Novelas, Passione
Gente, nos últimos capítulos de Passione, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e Candê (Vera Holtz) protagonizaram uma belíssima cena, onde Candê, desesperada ao ver o filho atrás das grades, apela para os sentimentos de Bete, cujo filho morto também era um canalha. As duas perguntam o que toda mãe se pergunta: “onde foi que eu errei?”.
Eu respondo assim: não está na hora de tirar esse peso dos ombros? Não é tempo de admitirmos que somos mães, e não deusas? E, antes de mães, somos mulheres, já existíamos antes de nascerem nossos filhos. Ser mãe não nos liberta de nossos medos, erros, fraquejos e toda a carga emocional que forma uma pessoa.
É preciso aceitar que, se damos à luz nossos filhos, eles não nos pertencem. Sei que é difícil abrir mão dessa “propriedade”, mas veja, o que damos aos nossos filhos é o corpo que um dia irá apodrecer debaixo da terra. O que fica é o mistério, que vamos chamar de alma. O caminho a seguir pertence só ao seu filho. Não adianta interferir ou julgar com sua experiência de vida, pois ela é sua e não serve para mais ninguém!
Pergunta Bete para Candê: “onde é que nós os perdemos?”. Quando eles começaram a escrever a própria história, certa ou errada, não importa. Como mães, nos resta apoiar, chorar e ajudar caso um filho traga na alma uma caminhada dolorosa de erros.
Um filho problemático pode ensinar mais que um certinho. Jogue fora o chicote da penitência, cara leitora. Somos mães, não donas do destino de nossos filhos. Com certeza fizemos o melhor, o resto é com Ele.
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Passione
Gente, há tempos estou ruminando uma raiva – contra a novela Passione, porque ela me faz de idiota! Detesto novela que subestima a minha inteligência. Assisto novela, sim, gosto, compreendo que, como num conto de fadas, coisas impossíveis acontecem, situações fogem da realidade… Tudo bem, faz parte e é o encanto da novela! Mas tudo tem limite, e se passar, coloca o telespectador na condição de idiota.
É o que ocorre com essa pretensiosa novela. E, quer saber, quando não acontece a empatia com o público nos primeiros capítulos, pode desistir: a audiência pode até ser satisfatória, mas é um espetáculo morto.
Na linguagem televisiva, as pontas estão soltas, desamarradas. Um exemplo: a novela das 18h, Escrito nas Estrelas, tem todos os núcleos perfeitos, todos têm a ver uns com os outros, formando uma história encantadora. Em Passione o texto é fraco, a trama sem interesse, a direção morna. Mesmo com o excelente elenco, ninguém caiu nas graças do público. É a típica novela que assistimos por força do hábito.
Fernanda Montenegro, Bete Gouveia, parece estar se perguntando: o que é que eu estou fazendo aqui? É uma novela rojão que dá chabu: sobe, mas não estoura.
O autor não acertou a mão dessa vez. É a segunda novela “desamarrada” de Silvio de Abreu. Teve outra, As Filhas da Mãe (2001), que foi de doer. Também teve Fernanda Montenegro perdida naquele pacote desamarrado.
Silvio de Abreu está escrevendo mesmo essa novela? Amigo de Aguinaldo Silva, costumam trocar figurinhas. Essas novelas com personagens largados, um embrolho danado, é muito de Aguinaldo Silva. Assisto sim, mas com muita raiva. Punto e basta!
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Novelas, Passione
Ao atender o telefone, uma voz bonita de mulher me disse que se tratava de uma pesquisa a respeito de um conceituado jornal do qual sou assinante. Atendi prontamente. Quantos dias eu lia o jornal? Todos. Há quanto tempo eu era assinante? Vinte anos. E aí a pergunta fatal: quantos anos eu tinha? Quando disse minha idade, a conversa mudou de rumo. A pesquisadora me disse que a grade de perguntas solicitava a opinião de outro leitor que não fosse assinante. Mas, que diabos, eu sou leitora e assinante!
Então entendi: não sou mais o público-alvo! Para o jornal, eu não existo, mas o meu dinheiro no fim do mês eles aceitam. Minha opinião e dos que têm acima de 60 anos não vale mais. Um preconceito que enterra as pessoas vivas.
O jornal que se diz tão moderno é mal informado. Afinal, a população idosa, que também dá as cartas financeiramente, aumentou.
Pergunto: Cleyde Yáconis, a dona Brígida de Passione, 85 anos, ainda dirige, mora sozinha e comanda a própria vida. Está dando um baile de talento na TV. Ela também não será ouvida pela pesquisa? Fernanda Montenegro, 80 anos de capacidade, talento e classe. Também terá de emudecer? E Hebe Camargo, 81 anos, saindo de uma doença gravíssima e já de volta ao trabalho, comandando seu programa e a própria vida? E tantas mulheres que trabalham fora já em idade avançada? E outras que assumem as tarefas da casa, criando netos porque os filhos trabalham – eu incluída?
Cá entre nós, é um trabalho pesado, e nós aguentamos! Mas, para dar uma opinião, o mercado diz que não existimos! Armo o meu braço e dou uma solene banana para o tal mercado. Avante mulherada! Basta de hipocrisia! E punto!
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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