Novelas, Passione
Gente, nos últimos capítulos de Passione, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e Candê (Vera Holtz) protagonizaram uma belíssima cena, onde Candê, desesperada ao ver o filho atrás das grades, apela para os sentimentos de Bete, cujo filho morto também era um canalha. As duas perguntam o que toda mãe se pergunta: “onde foi que eu errei?”.
Eu respondo assim: não está na hora de tirar esse peso dos ombros? Não é tempo de admitirmos que somos mães, e não deusas? E, antes de mães, somos mulheres, já existíamos antes de nascerem nossos filhos. Ser mãe não nos liberta de nossos medos, erros, fraquejos e toda a carga emocional que forma uma pessoa.
É preciso aceitar que, se damos à luz nossos filhos, eles não nos pertencem. Sei que é difícil abrir mão dessa “propriedade”, mas veja, o que damos aos nossos filhos é o corpo que um dia irá apodrecer debaixo da terra. O que fica é o mistério, que vamos chamar de alma. O caminho a seguir pertence só ao seu filho. Não adianta interferir ou julgar com sua experiência de vida, pois ela é sua e não serve para mais ninguém!
Pergunta Bete para Candê: “onde é que nós os perdemos?”. Quando eles começaram a escrever a própria história, certa ou errada, não importa. Como mães, nos resta apoiar, chorar e ajudar caso um filho traga na alma uma caminhada dolorosa de erros.
Um filho problemático pode ensinar mais que um certinho. Jogue fora o chicote da penitência, cara leitora. Somos mães, não donas do destino de nossos filhos. Com certeza fizemos o melhor, o resto é com Ele.
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Passione
Gente, tô passada. Tô bege. Tô correndo na areia da praia de salto alto e de saia justa! Então era esse o grande segredo de Gerson (Marcello Antony)? Ora, faça-me o favor!
Muitas vezes, assistindo à excitação com que ele olhava para o bendito computador, eu pensava: que diabo de perversão vão inventar? Tinha certeza que não seria pedofilia, porque o personagem é patrocinado por uma conceituada marca de pneus e não poderia ser do mal. Entendeu, colega? Patrocinador manda no personagem.
Homossexualismo também não. Está tão banal que, daqui a um tempo, os gays vão começar a entrar no armário assumindo a macheza. Virou carne de vaca, ou seria outro bicho?
Então, que diabos esse homem olhava no computador? Cheguei a pensar que ele pertencia a alguma seita demoníaca e, noite dessas, assistindo à novela, resmunguei “vade retro satanás, que esse computador não te pertence!” Cruz credo!
Pois é… Tanta agonia para receber a revelação: Gerson é porquinho, gosta de sexo sujo, fedorento, se lambuza numa porcaria.
Mais eu vivo, mais o ser humano me assusta. Para o Gerson, temos que mudar o ditado que diz “feliz como pinto no lixo”. Pra ele, seria assim: “feliz com o pinto no lixo”. Colega, você que está querendo desencalhar, comece a frequentar os lixões da cidade, os banheiros públicos… Quem sabe você acha o nosso porquinho lindo? Pra Deus, nada é impossível!
Cá entre nós, aquele homem lindo que é Marcello Antony, contando as mazelas do personagem, não convenceu. E, de novo, Silvio de Abreu solta um rojão que dá chabu: sobe, mas não estoura.
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Passione
Gente, as pessoas me perguntam se acredito em mudança de comportamento, ou seja, se alguém que já teve diversas posturas de absoluto mau-caratismo pode se regenerar e transformar-se em uma pessoa do bem. Vai aqui uma historinha que certamente minha cara leitora conhece, mas vou repetir.
O escorpião queria atravessar o rio, mas não dava. Aí viu o elefante se preparando para ir para o outro lado da outra margem. O escorpião pediu ao elefante que o transportasse.
Desconfiado, o elefante respondeu que não, alegando o caráter traiçoeiro do escorpião, que, com certeza, usaria contra ele seus ferrões fatais. O escorpião, ofendido, respondeu que jamais faria isso com quem o estava ajudando. O elefante acreditou e levou o escorpião para a margem oposta. Lá chegando, antes de descer, o escorpião picou o elefante, que disse: “Você prometeu!”. E o escorpião respondeu: “Desculpe, é da minha natureza”.
Aqui está minha resposta para quem me pergunta se eu acredito nessa mudança de comportamento de Clara (Mariana Ximenes), da novela Passione: eu não acredito na mudança de caráter de ninguém!
As pessoas podem deixar determinada maneira cruel de agir, mas é como vela adormecida: soprou um vento, volta a pegar fogo.
Não estou aqui analisando erros que todos nós cometemos, às vezes sem a intenção de ferir ou causar um dano maior. Estou falando de gente ruim, de natureza voltada para o mal. Essas pessoas, tendem a usar a máscara do arrependimento. Da mesma forma que praticam o mal, encarnam a cara de anjo. Eu tô velha demais, sou elefante cascudo, não dou carona pra escorpião…
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Passione
Gente, como é difícil desmontar certos preconceitos. Dizemos que somos livres dessa praga, mas não somos não. Quando menos se espera, olha ele lá, bem à vista, condenando o que não é da sua conta. Eu estava na fila do banco (não uso o privilégio da idade) e ouvi uma conversa entre duas mulheres, ambas beirando sessenta e poucos anos. Dizia uma: “coisa mais sem graça, já estão muito velhos. Gastar tempo da novela com namoro de velhos! Tá na hora é de pegarem no terço”. E fechou o comentário com “Figurati!”
Ah, então estavam falando de Gemma (Aracy Balabanian) e Antero (Leonardo Villar), ambos magníficos atores, que estão levando seus personagens em Passione com o talento de sempre. E, pelo visto, incomodando!
Curioso o comentário ter partido de gente da terceira idade (odeio essa expressão…). Me pergunto: que vidinha de segunda mão tiveram essas duas senhoras, que eliminam todas as possibilidades de amor na idade avançada? Peraí, não vamos ter medo das palavras: amor entre velhos!
Que mentalidade é essa que velhos só podem amar filhos e netos? Que direito tem uma sociedade preconceituosa de colocar o velho sentado em uma cadeira, praticamente expulso do mundo?
Nosso corpo envelhece, nosso andar é mais lento, nossa pele enruga, mas a nossa chama interna não tem idade. Ninguém tem o direito de apagar nossos sonhos, nem o brilho do nosso olhar.
Gemma se recusa a aceitar o amor de Antero. Ele é mais corajoso: quer começar uma vida nova com Gemma. Ela tem medo, diz que na idade deles é quase impossível. Será mesmo?
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Passione
Gente, quando eu era jovem – e convenhamos que faz muuuito tempo -, os homens seguiam uma regra: essa mulher é pra me divertir, mas essa outra é pra casar. A sociedade aceitava e aplaudia e, segundo a mentalidade da época, assim a família estava preservada. Moça “mal falada” não casava mesmo.
Homem nenhum tinha peito de enfrentar a família e a sociedade. Mas às vezes uns quebravam a regra e se apaixonavam pela tal mal falada! Era um drama! A família tinha até vergonha de sair na rua e tentava todos os golpes, sujos ou não, para terminar o namoro.
A maioria não aguentava a pressão e desmanchava o compromisso, mas os mais ousados se casavam com aquela que seria para sempre a vergonha da família. E curioso: eram sempre o casal mais feliz.
Estou escrevendo esta coluna pensando em Totó (Tony Ramos), que se envolve com Felícia (Larissa Maciel) mesmo apaixonadíssimo por Clara (Mariana Ximenes). E o caso típico da mulher santa, Felícia, e da prostituta, Clara. E me pergunto: ainda existe esse preconceito? O que faz Clara despertar tanta paixão em Totó? Experiência sexual? Possível. A natureza masculina dá imenso valor ao sexo. Ouso dizer que é a maior importância na vida de um homem.
O mundo do homem gira em torno de seu membro sexual. Mas o homem também quer filhos, que perpetuem sua espécie e provem sua virilidade. E, para isso, o instinto o leva à mulher santa. Aquela confiável, que defenderá sua prole como uma leoa. Todos os homens gostariam de ter as duas mulheres.
Mesmo com a liberação dos costumes, ainda habitam no inconsciente masculino as figuras da santa e da prostituta. Quem vencerá, Felícia ou Clara?
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Passione, Televisão
Gente, Carolina Dieckmann, a Diana de Passione, não está bem na foto. A moça anda mais falada que político em tempo de eleição. Caiu na desgraça do povo!
De tempos em tempos surge uma onda contra uma atriz; não se sabe como começa, mas termina mal pra ela. Há algum tempo a vítima foi Adriana Esteves. Ela encabeçava o elenco de Renascer (1993) com Antonio Fagundes, que estava no auge da fama e do charme. As mulheres se rasgavam por ele!
Era demais para elas aquela jovem ter o privilégio de beijá-lo. Não deu outra: massacraram Adriana. Ela ficou afastada, teve síndrome do pânico, mas com a graça de Deus e o talento que Ele lhe deu conseguiu dar a volta por cima.
Depois Gabriela Duarte teve sua cota de martírio. Aí já havia a internet, um canal mais forte para o exercício da crueldade. Ela também sofreu muito, ficou afastada um tempo e agora dá a volta por cima com Jéssica, a louca por sexo.
Agora é Carolina Dieckmann. Deixo claro que não morro de amores por essa atriz: é arrogante e tem complexo de princesa mimada. Foi uma jovem linda, irresistível para os homens. Continua bonita, mas não linda: madura, e, claro, magééérrima.
O que deu nessas meninas? Parecem todas a personagem principal do filme A Noiva Cadáver! E, cá entre nós, a personagem Diana é tão insossa que ninguém acredita que dois homens deslumbrantes estejam brigando por causa dela!
O lindo Marcello Antony, o Gerson, fica de joelhos para beijar a nanica da Diana. O povo pede a morte de Diana. É bom não confundir personagem com atriz… Apesar de Carolina Dieckmann ser um porre!
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Passione, Variedades
Gente, é incrível como um grande segmento da sociedade se recusa a ser adulto e assumir responsabilidades. São adolescentes até os 40 anos!
Vi recentemente que é enorme a quantidade de mulheres com mais de 30 anos que assistem ao canal pago Discovery Kids! É isso mesmo, cara leitora, desenho animado. E não acompanhando os filhos: assistem sozinhas! Usam também camisetas da Hello Kitty, da Turma da Mônica e lingerie com bichinhos estampados.
E o que dizer dos marmanjos vidrados no Chaves! O SBT ainda leva ao ar o Chaves? Adolescentes quarentões adoram. Confesso que é uma turma que me mete medo…
Sou observadora. Como diz o poeta Rubens Alves: “tem gente que leva o cachorro para passear, eu levo os meus olhos”. Vejo as trintonas e quarentonas que se recusam a amadurecer cuidando dos filhos e me arrepio. São completamente sem noção, e não é uma questão de classe social. Nananinanão! São de todas as classes, das riconas às médias e as pobronas. Tudo caranguejo do mesmo saco.
É uma turma que veio ao mundo a passeio. O lado verdadeiro da vida eles terceirizam, jogam nas costas dos pais. E bem feito, pois foram eles que criaram esses adolescentes com rugas. Na chatíssima novela Passione tem um bom exemplo de “rebelde madura” Melina (Mayana Moura). Ela não gosta do Mauro (Rodrigo Lombardi) coisa nenhuma! Mas, como criança grande e mimada, vai usar de todos os artifícios para ganhar o brinquedo!
Mas não são só personagens de novela que mostram esse traço desagradável de personalidade. Isso acontece com frequência, e simplesmente porque um mimado imaturo recebeu um não.
Passione
Gente, há tempos estou ruminando uma raiva – contra a novela Passione, porque ela me faz de idiota! Detesto novela que subestima a minha inteligência. Assisto novela, sim, gosto, compreendo que, como num conto de fadas, coisas impossíveis acontecem, situações fogem da realidade… Tudo bem, faz parte e é o encanto da novela! Mas tudo tem limite, e se passar, coloca o telespectador na condição de idiota.
É o que ocorre com essa pretensiosa novela. E, quer saber, quando não acontece a empatia com o público nos primeiros capítulos, pode desistir: a audiência pode até ser satisfatória, mas é um espetáculo morto.
Na linguagem televisiva, as pontas estão soltas, desamarradas. Um exemplo: a novela das 18h, Escrito nas Estrelas, tem todos os núcleos perfeitos, todos têm a ver uns com os outros, formando uma história encantadora. Em Passione o texto é fraco, a trama sem interesse, a direção morna. Mesmo com o excelente elenco, ninguém caiu nas graças do público. É a típica novela que assistimos por força do hábito.
Fernanda Montenegro, Bete Gouveia, parece estar se perguntando: o que é que eu estou fazendo aqui? É uma novela rojão que dá chabu: sobe, mas não estoura.
O autor não acertou a mão dessa vez. É a segunda novela “desamarrada” de Silvio de Abreu. Teve outra, As Filhas da Mãe (2001), que foi de doer. Também teve Fernanda Montenegro perdida naquele pacote desamarrado.
Silvio de Abreu está escrevendo mesmo essa novela? Amigo de Aguinaldo Silva, costumam trocar figurinhas. Essas novelas com personagens largados, um embrolho danado, é muito de Aguinaldo Silva. Assisto sim, mas com muita raiva. Punto e basta!
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Novelas, Passione
Gente, por que será que os jovens se recusam a ouvir o que falam os mais velhos, que já viveram o que eles experimentam agora? Não falo em conselhos, mas prestar atenção naquilo que é dito com amor para evitar dores maiores.
Fiquei tensa e deprimida com o desespero da jovem Fátima (Bianca Bin), da novela Passione. Grávida, sem intimidade com a mãe-avó e sem saber que na verdade é filha da irmã (êta nóis na fita!).
É bem provável que a leitora conheça o desespero dessa situação. Sozinha, porque quase sempre o pai da criança cai fora. Não esquecer que quem carrega a vida na barriga é a mulher. As adolescentes se esquecem e não acreditam que isso possa acontecer com elas. Mas acontece, e muito!
Sem ter a quem pedir ajuda, com medo do diálogo com os familiares, resta aguentar o tranco. Ou recorrer à aborteiras, em locais que são verdadeiros açougues. O aborto é um trauma sem fim para uma mulher adulta, imagine numa menina recém-saída da infância. Algo feito sem a mínima assistência de higiene ou respeito pela sua dor física e moral…
É uma situação sem final feliz. Se nascer o bebê, a vida da adolescente fica truncada: filho é compromisso para a vida toda, é prisão perpétua. Se assume a responsabilidade, perde a adolescência, que, convenhamos, não é idade para ser mãe. Se não assume, terceiriza a responsabilidade para a mãe, já cansada de criar os próprios filhos. Ou então, parte para o abominável aborto e suas consequências funestas.
Comecei a coluna apelando para os jovens ouvirem mais os mais velhos. Eles podem não acreditar, mas se ouvissem se livrariam de muitos de seus males. E não é caretice, não.
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Novelas, Passione
Gente, há muitos anos afastada da televisão, a atriz Daisy Lúcidi prova em Passione que quem é rainha nunca perde a majestade e nos apresenta com toda competência a odiosa Valentina, a avó que explora sexualmente a própria neta. Uma criança.
Acredito que, pela primeira vez, uma trama escancara a sórdida pedofilia. Uma amiga me telefonou revoltada com o Silvio de Abreu, autor da novela. Dizia ela: “o que aconteceu com ele para jogar em nossas casas tão monstruosa personagem?” Me causou estranheza sua postura, pois sempre a tive na condição de cabeça informada! Mas é que, para nós, mães, a pedofilia é tão monstruosa que confunde até a cabeça de minha amiga. E Daisy Lúcidi vem interpretando tão magnificamente bem que até eu estou com ódio dela. Onde essa brilhante atriz buscou dentro dela aquela avó maldita?
E Silvio de Abreu, uma das melhores pessoas que conheci na vida, não está apelando, não. Está denunciando para o Brasil que essa dolorosa ferida aberta, chaga purulenta que é a pedofilia, na maioria das vezes começa em casa, no chamado seio da família!
É um pai, um tio, um irmão, um amigo… A criança é submetida à dor e à humilhação de ser instrumento de prazer de um monstro. Eu sinto muito, mas não aceito como doença.
Todos os crimes são revoltantes, mas a pedofilia é o crime que mais revela meu lado vingativo. Não sinto ódio pelo pedófilo, pois, afinal, ódio é um sentimento, e nem isso ele merece. Dizem que é doença incurável. Pois bem, nesse caso, sou a favor da pena de morte, pois, morrendo o pedófilo, o mundo não perde. Bravo, Silvio de Abreu, e bravo, Daisy, pela coragem de levantar um tema tão forte.
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
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