Drama, Novelas, Revista AnaMaria

Péssimo exemplo: Wanda se anima pra tudo, menos pra educar os filhos com bons valores... E agora é ladra? Foto: João Miguel Júnior - TV Globo
Sempre achei péssima a postura maternal de Wanda. Aliás, logo no primeiro capítulo da novela, a personagem de Natália do Vale já demonstrava ser duvidosa: protegia o filho honesto, Pedro (Eriberto Leão), e mimava o filho sacana, Léo (Gabriel Braga Nunes). No primeiro capítulo, vimos Léo roubar o brinquedo de um amigo e, quando o pai, Raul (Antônio Fagundes) pediu que ele o devolvesse, a mãe acobertou, achou que era bobagem. E o caso ficou por isso mesmo. Anos e histórias se passam nessa mesma família, e a gente descobre que a Wanda não só protege o filho mau caráter como também, ela própria, é ladra! Ela roubou as jóias da prima, usou os diamantes no casamento de Pedro, a prima foi lá tirar satisfações e arrancou as pedras de seu pescoço. Bem feito. Mas, infelizmente, o gesto da prima não corrige mau caratismo de uma mãe que sonha ser perfeita mas no fundo é tão (ou mais) mau caráter do que o filho. Os dois, aliás, se merecem. Tal mãe, tal filho. Como eu já disse, pobre Raul…
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Até quando vai durar essa boa fase de Léo (Gabriel Braga Nunes)? Não é possível que a farsa dele vá durar pra sempre. Pedro (Eriberto Leão), por exemplo, já descobriu que o irmão é um canalha e Raul (Antônio Fagundes) também já sabe que Pedro sabe. Mas quando o mau caratismo de Léo chegará aos ouvidos de Marina (Paola Oliveira)? Ou da avó dela, Vitória (Nathalia Timberg)? Se é que vai chegar… Enquanto isso, Léo segue aproveitando os bons momentos que a vida lhe dá vestindo-se bem, tomando champanhe, comendo caviar e abusando do motorista da casa dos Drummond para impressionar a mãe, Wanda (Natália do Vale), num leva e traz sem fim. Se a maré virar, quero ver como é que ele vai “nadar”…
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Raul (Antônio Fagundes) é como o ator que o interpreta: um grande homem. Charmoso, sério, competente, correto. No início da cena, quando ele entrou brigando, discutindo e reclamando por achar que Carol (Camila Pitanga) tinha vetado o pagamento de um fornecedor, criando um problema monstro à empresa, saquei na hora: essa tensão sexual vai acabar bem. Dito e feito. O primeiro beijo do casal nasceu justamente de um momento de tensão em que os dois se dispuseram a ajudar um ao outro. Ah, se o ser humano se dispusesse a amar mais e brigar menos… Da tensão sexual que brota em muitos escritórios, ruas e lares diariamente, poderiam nascer grandes amores. E do amor, nasce a paz. O ser humano teme tanto as guerras mas ele está disposto a criar e cultivar ambientes pacíficos? O que poderíamos fazer?
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Desde que largou a vida de bom burguês e começou a trabalhar, Léo (Gabriel Braga Nunes) tem se saído melhor do que Max Gehringer, o consultor do Fantástico! Ele dá cada lição de carreira! É uma atrás da outra pra quem quer subir na carreira e atingir o topo – enquanto ele próprio, Léo, dá voltas e voltas mas não sai do lugar. Léo fala que não quer ninguém mandando nele, que nasceu pra ser um grande empreendedor, que é um homem de ideias e que chega aonde quer, mas vitória que é bom… Aliás, tudo o que ele faz é sabotar os vitoriosos. Gente como o pai dele, Raul (Antônio Fagundes). Que Léo sacaneou na cara dura, sem nem pedir nem desculpas por ter alterado o valor do tal do contrato que podia ter tirado os dois da lama. Agora que a Marina (Paola Oliveira) ajudou Léo a conseguir emprego melhor, te cuida, Pedro (Eriberto Leão). Porque seu irmão-filhinho-de-papai tá bancando seu teto e até hospedando Raul, mas tudo indica que ele vai cobrar caro depois. No caso, a conta é o amor da Marina. Ou alguém duvida de que ele não vá partir pra cima da cunhada?
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Curiosamente, os personagens de quem mais tô gostando são os vilões. Pela ordem:
1. Léo (Gabriel Braga Nunes), o burguês metido a malandro.
Nascido em berço de ouro, o filhinho de Wanda (Natália do Vale) e Raul (Antônio Fagundes) é bom de papo, mas sua lábia nunca lhe garante vitória. Léo planeja, articula, executa mas… fracassa. Só quebra a cara com seus planos diabólicos e ilegais de se dar bem na vida. Já meteu Norma (Gloria Pires) na cadeia (que o jura de vingança); já apanhou de traficante (e levou o pai a apanhar junto!); já matou Carmem (Nívea Maria) do coração; já internou e fez demitirem seu gerente e colega de trabalho no hotel… O ciclo é vicioso e Léo é uma fraude. Mas ele parte pro próximo golpe com tanto entusiasmo que passei a admirá-lo. Toda noite eu aplaudo o trabalho de Gabriel Braga Nunes, que está atuando maravilhosamente bem nesse papel. A falta de limite do mau caratismo do personagem Léo dá pra reparar também num gesto assustador: quando ele abraça o irmão, Pedro (Eriberto Leão), pra dar uma de solidário. Na sutileza desse abraço, vejo garras, em vez de unhas, nas mãos de Léo. Repara só.

Brilho e perfeição: Léo de Gabriel Braga Nunes demonstra a maldade nos menores gestos Foto: Estevam Avellar - TV Globo
2. Cortez (Herson Capri), o cafajeste.
Esse é pegador profissional. Acostumou-se com o mesmo texto “sou casado mas estou me separando, em breve saio de casa e o passo seguinte é termos nossa própria casa…” e com essa conversinha ele vai pegando menininhas mundo afora, conquistando pernas, braços, coxas, pescoços e por aí vai. Em suas próprias palavras, Cortez “pegou Natalie (Deborah Secco) num açougue e pra ele, ela não passa de um pedaço de carne”. Ok, isso não a denigre, apenas. Piora também a imagem dele, que assume ser um conquistador barato mesmo estando casado – aliás, será que Cortez usava camisinha com a esposa Clarice (Ana Beatriz Nogueira)? Devia, né. Nunca o vi usar camisinha com Natalie. E você, como se sentiria na pele da esposa traída? Será que uma mulher tem mesmo que aguentar “as escapadas” do marido, como se fosse isso a única base de sustentação da relação?

Escapadas de marido são uma doença? Cortez quer voltar e pede ajuda para Clarice, para se curar Foto: Janete Longo - Agência Estado
3. Araci (Cristiana Oliveira), a desajustada.
Essa mete medo até na mãe. O trabalho de Cristiana Oliveira na pele dessa presidiária merece prêmio. A mesma mulher que viveu a Juma – quem se lembra? – vai ficar como exemplo de mulher assustadora, barra pesada, bandidaça. Quando ela deu uma “patada” e derrubou a bandeja da Norma (Gloria Pires), no restaurante da do cadeião, me deu medo. Aquela voz e jeito de falar cavernosos, o olhar meio sanguinário, aquelas tatoos mal feitas, as tranças agarradas na cabeça, a roupa e as atitudes de macho, me dão medo. Por tudo isso, Araci já é um personagem inesquecível.
Lidice-Bá
Lidice-Bá é jornalista, redatora-chefe da revista AnaMaria, colunista da rádio Trianon AM 740 (às segundas, 18h), autora do Blog das Noveleiras e noveleira
assumida em casa.
Luciana Bugni
Luciana Bugni é jornalista, editora da revista AnaMaria, e é tão dramática que acha que vive em uma novela.
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