03 jan

time dos casados

Casamento: uma questão de timing

Por Alex Xavier postado em 03/01/2012 às 15h20

Comentários (10)

homem para casar

Foto: Camille Perella

“Esse é para casar… esse só para curtir”. Sei que vocês adorariam escolher os caras com quem se envolvem como se estivessem na feira separando os tomates para molho daqueles para salada. Mas é mais uma questão de timing do que de perfil. Vendo meu próprio histórico, noto já ter alternado entre os modos “namorado ideal” e “amigo da galera” algumas vezes. Acontece que, para todo homem, chega o momento no qual pensamos em sossegar o facho.

Tanto que há mais gente se casando. Segundo o IBGE, em 2010, foram registrados 4,5% mais casórios do que em 2009 (fora os que moram junto sem registro, o que, por experiência, incluo na conta). As pessoas estão se unindo mais velhas (em média, eles aos 29 anos e elas aos 26). Tudo indica, porém, que o casamento não é uma instituição falida. Até a proporção de divorciados que voltaram ao altar também cresceu (18,3% optaram por uma segunda chance).

Conheço casais da época de escola que cresceram grudados acreditando serem feitos um para o outro até ele mergulhar na boemia para aproveitar o melhor da festa. Também vi grandes machões afirmarem que nunca colocariam uma coleira até queimarem a língua tornando-se maridos e pais dedicados. As pessoas mudam. E, de vez em quando, acontece algo que nos faz ver a união estável com bons olhos e parar de desejar qualquer par de pernas bonitas ao nosso redor.

Conversei com colegas de trabalho sobre isso outro dia e nos perguntamos o que faz o sujeito largar a vida mundana e juntar os trapinhos. Seria muito romântico dar todo o crédito ao amor. Afinal, ao longo de nossas vidas, deixamos passar diversas oportunidades de nos apaixonar em nome de mais uma temporada de farra. A verdade é que o homem decide que chegou a hora de se amarrar quando ele percebe que já fechou a conta da folia.

É como jogar na roleta em um cassino. Quando você está ganhando, não dá vontade de pular fora, pois quer abusar da sorte e aumentar sua pilha de fichas. Precisa perder algumas rodadas para valorizar o que tem nas mãos. Ouvi um desconhecido comentar com amigos outro dia: “casar é bom, só perde para ser solteiro”. Não é bem assim. Por senso prático, o homem se casa quando as vantagens da vida a dois começam a pesar na balança mais do que as de lobo solitário.

Ser solteiro dá trabalho, acredite. Não há dados precisos comparando a vida sexual dos que tem “emprego fixo” e dos que escolheram ser freelancer (sinceramente, acho que a freqüência é a mesma, com altos e baixos). Mas tenho certeza de que os comprometidos suam menos por prazer. Afinal, já têm uma sócia por perto. Quer transar? Não precisa nem pintar o clima ideal. Por sua vez, o autônomo deve firmar contratos independentes, ver quem está disposto a fechar negócio, armar um encontro para preparar o terreno e jogar todo seu charme na incerteza de ser bem-sucedido. Às vezes, dá preguiça.

Homem bom para casar é aquele que já entendeu que nunca terá sua própria mansão Playboy repleta de coelhinhas. E que passa a se sentir privilegiado só por ter alguém que o empurre para frente mesmo quando ele quer ficar parado. Acontece cedo para uns, mais tarde para outros. E não existe essa de apontar qual serve e qual não serve. No máximo, você pode dar uma apertadinha de leve no seu tomate para ver se ele já está maduro o suficiente.

Alex Xavier

Devo ter cara de bom moço. A maioria das mulheres que não quiseram nada comigo e até algumas que um dia quiseram não vêem problema em falar comigo sobre outros caras. E como tenho mais amigas do que recomendam os médicos, ouço muitas histórias. Só posso oferecer a minha visão prática masculina. Ou seja, se a ideia é apenas ter alguém que escute seu desabafo, bata no seu ombro e diga "eu entendo", procure uma mulher. Sou homem e dou minha opinião mesmo quando não solicitado.

amigomacho.nova@gmail.com

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Comentários (10) em "Casamento: uma questão de timing"

  1. Mari disse:

    Muito bom e finalizou bem demais….e o segredo é esse , a hora certa de “apertar o tomate para ver se ele já está maduro”. vai depender da maturidade dela também.Aí molho, casamento e tudo mais vai dando certo viu?abs.

  2. fabiana disse:

    Acho que algumas coisas são legais, agora outras desconheço. Acho que muitas pessoas tem mais trabalho em serem casadas que se fossem solteiras, escodem de suas esposas tudo oque passa na vida deles e vice versa. Então acho que se não apareceu a pessoa certa pra dividir uma vida a dois. Melhor esperar e não se enganar. Isso é não ter trabalho.

  3. Lila disse:

    queridão,
    bom seria se todos os outros tivessem a mesma “consciência temporal” que você. porque a gente sabe que a maioria nem percebe que a mansão da Playboy é fantasia. ou, pior, há aqueles que se acomodam à primeira coelhinha, só pra não ter o trabalho de procurar um frio na barriga de verdade.

  4. gracec disse:

    Sou observadora dos seus textos e este caiu precisamente como uma “luva”… Fantasia, liberdade, aventura, prazer, novidade… eis o que homens prezam na opção de serem solteiros. Mas como tudo na vida é cíclico, parâmetros mudam, perdem validade, ficam atemporais… e a possibilidade de estar mais intimamente em sintonia com alguém se torna interessante… Alguns preferirão ficar esperando a utopia da mansão ´playboy’ a vida inteira, e nada nem ninguém os fará mudar de ideia … respeitável! Mas muitos de nós nascemos para compartilhar sentimentos, momentos, parceria de vida mesmo, com altos e baixos até porque não vale a pena esperar de forma frustrada por perfeição. Na minha opinião isso é o que representa a condição de casado, juntos em gostos, critérios, juntos em alma e até em desavenças. Sou divorciada(aquele não era nosso timing, nem a pessoa, nem a condição ideal de uma relação saudável)e acredito fielmente na união, até por que não desejo a solidão como minha fiel companheira e acredito que nascemos para compartilhar nossa vida com alguém… Da mesma forma que estou completamente de acordo que a maturidade vem com a experiência de cada um, uns mais novos, outros demoram um pouco mais e outros passarão a vida sem nunca tê-la conhecido…

  5. Adriana disse:

    Pior do que passar a vida toda sonhando com a mansão da Playboy é casar e ainda continuar a levar a vida de solteiro.

  6. Giovanni disse:

    Ótimo artigo Alex. Eu assino embaixo. Sempre fui um “autônomo” com contratos temporários mas nada nunca muito definitivo. Até que encontrei alguém que me fez mudar de ponto de vista e de vez em quando me dá uma sacudida pra que eu não durma no ponto. Hoje trabalho com sites de relacionamento e a ironia é que se quisesse teria uma mulher diferente por dia mas só quero ficar com uma. Espero que suas leitoras encontrem um homem ideal e se ele não for ideal que pelo menos saiba fazê-las feliz.

  7. Alex Silva disse:

    Em suma: “o homem bom para casar é…” aquele com motor 3.0; que são aqueles com mais maturidade e “que já entendeu que nunca terá sua própria mansão Playboy repleta de coelhinhas”. (risos)
    Ótimo texto.

  8. Joab Luis disse:

    Concordo totalmente com a matéria. As coisas são assim mesmo, tanto pra homens como para mulheres.
    O interessante é que o inverso também ocorre, de casados quererem ser solteiros (e até de largar uma boa relação pra farrear..)

    É a vida…e é bonita e é bonita.

  9. Dara disse:

    Achoi que em suma homens e mulheres se casam por motivos muito diferentes por isso na maioria dos casos se sentem mais solitários do que quando eram solteiros…

  10. Paula disse:

    GOSTEI DESTA PARTE :

    “…Ser solteiro dá trabalho, acredite. Não há dados precisos comparando a vida sexual dos que tem “emprego fixo” e dos que escolheram ser freelancer (sinceramente, acho que a freqüência é a mesma, com altos e baixos). Mas tenho certeza de que os comprometidos suam menos por prazer. Afinal, já têm uma sócia por perto. Quer transar? Não precisa nem pintar o clima ideal. Por sua vez, o autônomo deve firmar contratos independentes, ver quem está disposto a fechar negócio, armar um encontro para preparar o terreno e jogar todo seu charme na incerteza de ser bem-sucedido. Às vezes, dá preguiça…“