Dr. Gaudêncio
Minha mãe me cobra atenção o tempo todo, mas ela nunca me deu carinho
Por Redação NOVA postado em 07/03/2013 às 19h32
Minha mãe me cobra atenção e afeto o tempo todo. O problema é que ela nunca me deu carinho nenhum. E eu já disse que ela espera de mim algo que nunca fez. Nós não costumamos brigar, mas raramente nos entendemos bem. Ela diz que sou fria e que devia me abrir mais para os sentimentos – meus e dos outros. Não me sinto uma má pessoa, mas fico muito ansiosa com essa situação e essa cobrança toda.
Você só é prática e, digamos, fria porque sua mãe a criou dessa maneira. E isso não parece ter sido um problema na sua vida até que ela, talvez por carência ou para preencher algum vazio interno, começou a querer uma maior aproximação física. Sua mãe não está errada em tentar criar importantes laços de afeto que parecem não existir na relação de vocês. O problema é o tipo de aproximação que ela está tentando fazer: pela crítica. Ao criticar, só faz com que você fique com raiva dela e, consequentemente, se afaste ainda mais. Mas o que você pode não perceber é que a sua personalidade é muito semelhante à da sua mãe – mesmo que você não consiga enxergar essa semelhança. É como se você estivesse dentro do Mito da Caverna do filósofo Platão: fica acorrentada de costas para a entrada da caverna e só vê sombras do que acontece lá fora refletidas na parede à sua frente. Para você, essa é a realidade: sua mãe sempre foi fria, ser fria é algo comum e é errado que ela cobre afeto a essa altura da vida. Se você se desacorrentar e vir o que há fora da caverna, vai perceber que a sua interpretação da situação não passa de espectros da realidade: sua mãe pode ter sido distante, mas sempre teve carinho por você.
Dr. Gaudêncio
Minha colega só me escuta quando falo sobre assuntos que a interessam
Por Redação NOVA postado em 07/03/2013 às 19h31
Tenho uma colega de faculdade com quem gosto de conversar, mas ela só me escuta quando falo sobre assuntos que a interessam – e dou opiniões das quais ela pode se apropriar como se fossem dela. Quando comento a minha vida, ela não está nem aí.
A sua amiga é aproveitadora. Mas pessoas aproveitadoras só tiram vantagem dos outros quando sentem que têm abertura para agir dessa maneira. No começo, você deve ter deixado que ela se apropriasse das suas ideias. Ela nunca será uma companheira, e a intimidade entre vocês nunca acontecerá de um jeito sincero porque ela sabe que pode usar a sua inteligência como alavanca para o próprio sucesso e não está interessada em ouvir seus sentimentos e suas ansiedades. Tudo o que ela quer é que você a ensine e, além disso, a deixe roubar suas ideias. O melhor é se afastar dela antes de criar um laço mais próximo e dificultar a relação. Tente falar mais sobre sua vida pessoal para ver se ela perde o interesse e se distancia naturalmente. Se isso não acontecer, tenha uma conversa e mostre que você não está disposta a ser usada como uma enciclopédia.
Dr. Gaudêncio
Me dou bem com o filho do meu namorado, mas ele costuma dormir com o pai
Por Redação NOVA postado em 07/03/2013 às 19h29
Meu namorado tem um filho de 9 anos. Me dou bem com o garoto, mas ele foi acostumado a dividir a cama com o pai. Quando estamos juntos, dormimos os três. O engraçado é que, na casa da mãe, ele fica sozinho. Eu me incomodo, mas não digo nada.
Filhos não podem dormir na cama dos pais. Isso cria uma dependência e retarda o amadurecimento da criança. Seu namorado está corrompendo o filho ao tentar ganhar a confiança (e o amor) dele dessa maneira. Afinal, o menino só tem esse mau hábito na casa dele – na da mãe, a cama do casal deve ser proibida. Talvez por se sentir culpado em ter se separado da mãe do garoto, seu namorado tente compensar deixando o filho fazer o que quer. E talvez ele espere que você se acostume com isso para não criar conflitos. Eu me pergunto como anda a vida sexual de vocês, já que não há privacidade. Só que você também não se impõe por ter medo de perder o amor do garoto e do seu namorado. Se não fizerem nada, a tendência é que o menino demore para ser independente. O melhor é falar sobre o desconforto com seu namorado e tentar criar uma estratégia para que o garoto se acostume a dormir na própria cama.
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Dr. Gaudêncio
A perda do desejo sexual do meu marido é algo normal?
Por Redação NOVA postado em 05/02/2013 às 18h45
Estou casada há três anos e tenho uma filha de 1 ano e cinco meses. Desde a gestação, minha vida sexual diminuiu bastante e, hoje, meu marido simplesmente não me procura mais. No começo, eu pedia sexo, mas parei por me sentir oferecida. Já faz sete meses que não temos relações. Eu o amo muito e sei que ele é um bom pai e um bom marido, mas fico pensando se a perda do desejo dele é algo normal.
Você não está errada em procurar seu marido para retomar sua vida sexual, porque deve sentir bastante saudade de ser cortejada. No seu caso, quem parece estar em meio a um impasse é seu companheiro, e não você. Provavelmente, ele deve sentir que uma mulher que se torna mãe deixa de ser sexualmente atraente; é comum que isso aconteça. Mas esse é um problema dele, e é difícil que você consiga fazer com que as coisas voltem a ser como eram sem que seu marido resolva, com ele mesmo, essa questão. Você deve estar cansada da situação e pode se sentir dividida: o sexo é importante, mas parece ser menos importante do que compartilhar a vida com um homem que seja um bom pai e um bom marido. Ter uma conversa pode ajudar. Tente expor seus sentimentos (e seu incômodo com a situação) para seu marido e levante a hipótese de que ele está lidando mal com o sexo depois de terem um filho. Ele precisa resolver isso com ele mesmo, mas você deve alertá-lo sobre o problema.
Dr. Gaudêncio
Acho que não mereço a sorte que tenho
Por Redação NOVA postado em 05/02/2013 às 18h45
Às vezes eu me sinto uma fraude. Sou bem-sucedida, ganho um bom salário e tenho amigos que adoro, mas, quando paro para pensar, acho que não estou à altura de tudo isso, que não mereço a sorte que tenho. Não me sinto preparada para ocupar o cargo que ocupo e, lá no fundo, sei que sou inferior aos meus amigos. Tenho medo de um dia ser desmascarada e perder o que já conquistei.
As expectativas com suas conquistas são muito altas. Mas é difícil que você seja mesmo uma fraude. O mais provável é que se veja como tal. Seu excesso de autocrítica é a chave para entender por que se sente desse jeito – e para lidar melhor com esse traço de personalidade que, às vezes, é amenizado com o passar dos anos. Hoje, seu nível de cobrança consigo mesma é elevado, e pode ser até injusto, o que faz com que pense que nada que faça é suficientemente bom para que se torne a mulher que gostaria de ser. Por isso, morre de medo de ser desmascarada – mais por si mesma do que pelos outros. Seu superego deve ser rígido; é como se seu pai estivesse esperando você na porta do cinema para dar uma bronca porque você preferiu se divertir a trabalhar. E isso faz com que tenha pavor de não corresponder às próprias pretensões.
Dr. Gaudêncio
Os outros me rotulam como boazinha ou inofensiva
Por Redação NOVA postado em 05/02/2013 às 18h44
Eu me considero uma pessoa calma e sensata. Sou prática e, por isso, não me desgasto com discussões que não levam a nada. Mas os outros me rotulam como boazinha ou inofensiva. Fico me sentindo mal querendo mostrar que estão enganados, mesmo sabendo que não tenho que provar nada a ninguém. Será que me importo demais com a opinião alheia?
De fato, a opinião dos outros não deveria importar, mas sim como você se sente consigo mesma. Você deve ser da maneira como achar melhor. Mas, se dá tanto peso para o que as pessoas que a cercam pensam, precisa descobrir o porquê desse sentimento – só assim irá superá-lo. O problema é que parece que está colocando as opiniões dos outros acima das suas. E ser boazinha é uma questão incômoda para você: essa pode não ser a imagem que gostaria de passar para os outros, por mais que diga que se sente bem como é. O mais indicado é mapear por que sente certo desconforto em ser rotulada como uma pessoa inofensiva. Talvez sua imagem de mulher ideal seja a de alguém mais dura do que é e, por isso, a desagrada quando os outros destacam esse traço da sua personalidade – que não tem nada de errado. Não se importar com o que os outros dizem é difícil, mas entender a razão do seu incômodo com isso é o caminho para se sentir mais segura com você mesma.
Dr. Gaudêncio
Se ele ganha mais, eu me sinto mais atraída sexualmente
Por Redação NOVA postado em 05/02/2013 às 18h13
Se meu marido está sem dinheiro e eu tenho que assumir as contas da casa, perco a atração por ele. Não perco o amor. Sou independente, tenho minha profissão e meu salário, mas prefiro ganhar menos que o homem – se ele ganha mais, eu me sinto mais atraída sexualmente. Por quê?
As mulheres estão se destacando profissionalmente e, claro, conseguindo salários mais altos. Desde que conquistaram essa independência, novas questões surgiram – e a financeira é recorrente. Você quer ter um salário alto e ocupar um cargo admirável. Ao mesmo tempo, deseja que o homem que está ao seu lado seja superior a você nisso. Você quer que ele ganhe mais e, quando isso não acontece, sua frustração aparece através da perda do desejo sexual. É difícil falar sobre isso com seu marido. O melhor seria se analisar para compreender a origem dessa atração por homens mais poderosos do que você. Pode ser algum tipo de submissão que desencadeia seu desejo sexual.
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Dr. Gaudêncio
Minto para dizer o que a pessoa quer ouvir e perco amizades e namoros
Por Redação NOVA postado em 05/02/2013 às 18h12
Quando entro em pânico e acho que alguém vai ficar bravo por causa de alguma atitude, minto para dizer o que a pessoa quer ouvir. Mas as histórias são descobertas e isso acaba com minhas amizades e meus namoros. Nunca é nada sério, mas exagero.
Parece que você tem uma neurose. Deve sentir uma necessidade compulsiva de agradar todo mundo. Quer ser querida pelos outros a todo custo. Por quê? Talvez tenha enfrentado (ou sentido) alguma rejeição em um momento de sua vida. Isso fez com que desenvolvesse essa vontade de ser aceita. E você criou um recurso: mentir para agradar. Você diz que só mente sobre coisas leves. Mas a sua vida não tem leveza: deve ser um peso se desdobrar para agradar a todos, menos a você mesma. Talvez já tenha percebido isso – pelo menos nos momentos em que as pessoas desmascaram suas mentiras. Tratar essa questão com um profissional pode ajudá-la a quebrar esse ciclo mais rapidamente.
Dr. Gaudêncio
Quero romper meu casamento de 15 anos, mas não tenho coragem
Por Redação NOVA postado em 05/02/2013 às 18h10
Estou casada há 15 anos. Nossos interesses mudaram com o passar do tempo. Hoje não temos os mesmos objetivos e, quando falo sobre isso, meu marido diz que não vai se esforçar e que eu preciso me adaptar. Mas não consigo. Sei que quero romper com ele, mas não tenho coragem.
Antes de tomar qualquer decisão, o mais recomendável é pensar que tipo de benefício a relação com seu marido ainda traz a você. Existe um conflito interno: você quer mudar e não consegue. Mas, por mais que sinta que quer terminar, talvez exista algum ganho secundário que a faz permanecer na relação. Também é importante descobrir o motivo da infelicidade com seu marido. Será que vocês estão em momentos de vida diferentes e, por isso, as necessidades não sejam mais parecidas? Isso é algo comum entre casais que estão há muitos anos juntos. Melhor amadurecer seus sentimentos.
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Dr. Gaudêncio
Eu me culpo se não consigo agradar alguém
Por Redação NOVA postado em 10/12/2012 às 19h06
Detesto frustrar expectativas – minhas e dos outros. Eu me culpo se não consigo agradar alguém e me sinto pior quando tento explicar por que as coisas não saíram como o planejado.
Você deve adorar manter o controle sobre as situações e, quando não consegue fazer com que algo saia exatamente como planejou, acaba se sentindo mal. Ainda mais se isso parecer prejudicar as pessoas que você ama. Porque, na sua cabeça, elas também querem que tudo aconteça como você idealizou – mesmo que isso não seja verdade. E, quando você vê que seus planos deram errado, a frustração é grande. É bastante comum que as mulheres tenham esse sentimento, mas ninguém fica neurótico por elegância. Algo deve ter acontecido na sua história para você pensar que tem que estar no comando. Falar com alguém pode ajudar a analisar de onde vem esse desejo de controle. Você precisa de um espelho (um parente, um amigo, um terapeuta) para se entender.
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