Variedades
Gente, como perdemos tempo e energia correndo atrás das ilusões. Todos nós nos envolvemos em desejos: casa, carro, joias, ser famoso, ter emprego bom, casar com um homem rico e lindo.
O desejar constantemente aquilo que, muitas vezes, não vamos conseguir, desgasta nossas vidas. Raramente vejo pessoas almejando o único bem que faz com que possamos atingir a maioria dos nossos desejos. Sem esse bem podemos ser milionários, poderosos e famosos que nada vale. Sem esse bem somos sempre tristes, mesmo que a pessoa finja felicidade. Esse bem é a saúde!
Uma pessoa saudável tem 80% do caminho andado para ser feliz. Cito aqui um exemplo de pessoa saudável, que, com 82 anos, nunca teve nem um resfriado. Recentemente, teve um câncer que ela nem tomou conhecimento e já está vendendo saúde. Não é, Hebe Camargo?
O inverso da saúde, a doença, não tem preferência para atacar. Velho, jovem, criança, ela chega avisando que somos mortais. Muitas vezes, até nos ajuda a diminuir nossa arrogância. O que me levou a escrever sobre saúde foi a notícia de que Reynaldo Gianecchini está com câncer.
Um homem jovem, lindo e famoso com essa doença nosobriga a pensar em nossas vidas. Quantas vezes somos egoístas, vaidosos e nos sentimos donos do mundo? Somos um grão de areia no universo. A vida vem e vai sem aviso prévio. Ninguém é melhor. Começa agora uma luta dolorosa para Gianecchini. Que, como um “mocinho” de novela, ele saia dessa como herói. E que Deus cuide de você, Giane, até que Ele envelheça. Saúde!
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Insensato Coração
Gente, estou escrevendo esta coluna aqui no meu cantinho da cozinha. Adoro esse aconchego. Minha cozinha é o coração da casa em todos os sentidos.
Da cozinha, minha mãe comandava tudo. Temperando, mexendo as panelas, dando bronca entre frituras e fumaças, ela comandava seu mundo particular, a família.
Uma mulher sábia a minha mãe. Lutadora e vencedora. Criou sozinha três filhas com a cabeça erguida. Claro que não era perfeita. Na preocupação de não me ver sofrer, às vezes foi injusta, invasiva. Eu brigava toda vez que isso acontecia… Hoje vejo que, quando ela interferiu, me salvou de coisas muito desagradáveis! Se a tivesse ouvido mais, teria sofrido menos.
Sempre que tive a tentação de agir menos corretamente, me lembrava dos joelhos dela, que não dobravam mais de tanto ajoelhar para encerar a casa do patrão. Eu tinha obrigação de ser decente tendo essa mãe.
Acabei de assistir Eunice (Deborah Evelyn) justificando para as filhas porque é tão ambiciosa. Ela disse que foi muito pobre, que sentia-se humilhada na escola por seu lanche e suas roupas simples. Não queria para as filhas uma situação igual à dela. Ela tem horror de ver uma filha sofrendo, e acho que todas nós, mães, temos esse medo. Inútil. São nossos filhos, mas o destino é deles.
Curioso como uma mãe segura e ambiciosa joga nos filhos a frustração por aquilo que ela queria ter tido e não conseguiu. Escolhi duas mães, uma de verdade e outra da ficção, mas ambas, certas ou erradas, agarradas ao desejo de fazer os filhos felizes.
Insensato Coração
Não sei quanto a você, cara leitora, mas eu tenho uma certa reserva com quem tem mania de grandeza – que atualmente mudou de nome, agora é “pensar grande”. Sei não… Pra mim, é gente metida a besta mesmo!
Incomoda-me a ambição desmedida. Tenho medo do ambicioso patológico, que acha que o mundo deve muito a ele e não sente o mínimo remorso de subir nos outros para sentir-se mais alto. Uma certa ambição é boa para progredir na vida, pois ajuda a construir os objetivos. Mas me sinto mal com pessoas que se acham superiores às outras. O tal nariz em pé, que olha o mundo como se fizesse o favor de existir e, aliado à presunção, ambiciona ter tudo o que sua mania de grandeza acha que lhe é devido.
Na novela “Insensato Coração”, Léo (Gabriel Braga Nunes) é a encarnação perfeita do “mania de grandeza” e do ambicioso sociopata. Aplica seus golpes e sempre se dá mal, porque pra ser vigarista precisa ter o pé no chão, viver a realidade. Mas Leonardo vive num mundo que ele criou.
Léo acha que é superior e está à procura de uma “cidade do tamanho dele”, onde as pessoas não pensem pequeno. Despreza o pai, que venceu na vida batalhando e que, infelizmente, a fatalidade destruiu seu patrimônio, mas ele recomeça com a mesma garra, lutando honestamente.
Para Léo e sua mania de grandeza, isso é mentalidade de medíocre, que se satisfaz com merreca. Uma vez um desses narizes em pé, pensando que me ofendia, disse que eu tinha alma de pobre, eu revidei imediatamente: “posso ter alma de pobre, mas você tem a alma pobre”.
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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