Insensato Coração, Variedades
Gente, um dia eu estava descendo a ladeira da rua onde moro e parei, encantada com uma cena. Subindo a tal ladeira, vinha o zelador do meu prédio de mãos dadas com o filho, um menininho de 7 anos.
Os dois, pai e filho, conversavam de forma tão fraterna e, nas mãos juntas, havia uma ternura sem fim. O olhar do pequeno para o adulto brilhava como se ele fosse um herói, aquele em quem se confia plenamente. Ficava evidente a integração amorosa entre pai e filho e o quanto ambos estavam extremamente felizes juntos!
Eu sou muito próxima do meu zelador. Ele é meu amigo por 20 anos, quase um filho. Se o coloco neste espaço como exemplo de pai é porque ele efetivamente o é. Motivada também pela participação, mais uma vez, cruel de Gregório (Milton Gonçalves), pai de André (Lázaro Ramos), em Insensato Coração, resolvi tocar o coração dos homens para que nunca abandonem seus filhos.
Se a presença materna mostra-se fundamental durante a criação de uma criança, não menos importante é a presença paterna. A gente precisa saber que pode contar com o pai, mesmo que ele não seja o cara mais corajoso ou inteligente do mundo. Basta que seja honrado.
Eu fui criada só pela mãe e sei quanta falta faz um pai. Sempre tem um momento na vida em que é para ele que a gente quer correr, pedir socorro. E, quando ele não está, fica um vazio enorme. Eu usei como exemplo de pai um homem simples, meu amigo, zelador do prédio onde eu moro. E aquele menininho lá no começo hoje faz faculdade. E continua olhando o pai como um herói.
Insensato Coração
Gente, por favor alguém venha a meu socorro porque não estou entendendo mais nada!!! Para o mundo que eu quero descer!!!
O que é errado tá certo e o certo é careta, conservador e velho. Alguém me diga, por favor, que não estou fossilizada, jurássica, mas sim, sou alguém que acredita em valores. Costumes mudam; valores são eternos. Então uma menina de 19 anos primeiro resolve romper a virgindade com qualquer um, porque lhe incomodava ser virgem! Alguém aí já sentiu a virgindade gritar: “quero sair daqui!”?
Então, a virgindade de Leila (Bruna Linzmeyer) a incomodava. Não satisfeita, sai à procura de alguém que a faça sentir um orgasmo. Não quer ter o trabalho de trabalhar a sua sensualidade. Ela quer orgasmo e pronto! Como uma taça de sorvete! Todo mundo tem orgasmo (mentira). É campeonato, quem tem mais.
Leila tem um pai, Júlio (Marcelo Valle), amoroso, conservador, bom, mas assustado com as mudanças do mundo. Despreza André (Lázaro Ramos) que, convenhamos, tem o péssimo hábito, aliás, bem cafajeste, de contar suas transas – e de um modo bem grosseiro.
Eu pergunto: qual o pai amoroso, ouvindo aquelas grossuras, depois de descobrir que era de sua filha que estavam falando, que não reagiria de forma até violenta? Qual o pai que não perderia a compostura diante de uma situação tão grave? Qual o pai que ama a sua filha não se desespera e perde o controle diante de um comportamento tão permissivo? Qual o pai que não haveria de querer morrer ao receber da filha uma bofetada no rosto? Alguém me socorre!!! Para o mundo que eu quero descer!!!
Insensato Coração
Gente, eu estava assistindo à novela “Insensato Coração” e minha neta foi chegando e ficando. Nesse exato momento, Gregório (Milton Gonçalves) se revolta de forma injusta e cruel contra o filho André (Lázaro Ramos).
Aqui, um parêntese: que maravilhoso ator é Milton Gonçalves. Que show de interpretação. Faltam-me palavras para louvar esse magnífico profissional. Então, eu digo: “Milton Gonçalves, beijo as suas mãos, mestre da arte de representar!”.
Minha neta ficou siderada olhando para a TV, catatônica. E me disse: “Vó, que pai é esse? Por que o autor inventa um pai tão mau? Você já viu um pai assim?”. Então olhou para mim.
Não sei o que viu no meu rosto, porque voltou a perguntar. Olhei firme e disse: “Sim, já vi, querida. Esse tipo de pai não é invenção, há muitos por aí. Eu tive um bem perto de mim. Meu pai”. Ela me olhou, como que duvidando, então reafirmei: “Meu pai era alcoólatra e violento, espancava minha mãe até de chicote, assim como minhas irmãs mais velhas. Dormíamos vestidas, porque, quando ele chegava, tínhamos que fugir e dormir no mato. Eu vivia escondida nos cantos, com meus únicos amigos, meus cachorros. Numa das sessões de espancamento, de tão traumatizada, fiquei meses sem poder andar”.
A violência que Milton Gonçalves deu a seu personagem é tão real que custei a pegar no sono. As imagens se embaralharam, ora meu pai, ora o personagem. Essa não é uma história bonita, nem original. Se repete muito, por todo esse país e pelo mundo. Infelizmente.
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Insensato Coração
Estou gostando da novela Insensato Coração, com exceção de Eriberto Leão (Pedro) como protagonista. Digo o mesmo de Paola Oliveira (Marina). Ele tem aquele jeito “bom moço”, mas seu carisma é zero. Não fala nem ao coração nem à sensualidade feminina.
Quanto à Paola Oliveira, me disse uma amiga: “Parece atriz norte-americana de filme branco e preto”. Era moda naquele tempo o olhar sempre úmido. Nossa Sandra Dee tupiniquim segue à risca o modelo.
Agora, faço uma sugestão que a esta altura talvez seja corrigida: é com relação à excelente atriz Deborah Evelyn (Eunice). Ela está meio over [exagerada]. A morte de uma irmã querida gera dor. E, numa pessoa com desajuste emocional, gera muito mais! Eunice está descarregando todo ódio, rancor e ressentimento que viviam presos nela, se justificando através da morte da irmã. A dor que chora e grita é por ela, pelos problemas dela! Mesmo assim, o tom está exagerado.
Um personagem que merece crescer é a tia Neném (Ana Lúcia Torre). Queremos saber por que ela bebe; por que foi esquecida pela vida? Tão solitária, e com uma língua peçonhenta… E Ana Lúcia Torre merece!
E temos também Lázaro Ramos (André), num personagem que está incomodando muita gente.
Foi uma ousadia colocar um ator negro que leva todas as brancas para a cama. O ator está mexendo com muitos preconceitos e despertando fantasias secretas de muitas mulheres. É ótimo ver um ator negro de igual pra igual com atores brancos. Afinal, já cantava Elis Regina: “Black is beautiful”.
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
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