Fina Estampa, Novelas
Gente, já escrevi zilhões de vezes e volto ao tema. Pode me chamar de mala velha e rasgada, estou cantando e andando… Lá vai, não adianta reclamar: se a TV vende produto, vende também comportamento e, cá pra nós, vende mais mau comportamento.
Esse comentário é por conta de uma nota que saiu na coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, que diz: a associação dos grupos de apoio à adoção está protestando contra a novela Fina Estampa em carta aberta. A associação reclama que a novela trata o assunto “adoção” de forma preconceituosa e errada, e quer uma reinterpretação da questão. Resposta da Globo: é uma obra de pura ficção e estranha que alguém se preocupe com o que pensa Tereza Cristina (Christiane Torloni). Cara leitora, não é um deboche? Não se trata do que pensa um personagem, mas do que pensam todos os personagens naquele capítulo. Vivemos num país de pouca escolaridade, a maioria dos telespectadores de hoje não conhece sequer o nome de atrizes e atores, só os reconhece pelo personagem. E, sim, dona Globo, eles se preocupam com o que pensa Tereza Cristina, que representa o poder do dinheiro para uma camada da população para a qual o luxo é o sonho de felicidade!
Não rezo na cartilha do politicamente correto. Mas, quando a TV insiste em reforçar comportamentos cruéis, que alimentam o sofrimento das pessoas, eu não posso me calar! Sei que, para muitas pessoas, esse é um tema irrelevante, porque não sentiram na pele a dor de ver um filho escolhido ser rejeitado pela maldita ignorância social.
Quando a TV insiste em reforçar comportamentos cruéis, que alimentam o sofrimento das pessoas, não posso me calar!
Insensato Coração
Gente, não é verdade que os pais sintam amor por seus filhos com a mesma intensidade. Também não procede que homens amem seus filhos como as mulheres. Que ambos amem seus filhos, ninguém duvida. Mas fazem isso de maneira diferente.
E aí estão Raul (Antonio Fagundes) e Wanda (Natália do Vale) para provar que, mesmo em novelas, quem disser que isso não procede, mente. Raul tem clara preferência pelo filho Pedro (Eriberto Leão) que, até então, era o vencedor.
Isso é bem cabeça masculina: adora mostrar o filho bemsucedido, como se ele, pai, estivesse recebendo um atestado de “bom comportamento genético”. E os homens não têm vocação para carregar filho problemático.
Homem não sofre de complexo de culpa, esse departamento é feminino. Veja como Wanda leva seu amor para o filho mau-caráter, com traços de psicopata. Léo (Gabriel Braga Nunes) é tudo de ruim, mas a mãe não vê, ou não quer enxergar. Ela vive pronta para justificar as faltas dele e, mesmo quando ele revelar a ela as maldades de que é capaz, ela achará uma justificativa.
As mães sempre estão ao lado do filho problemático, sensível, fraco. São elas que, de uma forma ou de outra, impulsionam o filho necessitado pra frente na vida.
E também carregam o fardo do filho mau-caráter nas costas como um troféu que as alivia da culpa que nós, mulheres, ainda carregamos. Cada filho é um indivíduo e, de acordo com as suas necessidades, será amado. Temos cinco dedos em cada mão, nenhum é igual ao outro. E assim são nossos filhos.
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Variedades
Oi, gentem! Começo esta coluna tomando emprestada a forma de Cissa Guimarães para se comunicar com o público, pois essa coluna pertence a ela.
Naquele dia fatídico, só liguei a televisão à noite, então não sabia da tragédia que havia se abatido sobre você, querida. Quando peguei o jornal da manhã e li que seu filho havia ficado encantado (assim é melhor) me arrepiei da cabeça aos pés e não consegui articular nenhuma palavra ou movimento.
O que dizer para uma mãe que perde para Deus um lindo filho com nome de anjo, Rafael? Que palavra de consolo ou amparo ajuda?
Nada adianta. Então, o melhor mesmo é dizer: estou aqui para chorar com você. Nada nem ninguém vai confortar você, querida. É uma dor sem limites, e, para mim, é contra as leis do amor um filho partir antesdos pais.
Sei que o que vou escrever aqui agora não vai adiantar nada, mas, acredite, o tempo, essa grande dádiva de Deus, ajudará a fazer doer menos.
Querida, não vou dizer que ele está bem numa outra vida, pois nem sei se existe uma outra vida e isso não vai amenizar sua dor. Hoje você não acredita que um dia voltará a viver como antes, e não voltará mesmo. Será outra mulher, que voltará a sorrir, a trabalhar, a olhar para os outros filhos que estão ao seu lado.
Nesses tempos de luto e de dor parece impossível que um dia você torne a sentir com prazer o sol iluminando seu rosto, o vento em seus cabelos ou uma doce música ao longe enquanto caminha pela praia. Mas, sem perceber, um pequeno sorriso começará a se formar, e então você perceberá que a vida continua. Sentirá um calor pelo corpo, mais forte na barriga bendita, que um dia deu um fruto chamado anjo Rafael.
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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