Morde & Assopra, Televisão, Variedades
Gente, assistindo ao programa do Faustão, vi uma entrevista maravilhosa com a não menos maravilhosa Cássia Kiss, a Dulce da novela “Morde & Assopra”. Ela foi tão verdadeira, contundente e generosa na sua visão de como educamos errado nossos filhos e as consequências da nossa fraqueza por não colocarmos limites e nos deixarmos dominar pelos pequenos…
E acredite, ela conseguiu um milagre: Fausto Silva ficou calado! Juro! Não abriu a boca nem por um segundo. Ele também tem filhos e, com certeza, mimados. Sentiu na pele tudo o que Cássia dizia. Isso serviu inclusive pra mim, que às vezes me desanimo das minhas funções de ajudar a educar minha neta.
Mas é verdade que a gente tem que ter mãos de ferro com luvas de pelica. Educar é difícil, é dizer mais “não” do que “sim” (e ter que explicar por que não), é tolerar com paciência toda a carga de raiva que volta, é ser o antipático, aquele que tudo critica.
Sou mestra severa, não acredito nas coisas fáceis. Mestres fáceis são trapaceiros, não estão preocupados com o aprendiz. É preciso impor limites às crianças e adolescentes. Ensinar respeito por eles mesmos e pelo próximo.
Mesmo numa família moderna é preciso respeitar a hierarquia. Há que ter respeito pelos pais. Vejo crianças agindo como minidelinquentes. Elas batem na cara da mãe, dão pontapés, jogam tudo no chão, batem porta, se recusam a tomar banho, escovar os dentes, e os pais, apatetados, dizem: “não faça isso filhinho!”. Que serão essas crianças quando crescerem? Irão queimar índios, matar homossexuais, ou estarão velhos aos 18 anos?
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Gente, minha neta me perguntou por que o Faustão diz: “Voltamos depois do reclame do plimplim”. Eu fiquei parada, olhando para ela. Como explicar que não se tratava apenas de um som que dividia os blocos dos programas. Que era uma coisa política e odiada por muitos, pois marcava a Globo como uma emissora de direita.
No mesmo instante, minha filha entra no papo e solta: “Vou assistir ‘O Astro’ todinha. Eu era muito menina quando passou. Quero ver com olhos de agora”. Curioso. Minha filha e minha neta, que vivem em um mundo tão diferente e avançado, querendo saber essas coisas.
Comecei, então, a pensar o que eu estava fazendo nos anos 70. Onde essa cigana velha estava armando sua tenda, quem eu estava amando, que sonhos e esperanças eu tinha. O que me veio à mente foi a ditadura brava, as perseguições sofridas e a grande alegria: a chegada dessa jovem mulher, que agora senta tão educadamente para assistir à novela “O Astro”.
Eu não gosto de remake: vejo e vou ficando melancólica. Aquela moça da primeira exibição não existe mais. Hoje, quem senta no sofá é uma velha de 75 anos, com uma longa jornada e que não consegue deixar de fazer comparações.
Carolina Ferraz (Amanda) está bem, mas… que saudade de Dina Sfat! Rodrigo Lombardi (Herculano) encarnou o estilo over que o personagem exige, só que sem o carisma de Francisco Cuoco. Daniel Filho (Salomão Hayalla) e Regina Duarte (Clô Hayalla) fazem muitas caras e bocas para nada. Dionísio Azevedo, grande ator falecido, e Tereza Raquel é que eram sensacionais. Perdoem, mas, na comparação, essa nova versão sai perdendo.
Televisão
Gente, assistindo ao Faustão me deparei com o fenômeno da comunicação atual, o jovem Luan Santana, que só agora, após arrastar multidões em todos os estados do Brasil e de vender zilhões de discos, está aparecendo na televisão – na Globo, na verdade. Luan Santana explora com sucesso a força da emissora, mas no fundo é a Globo que precisa dele.
Já há algum tempo vem acontecendo um movimento, mostrado por Regina Casé no giro que ela fez pelas periferias, da independência entre a mídia televisiva e as gravadoras.
Acho que a pioneira desse movimento foi a banda Calypso, que provou ser possível fazer sucesso e ganhar dinheiro sem ser escravo da televisão. Essa independência é uma coisa formidável! Dá ao artista liberdade de criar e autonomia sobre sua carreira.
Vendo Luan Santana no palco, – um jovenzinho com muita personalidade, mas sem precisar fazer tipo – tendo já consolidado seu caminho (agora é só cuidar para não desandar), me lembrei de Sandy e Júnior, que foram feitos pela televisão. Sempre dentro do quadrado da telinha, sempre vigiados, medindo as palavras porque compromissos contratuais assim exigiam. Disso Luan Santana está livre: tem compromissos, cumpre metas, mas independe deste ou daquele programa para fazer sucesso e vender suas músicas.
Escrevo sobre Luan Santana, mas não é somente ele que vem arrastando multidões por esse Brasil afora sem depender da televisão. Aliás, tenho cá pra mim que o povo está ficando saturado das tais celebridades: sempre as mesmas que são impostas pela TV. O povo está escolhendo entre os seus aquele ou aquela para fazer sucesso. Aos poucos, o povo está saindo da tutela da TV.
Televisão
Gente, escrevo esta coluna num domingo, dia universal da fossa. Agora são exatamente 23h20 e eu aqui na cozinha, curtindo uma gripe infernal, acompanhada da costumeira depressão dominical. E, cá entre nós, a televisão, a distração dos sem grana, colabora para colocar a gente pra baixo.
Dei uma corrida em todos os canais e, depois, deitei e chorei. Comecei com o Dominguinho do Faustinho: mais magro, mas a voz continua a mesma. E ele continua acreditando que o microfone não foi inventado, continua inconveniente e não acredita que as outras pessoas saibam falar: ele corre e fala primeiro.
Não satisfeita, mudei para o Gugu. Valha-me Deus! Fazia séculos que eu não via o loirinho. É no passar do tempo no rosto dos outros que vejo como estou velha. Conheci Gugu quando ele tinha 18 anos e já vejo nele o começo de um velho!
Passei depressa para o Silvio Santos, que vem aí. Lá estava ele, com aquela fileira de dentes, seu terno e suas colegas de trabalho. Eu queria gritar socorro!!! Os mesmos quadros, o mesmo tudo, menos o rosto do homem que foi a paixão de muitas mulheres, porque para a época ele era muito bonito. Silvio Santos é referência em minha vida e na de muita gente. Em vez de olhar o calendário, olho o rosto de Silvio Santos e já sei o quanto eu caminhei.
E, para completar a “festa depressiva”, quem vem lá? O Fantástico! Ô programa chato! Cansou. Sou favorável que a cada seis meses mudem os apresentadores. Por que eles têm sempre cara de paisagem? E por que estão sempre rindo? De quê? Simpatia nem sempre se traduz num sorriso.
Quer saber? Vou chorar na cama que é lugar quente. Até estou com saudade da Glória Maria!!!
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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