Fina Estampa, Novelas
Gente, já escrevi zilhões de vezes e volto ao tema. Pode me chamar de mala velha e rasgada, estou cantando e andando… Lá vai, não adianta reclamar: se a TV vende produto, vende também comportamento e, cá pra nós, vende mais mau comportamento.
Esse comentário é por conta de uma nota que saiu na coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, que diz: a associação dos grupos de apoio à adoção está protestando contra a novela Fina Estampa em carta aberta. A associação reclama que a novela trata o assunto “adoção” de forma preconceituosa e errada, e quer uma reinterpretação da questão. Resposta da Globo: é uma obra de pura ficção e estranha que alguém se preocupe com o que pensa Tereza Cristina (Christiane Torloni). Cara leitora, não é um deboche? Não se trata do que pensa um personagem, mas do que pensam todos os personagens naquele capítulo. Vivemos num país de pouca escolaridade, a maioria dos telespectadores de hoje não conhece sequer o nome de atrizes e atores, só os reconhece pelo personagem. E, sim, dona Globo, eles se preocupam com o que pensa Tereza Cristina, que representa o poder do dinheiro para uma camada da população para a qual o luxo é o sonho de felicidade!
Não rezo na cartilha do politicamente correto. Mas, quando a TV insiste em reforçar comportamentos cruéis, que alimentam o sofrimento das pessoas, eu não posso me calar! Sei que, para muitas pessoas, esse é um tema irrelevante, porque não sentiram na pele a dor de ver um filho escolhido ser rejeitado pela maldita ignorância social.
Quando a TV insiste em reforçar comportamentos cruéis, que alimentam o sofrimento das pessoas, não posso me calar!
Passione
Gente, as pessoas me perguntam se acredito em mudança de comportamento, ou seja, se alguém que já teve diversas posturas de absoluto mau-caratismo pode se regenerar e transformar-se em uma pessoa do bem. Vai aqui uma historinha que certamente minha cara leitora conhece, mas vou repetir.
O escorpião queria atravessar o rio, mas não dava. Aí viu o elefante se preparando para ir para o outro lado da outra margem. O escorpião pediu ao elefante que o transportasse.
Desconfiado, o elefante respondeu que não, alegando o caráter traiçoeiro do escorpião, que, com certeza, usaria contra ele seus ferrões fatais. O escorpião, ofendido, respondeu que jamais faria isso com quem o estava ajudando. O elefante acreditou e levou o escorpião para a margem oposta. Lá chegando, antes de descer, o escorpião picou o elefante, que disse: “Você prometeu!”. E o escorpião respondeu: “Desculpe, é da minha natureza”.
Aqui está minha resposta para quem me pergunta se eu acredito nessa mudança de comportamento de Clara (Mariana Ximenes), da novela Passione: eu não acredito na mudança de caráter de ninguém!
As pessoas podem deixar determinada maneira cruel de agir, mas é como vela adormecida: soprou um vento, volta a pegar fogo.
Não estou aqui analisando erros que todos nós cometemos, às vezes sem a intenção de ferir ou causar um dano maior. Estou falando de gente ruim, de natureza voltada para o mal. Essas pessoas, tendem a usar a máscara do arrependimento. Da mesma forma que praticam o mal, encarnam a cara de anjo. Eu tô velha demais, sou elefante cascudo, não dou carona pra escorpião…
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Passione, Variedades
Gente, é incrível como um grande segmento da sociedade se recusa a ser adulto e assumir responsabilidades. São adolescentes até os 40 anos!
Vi recentemente que é enorme a quantidade de mulheres com mais de 30 anos que assistem ao canal pago Discovery Kids! É isso mesmo, cara leitora, desenho animado. E não acompanhando os filhos: assistem sozinhas! Usam também camisetas da Hello Kitty, da Turma da Mônica e lingerie com bichinhos estampados.
E o que dizer dos marmanjos vidrados no Chaves! O SBT ainda leva ao ar o Chaves? Adolescentes quarentões adoram. Confesso que é uma turma que me mete medo…
Sou observadora. Como diz o poeta Rubens Alves: “tem gente que leva o cachorro para passear, eu levo os meus olhos”. Vejo as trintonas e quarentonas que se recusam a amadurecer cuidando dos filhos e me arrepio. São completamente sem noção, e não é uma questão de classe social. Nananinanão! São de todas as classes, das riconas às médias e as pobronas. Tudo caranguejo do mesmo saco.
É uma turma que veio ao mundo a passeio. O lado verdadeiro da vida eles terceirizam, jogam nas costas dos pais. E bem feito, pois foram eles que criaram esses adolescentes com rugas. Na chatíssima novela Passione tem um bom exemplo de “rebelde madura” Melina (Mayana Moura). Ela não gosta do Mauro (Rodrigo Lombardi) coisa nenhuma! Mas, como criança grande e mimada, vai usar de todos os artifícios para ganhar o brinquedo!
Mas não são só personagens de novela que mostram esse traço desagradável de personalidade. Isso acontece com frequência, e simplesmente porque um mimado imaturo recebeu um não.
Escrito nas Estrelas, Variedades
Gente, acho que deixei clara minha opinião a respeito de espancamento de crianças, mas repito: tenho horror a qualquer atitude que possa ferir um ser humano, criança ou adulto. Mas… Sou favorável ao chamado chá de chinelo com amor.
Explico: a palmada não deve ser tão leve que deixe a criança com receio de não ser punida, o que é péssimo, nem tão forte que deixe marcas vermelhas. Como isso é possível? Se você, cara leitora, tem senso de justiça, sabe que é possível.
Crianças tiram a gente do sério. Parece que vieram ao mundo programadas para nos ensinar a virtude da paciência. Tenho uma neta que está com 8 anos de idade, mas tem cabeça de 14. Veja você a confusão: às vezes menininha, às vezes adolescente. E eu, que já estou com o meu prazo de validade vencendo, subo às vezes nas tamancas. Quando todos os argumentos não resolvem, não entra em cena a Supernanny, mas sim a superpalmada! Bem dosada, é um santo remédio!
Para pais de bom-senso, é desnecessária a lei proibindo palmadas. Eles sabem como conduzir a educação de seus filhos. E até adolescentes devem levar umas palmadas para aceitar limites. Aquela menina, Vanessa (Marina Rui Barbosa), de Escrito nas Estrelas (êta novela boa!): já passou da hora de a mãe tomar as rédeas da situação! É inadmissível a falta de respeito dela. Um péssimo exemplo.
Mas, voltando à lei, esses políticos não têm mais o que fazer? Tanta coisa sem rumo nesse país e eles se metem no que diz respeito aos pais? E a criançada já está ameaçando denunciar! Eu apanhei muito, de menina e de adulta. Tinha 48 anos quando levei o último sacode da minha mãe. E todos eles eu mereci…
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Variedades
Gente, escrevo esta coluna um dia após a derrota do Brasil na Copa do Mundo. Estou muito deprimida. É só um jogo de futebol, mas e daí? Estou deprimida porque me parece que, a nós, latino-americanos, só nos resta perder! Para o resto do mundo “civilizado” somos de quinta categoria! Que raiva!
Acompanhei com a maior atenção o comportamento de dois homens, dois técnicos com histórico de vida completamente diferentes, temperamentos diferentes, mas ambos com a marca latina. O que significa sentir-se inferior diante de gente “de olhos azuis”, como disse nosso presidente referindo-se a um outro assunto que não é futebol, mas tomo emprestada sua expressão. Dunga e Maradona.
O primeiro é contido, tímido, conservador. Esconde a afetividade porque acredita que ternura não é coisa para homem. Maradona (que eu amo) é um tango em movimento! Chora, ri, fica furioso, abraça e beija os seus meninos.
Dunga é segunda-feira, dia de trabalho e responsabilidade. Maradona é sexta-feira, dia de farra, da esbórnia. Dunga gritou com seus comandados com se fossem soldados. Maradona gritou como se grita com meninos que se distraem. Os dois perderam, mas, de uma forma que só Deus sabe, reforçaram a segurança dos morenos de olhos pretos com relação à turma de olhos azuis e de genética favorecida, com boa alimentação, saúde e educação, respeito…
Disse o cidadão alemão que latino-americano não sabe perder, faz cara emburrada. O moço não conhece a gente, povo desses tristes trópicos. Só o que fazemos na vida é perder. Que raiva! Dunga e Maradona, duas derrotas sofridas. Não foram apenas jogos. Que raaaaaaaaaaiva!
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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