14 fev

Saúde

USP testa cirurgia contra diabete (a mesma feita pelo apresentador Faustão)

Por Karla Precioso postado em 14/02/2011 às 11h44

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Foto divulgação

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Uma polêmica cirurgia de redução de estômago, usada de forma irregular pelo médico goiano Áureo Ludovico de Paula em dezenas de pacientes, entre eles o apresentador Fausto Silva, da TV Globo, será testada pelo Hospital das Clínicas da USP. Esse procedimento e uma segunda técnica serão experimentados em pacientes com diabete do tipo 2 com índice de massa corporal (IMC) entre 27 e 35. Nessa faixa encontram-se pessoas que apresentam apenas sobrepeso, caso de quem tem um IMC entre 25 e 30.

De Paula, proibido pela Justiça de operar usando esse método (a gastrectomia vertical com interposição de íleo), realizou cirurgias com essa técnica sem informar aos pacientes de que era experimental, sem ter aberto protocolo de pesquisa e cobrando cerca de R$ 28 mil. Ao menos dez pacientes tiveram complicações graves, segundo o Ministério Público Federal.

No HC, há um protocolo de pesquisa aprovado pelo comitê de ética do hospital e a técnica será feita gratuitamente. A principal diferença em relação às cirurgias convencionais de redução do estômago é a colocação do íleo (fim do intestino delgado) em outra posição (entre o duodeno e o jejuno). Com isso, a produção de insulina é estimulada (veja ao lado). Além da gastrectomia, os médicos vão testar o by-pass gástrico, indicado para a maioria dos pacientes obesos.

O objetivo da equipe do HC é demonstrar que diabéticos não obesos podem se beneficiar e se curar da doença por meio de cirurgia. Atualmente, o consenso da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda a cirurgia de redução de estômago apenas a doentes com IMC maior que 35 – que têm obesidade de moderada à mórbida.

A primeira cirurgia será feita na próxima semana. O paciente é um homem de 55 anos, que tem IMC de 32 e apresenta diabete do tipo 2 há 13 anos. Teve dois enfartes e será submetido à técnica do by-pass. Ao todo, serão realizadas 40 cirurgias – 20 para cada método. A expectativa é de que elas sejam feitas em até dois anos.

Segundo Marco Aurélio Santo, responsável pela pesquisa, pelo menos um terço dos diabéticos do tipo 2 tem IMC entre 30 e 35, faixa que compreende a obesidade leve. “Queremos diminuir a medicação e as complicações provocadas pela doença nesse grupo.”

Márcio Mancini, responsável pelo grupo de obesidade do HC, diz que a redução de estômago tem se mostrado eficaz na remissão e cura da doença. Ele diz que a remissão total ocorre em cerca de 85% dos casos. “Por que o diabético que não é gordo e não responde bem ao tratamento com medicamentos não pode se beneficiar?”, argumenta.

Luís Alberto Turatti, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, critica a iniciativa. “Sou bastante reticente e temeroso em indicar a técnica para o IMC acima de 27. Daqui a pouco teremos de operar todo mundo”, afirma. Segundo ele, a indicação de cirurgia para diabéticos continua a mesma: só com IMC maior que 35. Diz ainda que há drogas para tratar a doença e que a cirurgia deve ser exceção.

O endocrinologista Alfredo Halpern, um dos responsáveis pelo protocolo do HC, informa que qualquer diabético pode se candidatar à cirurgia, mesmo sem comorbidade (outros distúrbios associados, como obesidade). A única exigência é ter um pâncreas capaz de produzir insulina. Para ele, a polêmica sobre a gastrectomia existe porque de Paula não abriu um protocolo de pesquisa. “O mundo está caminhando para soluções cirúrgicas em diabéticos com IMC menores.”

Vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital, lembra que a pesquisa do HC foi aprovada pelo comitê de ética. “Mas, para ser reconhecida pelo CFM, são necessárias mais evidências.”

fonte: Jornal da tarde

Karla Precioso

Karla Precioso é jornalista e amiga das leitoras de AnaMaria, com quem conversa todos os dias. Adora o contato com a natureza, onde geralmente se inspira para escrever mensagens em busca de uma vida mais feliz.

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