Fina Estampa
Gente, uma chuva cai lá fora e, no prédio vizinho, crianças brincam com aquela alegria própria da idade. Que pena! Não são mais tão inocentes as crianças. Pelas vozes, nota-se que não são mais tão delicadas e doces, elas já têm voz de comando!
Penso nos pais. Acho que educar é a tarefa mais difícil do ser humano. A eles cabe a responsabilidade de melhorar o mundo por meio de uma educação acertada. E como saber se estamos certos? Todos nós temos essa dúvida, somos inseguros diante de toda essa responsabilidade. Tenho para mim que não é necessário muita conversa, acho que a melhor maneira de formar um bom cidadão é o exemplo!
Não basta dizer, o mais importante é o que o seu filho vê você fazendo, confessar a ele que aquela atitude sua é errada e que você está fazendo o possível para se corrigir. A honestidade das atitudes me parece a melhor forma de educar. É por esse motivo que Griselda (Lília Cabral) não vacilou ao colocar o filho Antenor (Caio Castro) no olho da rua, em Fina Estampa.
Atitude extremada, causando sofrimento para ela. Mesmo se tratando de um filho amado como Antenor, é ter absoluta certeza do exemplo de mãe que ela sempre foi. Mais do que exemplo de mãe, ela é um ser humano da maior qualidade. É assim que se educa, cobrando com justiça, pois é assim também que o nosso Pai nos exempla.
Quando estamos dentro de situações que nos causam dor, pedimos socorro, que não vem, porque temos que passar por aquilo para crescer. Mas eu sou espinho por fora e doce por dentro… Não sei se teria coragem.
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Morde & Assopra, Televisão, Variedades
Gente, assistindo ao programa do Faustão, vi uma entrevista maravilhosa com a não menos maravilhosa Cássia Kiss, a Dulce da novela “Morde & Assopra”. Ela foi tão verdadeira, contundente e generosa na sua visão de como educamos errado nossos filhos e as consequências da nossa fraqueza por não colocarmos limites e nos deixarmos dominar pelos pequenos…
E acredite, ela conseguiu um milagre: Fausto Silva ficou calado! Juro! Não abriu a boca nem por um segundo. Ele também tem filhos e, com certeza, mimados. Sentiu na pele tudo o que Cássia dizia. Isso serviu inclusive pra mim, que às vezes me desanimo das minhas funções de ajudar a educar minha neta.
Mas é verdade que a gente tem que ter mãos de ferro com luvas de pelica. Educar é difícil, é dizer mais “não” do que “sim” (e ter que explicar por que não), é tolerar com paciência toda a carga de raiva que volta, é ser o antipático, aquele que tudo critica.
Sou mestra severa, não acredito nas coisas fáceis. Mestres fáceis são trapaceiros, não estão preocupados com o aprendiz. É preciso impor limites às crianças e adolescentes. Ensinar respeito por eles mesmos e pelo próximo.
Mesmo numa família moderna é preciso respeitar a hierarquia. Há que ter respeito pelos pais. Vejo crianças agindo como minidelinquentes. Elas batem na cara da mãe, dão pontapés, jogam tudo no chão, batem porta, se recusam a tomar banho, escovar os dentes, e os pais, apatetados, dizem: “não faça isso filhinho!”. Que serão essas crianças quando crescerem? Irão queimar índios, matar homossexuais, ou estarão velhos aos 18 anos?
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Insensato Coração, Novelas, Televisão
Gente, dizem que nada, absolutamente nada, abala o amor que uma mãe sente por um filho. Que ela sempre vai arrumar uma desculpa para todos os erros cometidos, quaisquer que sejam eles, mesmo os mais graves. Exemplo desse comportamento nos é mostrado por Wanda (Natália do Vale), na novela Insensato Coração. Mas (sempre há um “mas” no meio do caminho) eu tenho para mim que não é bem assim.
Colocar as mães em um pedestal de santidade me irrita muito. Pior: é uma atitude hipócrita, que impossibilita a mulher de viver a plenitude de sua vida. Endeusá-la a impede de sentir-se pessoa, com virtudes, defeitos, bondades, maldades, desejos, enfim, um ser intenso.
Parece que existe um pacto silencioso, porém atuante, para que, em nome da maternidade, se anule a mulher. De corpo e alma. E filhos também são humanos, podendo magoar profundamente (não necessariamente sendo delinquentes). No cotidiano, nós às vezes somos tão destratadas que o coração até aperta!
Um olhar de descaso quando você está tão necessitada de carinho, o egoísmo do “venha a nós o vosso reino”, a palavra dura, uma cobrança injusta, a desvalorização do seu trabalho. O não perceber que você faz tudo com amor para eles, cuidando da casa, preparando uma comida gostosa, deixando a cama cheirosa. Eles detonam tudo, sem o mínimo afeto ou agradecimento.
Você, que trabalha fora, faz um sacrifício danado para parcelar o computador para um filho ou pagar a faculdade do outro. E, de repente, percebe que está agindo por obrigação. De tanto dar sem receber, ficou vazia de afeto. E descobre-se gostando menos.
Novelas, Passione
Gente, nos últimos capítulos de Passione, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e Candê (Vera Holtz) protagonizaram uma belíssima cena, onde Candê, desesperada ao ver o filho atrás das grades, apela para os sentimentos de Bete, cujo filho morto também era um canalha. As duas perguntam o que toda mãe se pergunta: “onde foi que eu errei?”.
Eu respondo assim: não está na hora de tirar esse peso dos ombros? Não é tempo de admitirmos que somos mães, e não deusas? E, antes de mães, somos mulheres, já existíamos antes de nascerem nossos filhos. Ser mãe não nos liberta de nossos medos, erros, fraquejos e toda a carga emocional que forma uma pessoa.
É preciso aceitar que, se damos à luz nossos filhos, eles não nos pertencem. Sei que é difícil abrir mão dessa “propriedade”, mas veja, o que damos aos nossos filhos é o corpo que um dia irá apodrecer debaixo da terra. O que fica é o mistério, que vamos chamar de alma. O caminho a seguir pertence só ao seu filho. Não adianta interferir ou julgar com sua experiência de vida, pois ela é sua e não serve para mais ninguém!
Pergunta Bete para Candê: “onde é que nós os perdemos?”. Quando eles começaram a escrever a própria história, certa ou errada, não importa. Como mães, nos resta apoiar, chorar e ajudar caso um filho traga na alma uma caminhada dolorosa de erros.
Um filho problemático pode ensinar mais que um certinho. Jogue fora o chicote da penitência, cara leitora. Somos mães, não donas do destino de nossos filhos. Com certeza fizemos o melhor, o resto é com Ele.
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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