Passione
Gente, as pessoas me perguntam se acredito em mudança de comportamento, ou seja, se alguém que já teve diversas posturas de absoluto mau-caratismo pode se regenerar e transformar-se em uma pessoa do bem. Vai aqui uma historinha que certamente minha cara leitora conhece, mas vou repetir.
O escorpião queria atravessar o rio, mas não dava. Aí viu o elefante se preparando para ir para o outro lado da outra margem. O escorpião pediu ao elefante que o transportasse.
Desconfiado, o elefante respondeu que não, alegando o caráter traiçoeiro do escorpião, que, com certeza, usaria contra ele seus ferrões fatais. O escorpião, ofendido, respondeu que jamais faria isso com quem o estava ajudando. O elefante acreditou e levou o escorpião para a margem oposta. Lá chegando, antes de descer, o escorpião picou o elefante, que disse: “Você prometeu!”. E o escorpião respondeu: “Desculpe, é da minha natureza”.
Aqui está minha resposta para quem me pergunta se eu acredito nessa mudança de comportamento de Clara (Mariana Ximenes), da novela Passione: eu não acredito na mudança de caráter de ninguém!
As pessoas podem deixar determinada maneira cruel de agir, mas é como vela adormecida: soprou um vento, volta a pegar fogo.
Não estou aqui analisando erros que todos nós cometemos, às vezes sem a intenção de ferir ou causar um dano maior. Estou falando de gente ruim, de natureza voltada para o mal. Essas pessoas, tendem a usar a máscara do arrependimento. Da mesma forma que praticam o mal, encarnam a cara de anjo. Eu tô velha demais, sou elefante cascudo, não dou carona pra escorpião…
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Gente, quando eu era jovem – e convenhamos que faz muuuito tempo -, os homens seguiam uma regra: essa mulher é pra me divertir, mas essa outra é pra casar. A sociedade aceitava e aplaudia e, segundo a mentalidade da época, assim a família estava preservada. Moça “mal falada” não casava mesmo.
Homem nenhum tinha peito de enfrentar a família e a sociedade. Mas às vezes uns quebravam a regra e se apaixonavam pela tal mal falada! Era um drama! A família tinha até vergonha de sair na rua e tentava todos os golpes, sujos ou não, para terminar o namoro.
A maioria não aguentava a pressão e desmanchava o compromisso, mas os mais ousados se casavam com aquela que seria para sempre a vergonha da família. E curioso: eram sempre o casal mais feliz.
Estou escrevendo esta coluna pensando em Totó (Tony Ramos), que se envolve com Felícia (Larissa Maciel) mesmo apaixonadíssimo por Clara (Mariana Ximenes). E o caso típico da mulher santa, Felícia, e da prostituta, Clara. E me pergunto: ainda existe esse preconceito? O que faz Clara despertar tanta paixão em Totó? Experiência sexual? Possível. A natureza masculina dá imenso valor ao sexo. Ouso dizer que é a maior importância na vida de um homem.
O mundo do homem gira em torno de seu membro sexual. Mas o homem também quer filhos, que perpetuem sua espécie e provem sua virilidade. E, para isso, o instinto o leva à mulher santa. Aquela confiável, que defenderá sua prole como uma leoa. Todos os homens gostariam de ter as duas mulheres.
Mesmo com a liberação dos costumes, ainda habitam no inconsciente masculino as figuras da santa e da prostituta. Quem vencerá, Felícia ou Clara?
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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