09 mai

Micos de turista

Turista sem mico, não é turista!

Por Naíma Saleh postado em 09/05/2012 às 15h22

Comentários (5)

Bom dia, meninas!!

É, eu sei que estou sumida… Com a entrada da primavera, tive duas semanas de férias (bem merecidas) e aproveitei para viajar muuuito. Passei pela Holanda, pela Bélgica e tive um grand finale em Paris!

Como vocês podem imaginar, estou cheia de novidades e dicas incríveis para vocês =)

Mas, antes de contar tudo o que deu muito certo, vou contar tudo o que não deu.

É meninas, acho que anjo da guarda de turista toma uma dose reforçada de vitamina, porque até quando tinha tudo para dar muito errado, miraculosamente a coisa se resolvia.

Só não me perguntem como.

Mas, agora que já virou história, o negócio é dar risada. Então:

Era uma vez duas meninas que viajavam juntas, quando a coisa começou a desandar

(Foto: Google images)

(Foto: Google images)

 

É, estava tudo bem até eu e minha amiga voltarmos à estação de trem de Bruxelas e eu me dar conta de que…

PERDI O TICKET DO GUARDA-BAGAGEM

Depois de revirar todas as bolsas, bolsos, carteiras e caderninhos, me dei por vencida e aceitei que o ticket estava perdido por toda a eternidade. Fiz, então, a única coisa que podia: fui ao guichê da estação de trem pedir ajuda para abrir o compartimento e poder tirar as nossas malas de lá.

O responsável da estação estava looonge de ser a pessoa mais amável do mundo. Quando eu me dirigi ao guichê e disse que tinha perdido o bilhete, ele me olhou bem sério e disse em um tom bem formal: “ Isso é muito grave” – quase deu para sentir o chão tremer.

Achei que ele estava brincando (afinal, em último caso, tem sempre um pé de cabra para dar um jeito…), só que não. Ele disse que era “extremamente grave” porque a companhia responsável pelo guarda-bagagens (que é digital) só voltaria à estação dali a dois dias.

Pronto, já imaginei uma bola de neve gigante. Se a gente não conseguisse pegar as malas: perderíamos o ônibus para Paris que deveríamos pegar no outro dia de manhã e precisaríamos arrumar um lugar para ficar em Bruxelas mais uma noite (o que provavelmente sairia caro, porque já tinha sido difícil arrumar Couchsurfing), além de termos que reprogramar tudo o que queríamos ver na França.

Para ajudar, eu estava nervosa e o cara da estação foi extremamente grosseiro.  Quando eu fui pagar a multa por ter perdido o ticket (sim, deixamos a Bélgica 12 € mais rica), ele entendeu que eu não queria dar o dinheiro e começou a dizer que ele não estava me roubando, que eu é que era irresponsável de ter perdido o bendito papel.

Depois de nos aterrorizar mais um pouco (porque até então ele tinha dito que era IM-POS-SÍ-VEL abrir o armário), ele digitou um código e abriu a porta em menos de dois minutos – então, para quê tanto drama meu Deus?

Problema n°1 resolvido. Só que mais tarde…

QUASE FICAMOS SEM ABRIGO

Liguei de manhã para a senhora que nos hospedaria, que chamarei de Dona B., só para confimar nossa estadia, e ela disse que estava tudo bem. Ela nos esperaria no final da tarde.  Passeamos o dia todo e depois do susto com o ticket do guarda-bagagens perdido, recuperamos as malas e seguimos as diretrizes para a casa de nossa hospedeira. No metrô, quase chegando à estação que ela havia nos indicado, bati o olho em uma senhora, sentada de frente para nós. Sabe quando você cisma com uma pessoa? Eu queria porque queria pedir ajuda para ELA para encontrarmos a casa da Dona B.

Lembram que eu disse que anjo da guarda de turista é forte? Pois é.

Imaginem vocês que essa senhora era a vizinha da baixo da Dona B. Quase não acreditamos. Ela nos guiou até o prédio, nos colocou para dentro, subiu conosco até o andar da Dona B, tocamos a campainha e… nada.

Dona B. não estava lá.

A vizinha (que só pode ter caído do céu…) ligou para o telefone de nossa hospedeira do próprio celular (ainda bem, pois a essa altura o meu já não tinha bateria) e descobriu que ela não ia voltar para casa. Dona B estava com seus netos e disse que pensou que nós chegaríamos ontem…

De qualquer modo, ela disse que poderíamos ficar na casa dela –  mesmo sem ela lá. Foi uma das experiências mais estranhas que eu já tive, essa de dormir sozinha na casa de alguém que você nunca viu. No entanto, mesmo com um pouco de medo (honestamente,  você deixaria alguém que você não conhece passar a noite na sua casa sem você?) , pensamos que sempre poderia ser pior…

Afinal, como seria se não tivéssemos encontrado a vizinha? Duas sem-teto em Bruxelas (porque não conseguiríamos nem entrar no prédio), com o celular descarregado e um monte de malas. Mais um ponto por anjo da guarda dos turistas.

Mas, ao chegarmos em Paris….

ROUBARAM A CARTEIRA DA MINHA AMIGA

Com todos os cartões de crédito dela dentro e algum dinheiro. O pior foi que só nos demos conta quando vimos a bolsa dela aberta, a hora já estávamos quase chegando à casa dos nossos hospedeiros. Voltamos por todo o caminho que tínhamos percorrido nas estações do metrô com a vaga esperança de que uma boa alma pudesse ter encontrado a carteira e a entregado em alguma bilheteria.

Não foi dessa vez.

Então, seguimos toda a cansativa burocracia de cancelamento de cartões,  ligando para os 0800 da vida e sendo transferidas um zilhão de vezes… e assim foi por cerca de uma hora e pouco.

Mas, AINDA não acabou.

Achei que a viagem ainda precisava de mais emoção, sabe? Por isso, em um momento de descuido…

MINHA SAPATILHA CAIU NO VÃO DO METRÔ

Juro que eu nunca quis ser a Cinderela – muito menos no metrô de Paris –  mas aconteceu. Corremos para não perder o trem e, quando eu vi, estava descalça, pisando naquele chão imundo. Saímos para tentarmos recuperar meu sapato, içando-o com um guarda-chuva. Algumas pessoas se aliaram à nós para ajudar na pesca da sapatilha, enquanto minha amiga e eu não conseguíamos parar de rir pelo ridículo da situação.

O que aconteceu a seguir, nem eu acredito ainda: pescaram o sapato errado. Minha sapatilha era preta e lisa e, quando eu olhei, no cabo do guarda-chuva estava encaixada uma outra: marrom e com uma flor enorme.

Novo ataque de riso.

E não é que alguém mais perdeu o sapato do metrô e no mesmo lugar que eu?

(Será que também era turista?)

Felizmente, na segunda tentativa, pescaram o sapato certo e eu não precisei voltar para casa de pé no chão  =)

É, meninas, muitas aventuras…

O bom é que esses percalços de turista, depois de resolvidos, entram para a nossa galeria de micos de viagem.

E, pelo jeito , acho que vou precisar logo, logo de um prédio de 20 andares para guardar toda a minha coleção!

Bem mais legal do colecionar ímãs de geladeira como souvenirs, vocês não acham?

Até a próxima, meninas!

 

P.S: Dedico este post à minha amiga Heloísa, que sobreviveu comigo a todos esses percalços! E que venham as próximas viagens =)

Naíma Saleh

Virginiana, romântica assumida e meio controladora (mas só às vezes!). Ama ler, desenhar, falar sozinha e... viajar! Já morou na Espanha, nos Estados Unidos e agora está passando uma temporada na França. Mas não se engane: ela ainda tem mais uns 1000 planos de viagens guardados!

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Comentários (5) em "Turista sem mico, não é turista!"

  1. Maria Cláudia Pio Ramos disse:

    Ô lôco, hein, Naíma? Essa sua viagem daria um bom roteiro de filme… Rsrsrsrs… E a sua cisma com a vizinha da Dona B foi incrível… Rsrsrsrsrs…

  2. Milena F. disse:

    Quantos micos em uma viagem só! O jeito mesmo é levar na esportiva e tentar aproveitar ainda assim! sabe que eu sempre tive medo de perder o sapato no vão do metrô? Nunca tinha visto ninguém perder, mas eu sempre penso nisso quando sou subir ou descer! Agora tomarei ainda mais cuidado!!!

  3. Ana Portela disse:

    Olá, primeira vez no seu blog. Tenho um humilde blog de viagem também. Gente, eu acho que sou muito sortuda, pq nunca passei por nenhuma dessas. Acho que fico com tanto medo que dê algo errado que somos extra careful. A da sapatilha foi triste ha ha ha Se acontecesse em Londres, ainda iam parar a linha toda pra tirar a sua sapatilha e vc seria responsável por delays intermináveis haha