Passione
Gente, como é difícil desmontar certos preconceitos. Dizemos que somos livres dessa praga, mas não somos não. Quando menos se espera, olha ele lá, bem à vista, condenando o que não é da sua conta. Eu estava na fila do banco (não uso o privilégio da idade) e ouvi uma conversa entre duas mulheres, ambas beirando sessenta e poucos anos. Dizia uma: “coisa mais sem graça, já estão muito velhos. Gastar tempo da novela com namoro de velhos! Tá na hora é de pegarem no terço”. E fechou o comentário com “Figurati!”
Ah, então estavam falando de Gemma (Aracy Balabanian) e Antero (Leonardo Villar), ambos magníficos atores, que estão levando seus personagens em Passione com o talento de sempre. E, pelo visto, incomodando!
Curioso o comentário ter partido de gente da terceira idade (odeio essa expressão…). Me pergunto: que vidinha de segunda mão tiveram essas duas senhoras, que eliminam todas as possibilidades de amor na idade avançada? Peraí, não vamos ter medo das palavras: amor entre velhos!
Que mentalidade é essa que velhos só podem amar filhos e netos? Que direito tem uma sociedade preconceituosa de colocar o velho sentado em uma cadeira, praticamente expulso do mundo?
Nosso corpo envelhece, nosso andar é mais lento, nossa pele enruga, mas a nossa chama interna não tem idade. Ninguém tem o direito de apagar nossos sonhos, nem o brilho do nosso olhar.
Gemma se recusa a aceitar o amor de Antero. Ele é mais corajoso: quer começar uma vida nova com Gemma. Ela tem medo, diz que na idade deles é quase impossível. Será mesmo?
Você também poderá gostar de:
Novelas, Passione
Gente, minha filha diz que meu parque de diversões é o supermercado, e está certa. Divirto-me com a variedade dos tipos que transitam por lá. Às vezes me escandalizo ou morro de rir, por dentro. Raramente fico comovida, como aconteceu um dia desses.
Estava pegando qualquer coisa quando ouvi uma voz macia de senhora perguntando: “Levo este, meu querido?”. Havia tanta ternura em sua voz que levantei a cabeça, crente que ela conversava com o neto. Que nada! Era o marido o motivo de tanta doçura. Distraídos, os dois velhinhos não perceberam que eu os analisava. Ela estava elegante e discreta, nada que não combinasse com a idade. Ele, também sóbrio: calça cinza, camisa azul, jaqueta bege e boné de lã. Chamava-se Antônio. Não sei o nome dela, pois ele só se referia à esposa como “minha querida”.
Há tempos não via um casal na plenitude do amor, da cumplicidade, do respeito. Deles, partia algo mágico, de quem leva a vida e os sentimentos a sério. Que bela família devem ter construído! Com certeza já completaram bodas de ouro, jamais pensaram em divórcio e não precisam de beijo de língua para se realizar sexualmente, pois o amor deles era puro erotismo!
Vou ao “casal” televisivo, dona Brígida (Cleyde Yáconis) e seu Antenor (Leonardo Villar), de Passione. Um amor às avessas, implicante. Ela, mais lúcida, sempre aponta os esquecimentos dele. A memória vai indo embora… ou não? Será uma forma de Antenor chamar a atenção? Faz parte do jogo.
Dois casais, um de verdade e um de mentira. Um amor maduro, outro ainda adolescente. Mas, em ambos os casos, se um morrer, o outro morre também.
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
Tags
Adriana Esteves ambição Amor Antonio Fagundes ator Avenida Brasil BBB casamento Christiane Torloni Cleyde Yáconis comportamento crianças deborah secco Dilma Débora Falabella emoção Eriberto Leão Escrito nas Estrelas família Faustão Fernanda Montenegro filho filhos fina estampa Gabriel Braga Nunes gay Globo gravidez Hebe Camargo Insensato Coração Jornal Nacional Lula Lázaro Ramos Lília Cabral mulher mulheres mãe novela Novelas Passione relacionamento Roberto Carlos sexo tragédia tv




































