Televisão
Gente, minha neta me perguntou por que o Faustão diz: “Voltamos depois do reclame do plimplim”. Eu fiquei parada, olhando para ela. Como explicar que não se tratava apenas de um som que dividia os blocos dos programas. Que era uma coisa política e odiada por muitos, pois marcava a Globo como uma emissora de direita.
No mesmo instante, minha filha entra no papo e solta: “Vou assistir ‘O Astro’ todinha. Eu era muito menina quando passou. Quero ver com olhos de agora”. Curioso. Minha filha e minha neta, que vivem em um mundo tão diferente e avançado, querendo saber essas coisas.
Comecei, então, a pensar o que eu estava fazendo nos anos 70. Onde essa cigana velha estava armando sua tenda, quem eu estava amando, que sonhos e esperanças eu tinha. O que me veio à mente foi a ditadura brava, as perseguições sofridas e a grande alegria: a chegada dessa jovem mulher, que agora senta tão educadamente para assistir à novela “O Astro”.
Eu não gosto de remake: vejo e vou ficando melancólica. Aquela moça da primeira exibição não existe mais. Hoje, quem senta no sofá é uma velha de 75 anos, com uma longa jornada e que não consegue deixar de fazer comparações.
Carolina Ferraz (Amanda) está bem, mas… que saudade de Dina Sfat! Rodrigo Lombardi (Herculano) encarnou o estilo over que o personagem exige, só que sem o carisma de Francisco Cuoco. Daniel Filho (Salomão Hayalla) e Regina Duarte (Clô Hayalla) fazem muitas caras e bocas para nada. Dionísio Azevedo, grande ator falecido, e Tereza Raquel é que eram sensacionais. Perdoem, mas, na comparação, essa nova versão sai perdendo.
Novelas, Televisão
Gente, a TV nos oferece cenas tão bem representadas por profissionais competentes que ficam para sempre na memória. Hoje destaquei para essa coluna três momentos memoráveis da teledramaturgia brasileira.
Jamais vou me esquecer, e acredito que minha leitora mais madura também se lembra, da morte do personagem Carlão, da novela de Janete Clair, Pecado Capital.
Francisco Cuoco nunca mais conseguiu se livrar dos trejeitos do personagem. Cada telespectador sentiu como se tivesse morrido alguém da família. Ficou um grito no ar: “Carlão morreu!”. E o telespectador vestiu o luto.
O segundo momento que guardo é também uma morte: Zé Leôncio, vivido por Claudio Marzo, na novela de Benedito Rui Barbosa, Pantanal, levada ao ar pela extinta TV Manchete e que abalou a liderança da Globo. Aquele enterro foi de uma dignidade…
O corpo de Zé Leôncio dentro de um tipo de esteira feita de troncos e cipó, coberto de flores e carregado por seus quatro filhos. Eles colocaram a esteira no grande rio, entregando o corpo do pai para os espíritos das águas.
Finalizando, o mais denso capítulo de Os Maias, série levada ao ar pela rede Globo em 2001, e um dos mais belos trabalhos da emissora: a morte de dom Afonso de Maia (Walmor Chagas)!
A solenidade, aqueles homens de preto com total respeito, a dor quase que materializada. Uma postura que não existe mais. Banalizamos tanto a vida que ela não tem mais valor. No último velório que compareci quase afastaram o defunto para assistir ao futebol!
Se não respeitamos a vida, não respeitamos a morte e vice-versa. Escolhi três mortes vividas na TV com solenidade. Pena que a vida não está imitando a arte.
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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