22 jun

time dos casados

Namoro com torcida organizada: família e amigos

Por Alex Xavier postado em 22/06/2012 às 19h05

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Foto: Thinkstock

 

 ”Nenhum ser humano é uma ilha, completo em si mesmo; cada um é uma parte do continente” – John Donne (1572-1631)

 Acho que, na célebre frase acima, o poeta inglês se referia ao senso de comunidade. Mas para mim significa que, por mais que a gente tente de vez em quando, nunca conseguimos ficar sozinhos. Tudo que fazemos terá sempre ligação com muitas outras pessoas. Mesmo em uma relação a dois. Quando começamos um namoro, promovemos uma grande cisão de conhecidos e parentes – os seus, os meus, os nossos, todos na arquibancada acompanhando cada lance do nosso relacionamento.

Na história na qual vocês são os protagonistas, os coadjuvantes muitas vezes roubam a cena e exercem um papel fundamental na estabilidade (ou não) do casal. Os dois grupos mais influentes nessas horas são o eixo familiar e o círculo de amizades. De ambos. Pois, da mesma forma que é complicado passar pelo crivo do pessoal do lado de lá, pode também não ser fácil fazer a turma de cá aceitar a entrada de um novo membro.

Para um cara, a figura mais amedrontadora nessas horas é a do pai da namorada. A princípio, o desconforto é grande. Afinal, antes de tudo, ele também é homem e já deve ter aprontado com a filha de alguém um dia. E quando se vê do outro lado do balcão, a maioria mantém um pé atrás com o escolhido por sua princesinha. Assim, tentamos fazer uma lavagem cerebral no sogrão. Ele precisa esquecer que damos uns amassos na filha dele e nos ver como um conhecido que só veio visitá-lo. Para isso, buscamos um tema em comum para servir de pilar das conversas, como descobrir que torcemos para o mesmo time.

A relação com a sogra é diferente. Primeiro, o homem vê nela a projeção de como a namorada será. Não só fisicamente, mas de personalidade e até no modo de falar e no gestual. Mas a gente sabe que elas também nos avaliam, tentando prever que tipo de marido podemos ser para sua filha. Oferecer-se para lavar a louça após o almoço, por exemplo, pode significar “não serei um machista explorador e preguiçoso”. Levar umas indiretas do sogro é normal, quase folclórico. Não conquistar a simpatia da sogra, porém, coloca tudo a perder. Ao contrário do pai, a mãe costuma ter argumentos sólidos para não gostar de nós.

Conhecer os amigos da namorada requer um aprofundamento maior. Afinal, serão várias pessoas de estilos e gostos diferentes. Um júri e tanto. Difícil agradar a todos da mesma forma. Lembro de um episódio de “Friends” no qual Monica teme apresentar aos amigos o sujeito com quem está saindo, pois eles sempre encontram defeito em todos os seus pretendentes. A verdade é que leva tempo para quem está de fora entender como funciona o grupo.

Com a amiga inseparável (ou “o” amigo inseparável, por que não?), a mulher tem uma dinâmica própria, que, provavelmente, o sujeito nunca vai alcançar. Se for esperto, nem vai tentar. Tem a amiga rival, com quem ela se mete em disputinhas veladas – sabiamente, mantemos uma distância segura dela e, quando perguntados, damos sempre razão a nossa namorada. Muitas contam com o amigo gay – que pode ser um grande defensor do cara ou sentir ciúmes dele, por precisar dividir sua antiga parceira de festas. Às vezes, aparece ainda um ou outro ex com quem ela mantém a amizade – um grande teste para os ciumentos.

Claro, o mesmo acontece quando a mulher pisa no território do namorado. Ele também tem sua família (não deve ser mole topar com uma sogra que considera seu filhinho a última bolacha do pacote), seus amigos solteiros (que o tentam, de vez em quando, a deixar o exílio), os casais com filhos (que podem incentivá-lo ou desmotivá-lo à vida de casado) e as amiguinhas com quem ele já teve um rolo (e que nem sempre medem a intensidade das demonstrações de carinho).

Precisamos saber administrar tudo isso, pois não é justo privar ninguém das outras pessoas que a amam além de nós. Confesso que sou meio abusado e gosto de conhecer gente nova. Então nunca sofri muito para ser aceito pelas turmas de namoradas. Dou sorte com sogros também. Por outro lado, não é qualquer uma que suporta o meu estilo “arroz-de-festa”, querendo manter sempre contato com qualquer conhecido. Mas é possível tirar proveito tanto dos momentos em grupo quanto dos instantes a dois. Nem uma ilha nem um continente. Sejamos uma península.

Alex Xavier

Devo ter cara de bom moço. A maioria das mulheres que não quiseram nada comigo e até algumas que um dia quiseram não vêem problema em falar comigo sobre outros caras. E como tenho mais amigas do que recomendam os médicos, ouço muitas histórias. Só posso oferecer a minha visão prática masculina. Ou seja, se a ideia é apenas ter alguém que escute seu desabafo, bata no seu ombro e diga "eu entendo", procure uma mulher. Sou homem e dou minha opinião mesmo quando não solicitado.

amigomacho.nova@gmail.com

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Comentários (1) em "Namoro com torcida organizada: família e amigos"

  1. LOBITA disse:

    Adorei!!!!