Insensato Coração
Gente, diversas vezes nesta coluna tive a oportunidade de abordar o tema relacionado à preferência feminina por homem cafajeste.
Vou repetir minha convicção adquirida por minha vivência e pela de muitas mulheres com quem convivi e observei.
Tendo ela dois homens interessados: um, ótimo sujeito, educado, bom emprego, bom caráter; o outro, sorriso e choro fácil, trabalho mais ou menos, sem referência familiar, com caráter torto. Pois é este que ela vai escolher!
Não sei se por complexo de culpa atávico, parece que toda mulher tem uma Eva em seu DNA. Escolhe o pior para pagar a “culpa” do pecado original. Sim, porque um ogro desses é infelicidade na certa.
Uma amiga me disse outro dia que mulher escolhe sempre o pior homem porque a vida com ele seria mais excitante, e com o bonzinho seria muito chata! Será? De qualquer maneira, taí a Norma (Gloria Pires), uma chata que não me deixa mentir!
Léo (Gabriel Braga Nunes) é um mau-caráter para ninguém botar defeito, um ogro de primeira. E não é que a outra pegou cana brava, sofreu as penas do purgatório, clamando vingança, consegue dar a volta por cima, prende o meliante em sua casa, dá uma surra de verdade e humilhações, e o que acontece depois? Ela manda ele ficar ajoelhado no milho? Manda-o arriar as calças e sentar num formigueiro? O obriga a assistir as gravações do programa do Faustão? Nada disso! A chatíssima e sussurrante Norma confessa que nunca deixou de amá-lo! Me diga se eu tenho ou não razão. Enquanto isso, Léo ataca de novo.
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Insensato Coração
Gente, sou preguiçosa com relação a sentimentos negativos. Eles dão muito trabalho. Ódio, desprezo, vingança? Tô fora! E não é por bondade, é por pura leseira. Veja lá se vou ocupar meus neurônios bolando uma vingança – que, aliás, está em alta por conta da novela Insensato Coração. Colega, estou achando uma vingancinha tão chinfrim essa a da Norma (Gloria Pires)…
Agora, vou bancar a advogada do diabo: Norma não tem do que se queixar. Ela tinha uma vidinha de quinta, quase escrava daquele velho mau e ranzinza. Pois aparece Léo (Gabriel Braga Nunes), assim de repente, lindão, olho azul, cheio de amor para dar. E a pretensiosa Norma, rainha da falta de graça, acreditou! Danou-se! Ou não?
Colega, se Léo não tivesse aparecido na vida dela, ela teria chegado aonde chegou? E a moça também tem seus pecados: matou uma presidiária e colaborou em 70% para a morte de Teodoro (Tarcísio Meira). E agora está viúva, rica e classuda.
O que estou dizendo com tantos rodeios é que Léo foi um bem na vida de Norma. É preciso passar por escolas esotéricas sérias para compreender que o que chamamos de mal pode ser um bem. E, às vezes, o que tanto queremos se transforma em um mal. Portanto, cuidado com o que pedir a Deus: ele pode te atender.
Enquanto Léo e Norma se debatem na vingança, eu não quero saber desse prato nem frio, nem quente. Acredito piamente na lei de causa e efeito: quem faz mal ao próximo faz mal a si mesmo, porque tudo o que vai, volta. É só ficar esperando. Não falha nunca. Deus quando tarda é porque está a caminho.
Insensato Coração, Novelas, Televisão
Gente, assim como as 30 moedas que Judas recebeu para trair Jesus, Caim e Abel continuam soltos mundo afora. Somos mais descendentes de Caim, pois Abel morreu cedo pela inveja do irmão – a inveja mais perigosa! E por essa descendência, o mal é mais forte entre nós.
Dizem as pessoas que acreditam em reencarnação que os maiores inimigos em vidas passadas reencarnarão na mesma família. Dizem mais: ninguém nasce em pátrias ou famílias erradas. Sim, cara leitora, o lugar onde nascemos faz parte do carma.
Voltando a Caim e Abel, Léo (Gabriel Braga Nunes) é o Caim da novela Insensato Coração e Pedro (Eriberto Leão) é Abel. Na vida já tive a oportunidade de acompanhar irmãos na mesma situação. Normalmente é o mais velho que destila todo o seu rancor contra o mais novo. Chama-se processo de destronamento. Ou seja, ele era o grande rei, chegou um intruso e roubou-lhe o trono.
É preciso muita psicologia por parte dos pais para que esse sentimento não se transforme em ódio para toda a vida. Raul (Antonio Fagundes) não soube lidar com o fato de ter um “filho-problema” e sempre mostrou mais afinidade com Pedro. Léo, que já demonstrava um grave distúrbio de comportamento só fez piorar e acreditar que o dinheiro e o poder substituiriam o vazio de sentimentos que ele vive.
Uma amiga que era ferozmente perseguida pela irmã, por um ódio não resolvido na fase de destronamento, perguntou desesperada para a mãe: “quando isso vai terminar?”. E a mãe, angustiada, respondeu: “infelizmente, acho que só quando você morrer que ela vai ficar em paz”.
Insensato Coração
Não sei quanto a você, cara leitora, mas eu tenho uma certa reserva com quem tem mania de grandeza – que atualmente mudou de nome, agora é “pensar grande”. Sei não… Pra mim, é gente metida a besta mesmo!
Incomoda-me a ambição desmedida. Tenho medo do ambicioso patológico, que acha que o mundo deve muito a ele e não sente o mínimo remorso de subir nos outros para sentir-se mais alto. Uma certa ambição é boa para progredir na vida, pois ajuda a construir os objetivos. Mas me sinto mal com pessoas que se acham superiores às outras. O tal nariz em pé, que olha o mundo como se fizesse o favor de existir e, aliado à presunção, ambiciona ter tudo o que sua mania de grandeza acha que lhe é devido.
Na novela “Insensato Coração”, Léo (Gabriel Braga Nunes) é a encarnação perfeita do “mania de grandeza” e do ambicioso sociopata. Aplica seus golpes e sempre se dá mal, porque pra ser vigarista precisa ter o pé no chão, viver a realidade. Mas Leonardo vive num mundo que ele criou.
Léo acha que é superior e está à procura de uma “cidade do tamanho dele”, onde as pessoas não pensem pequeno. Despreza o pai, que venceu na vida batalhando e que, infelizmente, a fatalidade destruiu seu patrimônio, mas ele recomeça com a mesma garra, lutando honestamente.
Para Léo e sua mania de grandeza, isso é mentalidade de medíocre, que se satisfaz com merreca. Uma vez um desses narizes em pé, pensando que me ofendia, disse que eu tinha alma de pobre, eu revidei imediatamente: “posso ter alma de pobre, mas você tem a alma pobre”.
Insensato Coração
Gente, não é verdade que os pais sintam amor por seus filhos com a mesma intensidade. Também não procede que homens amem seus filhos como as mulheres. Que ambos amem seus filhos, ninguém duvida. Mas fazem isso de maneira diferente.
E aí estão Raul (Antonio Fagundes) e Wanda (Natália do Vale) para provar que, mesmo em novelas, quem disser que isso não procede, mente. Raul tem clara preferência pelo filho Pedro (Eriberto Leão) que, até então, era o vencedor.
Isso é bem cabeça masculina: adora mostrar o filho bemsucedido, como se ele, pai, estivesse recebendo um atestado de “bom comportamento genético”. E os homens não têm vocação para carregar filho problemático.
Homem não sofre de complexo de culpa, esse departamento é feminino. Veja como Wanda leva seu amor para o filho mau-caráter, com traços de psicopata. Léo (Gabriel Braga Nunes) é tudo de ruim, mas a mãe não vê, ou não quer enxergar. Ela vive pronta para justificar as faltas dele e, mesmo quando ele revelar a ela as maldades de que é capaz, ela achará uma justificativa.
As mães sempre estão ao lado do filho problemático, sensível, fraco. São elas que, de uma forma ou de outra, impulsionam o filho necessitado pra frente na vida.
E também carregam o fardo do filho mau-caráter nas costas como um troféu que as alivia da culpa que nós, mulheres, ainda carregamos. Cada filho é um indivíduo e, de acordo com as suas necessidades, será amado. Temos cinco dedos em cada mão, nenhum é igual ao outro. E assim são nossos filhos.
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
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