09 fev

Saúde

Qual é o melhor horário do dia para se tomar remédio?

Por Daniela Carasco postado em 09/02/2011 às 16h09

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Foto; Getty Images

Sincronizar o horário de um medicamento com o relógio do organismo faz toda a diferença para aumentar sua eficácia e diminuir efeitos colaterais. Essa é a proposta da cronofarmacologia, ciência que cuida da “agenda biológica”.

“As funções orgânicas vivem oscilando conforme o momento do dia. Conhecer suas fases e adequar os medicamentos a elas é importante para melhorar o aproveitamento e reduzir reações adversas”, aprova o fisiologista Luiz Menna-Barreto, da Universidade de São Paulo, em entrevista à revista SAÚDE.

O planejamento precisa levar em conta tanto aspectos da rotina do indivíduo como certas peculiaridades do funcionamento do organismo. “Isso inclui fatores como sono, alimentação, trabalho, ritmo do sistema digestivo e produção de hormônios”, enumera a farmacêutica Amouni Mourad, assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

Antes de estabelecer conexões entre os ponteiros do relógio e a ação de substâncias, vale a pena apontar um dos principais marcadores do compasso do organismo: o ciclo sono/vigília. Ele delineia o chamado ritmo circadiano. “Trata-se de um padrão temporal em que as funções orgânicas oscilam. Ele se repete, aproximadamente, a cada 24 horas”, descreve Menna-Barreto. Conhecer essa regularidade ajudará você a entender as razões pelas quais tomar remédio com hora marcada melhora a absorção e a distribuição de medicamentos dos grupos a seguir:

Coração
Nosso sistema nervoso central é dividido em dois: o simpático e o parassimpático. O primeiro predomina durante o dia, aumentando a pressão arterial. Quando relaxamos o segundo intensifica sua ação, desacelerando o organismo. O sistema simpático ordena a produção do hormônio cortisol pela glândula suprarrenal. Este, por sua vez, acelera o coração. “É por volta das 8 horas da manhã que os níveis de cortisol atingem seu pico, favorecendo problemas cardiovasculares, como o derrame e o infarto”, alerta Amouni. Portanto, é fundamental que os anti-hipertensivos e outros remédios cardiológicos estejam presentes no organismo em concentração suficiente logo pela manhã.

Saúde mental
Entre 5% e 10% dos pacientes que tomam antidepressivos sentem sonolência, estima o psiquiatra Marcio Bernick, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Para dormir bem, acertar o horário também é essencial. Já em relação aos compostos da classe dos benzodiazepínicos, seu uso preferencial é noturno.

Bactérias
Ao receitar um antibiótico, o médico deve conhecer as informações sobre intervalos entre as doses. “Ele também tem a função de esclarecer que alguns medicamentos são aproveitados somente em jejum, enquanto outros devem ser engolidos após as refeições”, ressalta o infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de SP.

Daniela Carasco

Daniela é repórter do MdeMulher e vai responder as principais dúvidas das leitoras sobre corpo, beleza e saúde.

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