time dos solteiros
Como os homens controlam o que sentem
Por Alex Xavier postado em 02/02/2012 às 15h19

Foto: iStockphoto
Imagine um carro com câmbio automático: “P” para “parado”, “R” para “ré”, “D” para “dirigir”. É mais ou menos desta forma simples e direta que vejo os relacionamentos pela ótica feminina. Ao conhecerem um possível pretendente, ou vocês o odeiam na hora e pulam fora (“R”) ou o adoram e mergulham de cabeça (“D”). A maioria dos caras, por outro lado, ainda usa o câmbio manual no que diz respeito a sentimentos. Pode representar menos conforto e o motor se desgasta logo, mas consome menos e o controle da velocidade é mais preciso.
Quase toda semana, alguma leitora me escreve reclamando de conflito entre os dois sistemas operacionais. Conheceram pretendentes fantásticos e abriram seus corações para eles, na esperança de estarem vivendo uma grande paixão. Depois, sofrem porque o sujeito não as procurou mais. Eu não tenho como adivinhar o que se passou pela cabeça de cada um deles. Mas tenho a teoria de que os homens costumam mudar de marcha de forma mais lenta e gradual do que as mulheres. Eles evitam se envolver tão rápido. Podem até ir para a cama, mas com o freio de mão puxado.
É complicado encontrar a medida ideal para nossa entrega, sem que pareça excessiva para um e insuficiente para o outro. Mas, por experiência e autopreservação, prefiro dar um passo por vez no terreno emocional. Criar muitas expectativas em torno de alguém que se conhece há pouco tempo é injusto para os dois. O fulano pode até cair de amores por uma garota durante uma balada, mas duvido que ele tenha saído de casa pensando em encontrar a futura mãe dos seus filhos.
Há alguns anos, uma garota com quem eu saía perguntou se a amava. Estávamos na cama, no meio da madrugada, em nosso terceiro encontro. Respondi que achava cedo para dizer, pois tínhamos apenas começado a nos conhecer. Deveria ter mentido? De repente, ela me chamou de canalha, caiu em prantos e se trancou no banheiro. Levei quase uma hora para convencê-la a abrir a porta. E entendi que eu ainda estava testando a embreagem enquanto ela já estava a 200 km/h. Provavelmente, sem freios. Em uma ladeira.
Cheguei a experimentar o câmbio automático algumas vezes – sim, canalhas insensíveis também são capazes de apostar todas as fichas de uma vez, ainda que com menos freqüência. Quase sempre dei com a cara em algum muro – claro, existem mulheres que só querem curtição também. A gente pode se iludir facilmente com o que não conhece. Então, não tenha pressa e desacelere para curtir melhor a paisagem no meio do caminho.
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Alex Xavier
Devo ter cara de bom moço. A maioria das mulheres que não quiseram nada comigo e até algumas que um dia quiseram não vêem problema em falar comigo sobre outros caras. E como tenho mais amigas do que recomendam os médicos, ouço muitas histórias. Só posso oferecer a minha visão prática masculina. Ou seja, se a ideia é apenas ter alguém que escute seu desabafo, bata no seu ombro e diga "eu entendo", procure uma mulher. Sou homem e dou minha opinião mesmo quando não solicitado.
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