorei até em fim de relacionamento, nunca me meti em briga – provavelmente, desmontaria com o primeiro murro – e não saio por aí achando que o carro é uma extensão do meu pênis – sério, nem dirijo, apesar de ter habilitação. E nunca me senti menos homem por causa disso.
Macho deveria ser quem não dá as costas quando vê algo errado acontecendo e faz o que está ao seu alcance para ajudar. Como aquele rapaz carioca agredido no começo do ano ao defender um mendigo da ação violenta de um grupo. Até hoje, ele briga por uma punição para os acusados. Ou o senhor no Mato Grosso do Sul que aceitou doar um rim à ex-mulher no ano passado, mesmo o casal não estando junto há 16 anos. Gosto de pensar que esses sim têm culhões de verdade.
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Monique e Daniel sob o edredom, no BBB 12 (Foto: Reprodução)
A Globo conseguiu. Foram necessárias doze edições do Big Brother Brasil, dezenas de edredons e centenas de poemas do Pedro Bial. Mas, finalmente, os participantes do programa ignoraram as várias câmeras apontadas para eles sem parar. Já se sentem bem à vontade para fazer o mais absurdo diante do espectador, tornando-o, quem sabe, até cúmplice de um crime.
A polêmica gira em torno de algo que milhões testemunharam sem que ninguém soubesse dizer ao certo o que viu. Mas que gerou uma série de comentários em redes sociais, sites e blogs. No meio do debate público, a coisa desandou de vez. Saber que um possível estupro foi exibido ao vivo em rede nacional não me surpreendeu tanto quanto ver a raiva demonstrada por muitas mulheres contra a suposta vítima.
Como bem falou a Fernanda, do Sexpert, aquela não foi uma simples cena de pegação, como as que sempre rolam no reality show. Pelo vídeo vazado na internet, não é possível dizer exatamente o que houve sob as cobertas do casal. Mas é certo que, em determinado momento, a moça apaga, como ela mesmo confirmou depois no confessionário. E o rapaz não achou que isso seria motivo para segurar a mão boba.
Acabo de ouvir, na mesa ao lado em um restaurante, três sujeitos desancando a jovem. Disseram que o casal já estava no maior amasso, que ninguém a forçou a beber tanto, que ela disse depois que “estava com tesão”. Primeiramente, nada disso justifica a bolinada do cara. Uma garota desacordada não pode ser tratada como uma boneca inflável inanimada para satisfação de um fetiche masculino. Em segundo lugar, achar que o ocorrido no BBB foi normal também banaliza o tema fora dos muros da casa, o que é muito pior. Pois, até mesmo pela falsidade dos participantes, o que acontece dentro do programa acaba refletindo a sociedade do lado de fora.
No ano passado, o número de casos de estupro cresceu em grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, 10%. No Rio, 15%. Não há dados sobre as causas. Mas aposto na certeza de impunidade e na absurda cultura de desqualificar a vítima, achando desculpas para o abuso sexual. Até já esperava ouvir trogloditas dizendo que a moça tem “jeitão de periguete”, que a saia dela estava curta demais, que ela estava no programa para chamar a atenção mesmo e coisas bem piores. Mais preocupante, porém, foi ver tantas mulheres concordando com estes mesmos argumentos machistas. O que precisa ficar claro é que um homem não pode agir sem controle como um animal no cio. Se até mulheres acharem que é aceitável um cara passar a mão em uma garota inconsciente, estamos diante de um retrocesso grave.
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abuso sexual, banalização, BBB 12, bolinada, crime, estupro, machismo, mão boba, vítimas
Alex Xavier
Devo ter cara de bom moço. A maioria das mulheres que não quiseram nada comigo e até algumas que um dia quiseram não vêem problema em falar comigo sobre outros caras. E como tenho mais amigas do que recomendam os médicos, ouço muitas histórias. Só posso oferecer a minha visão prática masculina. Ou seja, se a ideia é apenas ter alguém que escute seu desabafo, bata no seu ombro e diga "eu entendo", procure uma mulher. Sou homem e dou minha opinião mesmo quando não solicitado.
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