08 out

Saúde

O que fazer para prevenir problemas renais

Por Karla Precioso postado em 08/10/2011 às 14h00

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foto reprodução

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Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), estima-se que mais de 10 milhões de brasileiros tenham algum grau de disfunção renal. Esse cenário ilustra a importância das pessoas colocarem os cuidados com os rins como prioridade. Para Leon Gilson Alvim Soares Jr., nefrologista do Hospital Santa Marcelina, um simples exame de urina deveria ser feito pelo menos uma vez por ano para ajudar a prevenir a incidência de doenças renais. “O exame de urina nos diz se há perda de proteína, glicose, sangue, pus e bactérias. Também é analisada a dosagem de creatinina, uma substância que existe no organismo. Quando ocorre um aumento nas taxas de creatinina, é sinal de que há uma diminuição da capacidade de filtração dos rins, levando a sérios problemas”, explica. O nefrologista ressalta ainda que há a ecografia (ou ultrassonografia) dos rins ou do abdômen, que pode demonstrar a presença de cálculos, sinais de obstrução das vias urinárias e alterações na forma e tamanho do rim.

 Os rins podem ser afetados de muitas formas, desde uma infecção urinária até a insuficiência renal crônica, cuja única forma de cura é o transplante renal. De acordo com o especialista, as enfermidades mais comuns que levam à insuficiência renal crônica são a diabetes mellitus e a hipertensão arterial sistêmica. “Condições como essas sem o devido tratamento podem acarretar lesões parciais ou até mesmo ter que partir para o tratamento dialítico e posterior transplante renal. O controle glicêmico e pressórico são de grande importância para evitar complicações destas patologias, além da aderência do paciente à dieta, atividades físicas e uso regular dos medicamentos”, orienta Leon.

 Todos esses cuidados são imprescindíveis no sentido de evitar a perda das funções renais, a ponto de chegar à necessidade do transplante. É importante saber que este procedimento tem sido cada vez mais frequente no Brasil e proporciona a volta da qualidade de vida do paciente, exigindo dele muito comprometimento e disciplina para que o novo órgão não sofra rejeição. Para isso, o uso de medicamentos imunossupressores é indicado, como o sirolimo, que inibe a proliferação celular e a produção de anticorpos. Esta substância liga-se a uma proteína intracelular formando um complexo que inibe a ação da mTOR (Mammalian Target of Rapamycin), resultando na supressão do sistema imunológico e impedindo assim a rejeição.

 A sabedoria popular ensina que “melhor prevenir do que remediar”. Portanto, é preciso que as pessoas conheçam os sintomas de complicações renais para identificá-las e, assim, procurar o médico o quanto antes. O rim pode ser afetado por doença de origem imunológica, inflamatória, infecciosa, neoplásica, degenerativa, congênita ou hereditária. O primeiro passo é observar a urina, seu volume, sua cor, seu cheiro e a maneira como é eliminada (jato). Demais queixas sem justificativas como dor e ardência ao urinar, dor nas costas, pressão alta, edema nas pernas, cólica renal, pele pálida e seca, anemia, falta de apetite, náuseas, vômitos, entre outras* também podem significar algum problema que precisa ser avaliado.

 Como métodos preventivos, exames de urina periódicos são indicados para pessoas com história familiar de doença renal, diabete e hipertensão (além daquelas que já possuem esses males). Também é recomendado evitar o uso exagerado de drogas tóxicas para os rins, como os antiinflamatórios. “Beber muita água faz bem para o organismo, hidrata, melhora o funcionamento do intestino e é saudável à pele. O volume maior de água impede a formação de cálculo renal, lava as vias urinárias afastando o risco de infecção e desidratação – que pode ser causadora da insuficiência renal aguda”, alerta Leon.

 Sobre os rins

Os rins recebem 20% do sangue bombeado pelo coração. Todo este fornecimento permite que eles realizem diversas tarefas fundamentais para o bom funcionamento do organismo: regular a composição e a pressão sanguínea, remover resíduos (uréia, amônia, drogas, substâncias tóxicas), manter constantes o volume de água e o nível de cálcio do corpo; e conservar as concentrações contínuas de ácido/base sanguínea e dos vários íons e outras substâncias importantes.

Algumas das principais doenças que podem afetar as funções renais são: nefrite, infecção urinária, cálculo renal, obstrução urinária, insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, tumores renais, doenças multissistêmicas, doenças congênitas e hereditárias e nefropatias tóxicas.

*Conheça os principais sintomas das doenças renais

 

  • A urina pode se manifestar com mau cheiro, turva, esbranquiçada ou sanguinolenta;
  • O volume de urina pode estar aumentado ou diminuído. Grandes volumes diários de três a quatro litros ocorrem na diabetes e podem ser a manifestação inicial de outras doenças renais;
  • O ato de urinar pode ter alterações como dor, ardência, urgência ou urinar em pequenas quantidades em inúmeras micções diurnas ou noturnas;
  • Micção noturna frequente a ponto da pessoa acordar várias vezes durante a noite porque está com vontade de urinar;
  • Pode ocorrer também a presença de inchaço nos pés, mãos e olhos;
  • Quando o rim está inflamado, infectado ou aumentado por tumor ou obstrução, ocorre dor nas costas ou flancos;
  • Quando há cálculos, a dor é aguda, intensa e cólica;
  • Outros sintomas que não são específicos de doença renal, mas podem significar redução da função renal: cansaço e fraqueza por anemia, falta de apetite, náuseas e vômitos;
  • Outros sinais que podem aparecer são pele pálida e seca, sinais de anemia e aumento da pressão arterial.

Karla Precioso

Karla Precioso é jornalista e amiga das leitoras de AnaMaria, com quem conversa todos os dias. Adora o contato com a natureza, onde geralmente se inspira para escrever mensagens em busca de uma vida mais feliz.

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