Avenida Brasil
Gente, outro dia escrevi que os vilões estão em alta. O público, ao invés de rejeitar o mal, não só aceita, como aplaude, numa inversão de valores própria de uma sociedade decadente. Mas outro fenômeno curioso é que esse mesmo público está rejeitando ferozmente as mocinhas das novelas! Aquelas completamente politicamente corretas, que choram do primeiro ao último capítulo.
Já há algum tempo, o público vem torcendo o nariz para essas “criaturas tão perfeitas”. Em Passione, novela de Silvio de Abreu, o público fez campanha na internet para que a personagem de Carolina Dieckmann fosse defenestrada. E o autor teve que matar a personagem!
Em Insensato Coração, novela de Gilberto Braga, foi a vez de Paola Oliveira. O povo caiu matando nela, e, cá pra nós, a moça mereceu! Ô mocinha chata! Agora, cara colega, o meu saquinho já está tão cheio da Débora Falabella, a Nina de Avenida Brasil… Alguém me diga: o que ela quer?
José Simão, colunista da Folha de S.Paulo, disse que ela é uma barata vermelha, que corre tonta para todos os lados. Débora Falabella é uma das melhores atrizes de sua geração, mas, para mim, tem um defeito, ela é muito técnica em sua interpretação.
Ela fica de fora, construindo o personagem. É cerebral. Por melhor que faça, nunca nos pega pelo coração. Também usa a técnica do choro, o que, convenhamos, fica pesado demais. Com sua vocação para interpretações neuróticas, Débora está entrando na galeria das chatíssimas. E, vem cá, será que não dá para descobrir uma forma para as atrizes limparem o nariz, para não ficar aquela meleca escorrendo?
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Insensato Coração
Gente, quando eu tinha meu programa na tevê fui uma lutadora incansável contra o que achava um preconceito cruel: a valorização da virgindade. Era pra mim um desrespeito total à mulher ser valorizada por um pedacinho de pele. E ainda penso assim.
Mas uma pergunta anda martelando minha cabeça: Por que a mulher nasce com esse “selo de qualidade”? Quando ele começou a ser valorizado? Como foi descoberto esse “pequeno” detalhe? E por que foi colocado socialmente como julgamento moral das mulheres?
Não sou erudita, portanto não tenho profundo conhecimento dos fatos. Teria a virgindade de Maria colaborado para reforçar esse tabu? Ela vivia em um tempo em que a moça que “perdia” a virgindade era expulsa de casa. E, se o pai fosse mais humano, ficaria em casa. Mas, se tivesse irmãs, não poderia mais falar com elas, como se ela tivesse uma doença. Jamais um homem ousaria casar-se com ela?! Um horror!
Mas não deixa de ser outro horror quando uma jovem personagem de novela, a Leila (Bruna Linzmeyer), de Insensato Coração, diz que quer pedir para alguém tirar sua virgindade – que ela acha fácil como extrair um dente. Disse e fez. Chamou o instrutor de esqui aquático, deitou-se com o jovem e consumou o ato!
Não, moça Leila, a coisa não é bem assim. A primeira vez de uma mulher é importante. Para o bem ou para o mal, mulher nenhuma esquece o seu primeiro homem. Por que será…
Não tolero nem o horror preconceituoso que vivi, nem essa leviandade vulgar de hoje que me envergonha de ser mulher.
Passione
Gente, tô passada. Tô bege. Tô correndo na areia da praia de salto alto e de saia justa! Então era esse o grande segredo de Gerson (Marcello Antony)? Ora, faça-me o favor!
Muitas vezes, assistindo à excitação com que ele olhava para o bendito computador, eu pensava: que diabo de perversão vão inventar? Tinha certeza que não seria pedofilia, porque o personagem é patrocinado por uma conceituada marca de pneus e não poderia ser do mal. Entendeu, colega? Patrocinador manda no personagem.
Homossexualismo também não. Está tão banal que, daqui a um tempo, os gays vão começar a entrar no armário assumindo a macheza. Virou carne de vaca, ou seria outro bicho?
Então, que diabos esse homem olhava no computador? Cheguei a pensar que ele pertencia a alguma seita demoníaca e, noite dessas, assistindo à novela, resmunguei “vade retro satanás, que esse computador não te pertence!” Cruz credo!
Pois é… Tanta agonia para receber a revelação: Gerson é porquinho, gosta de sexo sujo, fedorento, se lambuza numa porcaria.
Mais eu vivo, mais o ser humano me assusta. Para o Gerson, temos que mudar o ditado que diz “feliz como pinto no lixo”. Pra ele, seria assim: “feliz com o pinto no lixo”. Colega, você que está querendo desencalhar, comece a frequentar os lixões da cidade, os banheiros públicos… Quem sabe você acha o nosso porquinho lindo? Pra Deus, nada é impossível!
Cá entre nós, aquele homem lindo que é Marcello Antony, contando as mazelas do personagem, não convenceu. E, de novo, Silvio de Abreu solta um rojão que dá chabu: sobe, mas não estoura.
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Novelas, Televisão
Gente, é dificílimo pra mim assistir à novela das 19h da Globo, e acredito que para muitas leitoras também. É hora de começar a preparar o jantar. Mas outro dia adiantei o expediente e dei uma olhadinha em Ti-ti-ti sem compromisso de dar palpite, uma vez que, como já disse, não sigo a novela. Mas…
Lá estava Malu Mader, sempre com aquele jeitoarrogante, gritando com alguém. Pensei: Senhor, há quantos anos vejo essa criatura exibindo esse “talento”? Malu Mader apareceu naquela fase do feminismo onde mulheres raivosas rosnavam para os homens e queimavam sutiã nas ruas.
Hoje parece ridículo, mas na época foi necessário. Ela não era exatamente lindíssima, mas era um tipo fantástico: meio andrógino, sobrancelhas grossas e nariz empinado. Mão na cintura, tomando satisfação com o mundo. Era o sonho erótico de homens e de algumas mulheres. Uma moderna princesa encantada, que encontrou seu príncipe e são felizes até hoje. Mas sempre tem um “mas”.
Malu Mader ficou longe das câmeras por muito tempo, e a imagem congelada na mente do espectador é a daquela jovem atrevida. Hoje ela é uma quarentona que insiste em manter a imagem dos vinte e tantos anos. Não dá. As sobrancelhas estão pesadas, o cabelão já não tem o brilho de antes, quando os hormônios funcionavam perfeitamente bem.
Por que alguns artistas e atletas insistem nessa prisão? Se o talento é algo que vem da alma, por que se agarrar a um passado morto? O mesmo cabelo, o mesmo isso, o mesmo aquilo…que martírio! Pelo menos o nariz empinado, que já não pega mais bem, Malu podia mudar.
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Passione
Gente, as pessoas me perguntam se acredito em mudança de comportamento, ou seja, se alguém que já teve diversas posturas de absoluto mau-caratismo pode se regenerar e transformar-se em uma pessoa do bem. Vai aqui uma historinha que certamente minha cara leitora conhece, mas vou repetir.
O escorpião queria atravessar o rio, mas não dava. Aí viu o elefante se preparando para ir para o outro lado da outra margem. O escorpião pediu ao elefante que o transportasse.
Desconfiado, o elefante respondeu que não, alegando o caráter traiçoeiro do escorpião, que, com certeza, usaria contra ele seus ferrões fatais. O escorpião, ofendido, respondeu que jamais faria isso com quem o estava ajudando. O elefante acreditou e levou o escorpião para a margem oposta. Lá chegando, antes de descer, o escorpião picou o elefante, que disse: “Você prometeu!”. E o escorpião respondeu: “Desculpe, é da minha natureza”.
Aqui está minha resposta para quem me pergunta se eu acredito nessa mudança de comportamento de Clara (Mariana Ximenes), da novela Passione: eu não acredito na mudança de caráter de ninguém!
As pessoas podem deixar determinada maneira cruel de agir, mas é como vela adormecida: soprou um vento, volta a pegar fogo.
Não estou aqui analisando erros que todos nós cometemos, às vezes sem a intenção de ferir ou causar um dano maior. Estou falando de gente ruim, de natureza voltada para o mal. Essas pessoas, tendem a usar a máscara do arrependimento. Da mesma forma que praticam o mal, encarnam a cara de anjo. Eu tô velha demais, sou elefante cascudo, não dou carona pra escorpião…
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Passione
Gente, como é difícil desmontar certos preconceitos. Dizemos que somos livres dessa praga, mas não somos não. Quando menos se espera, olha ele lá, bem à vista, condenando o que não é da sua conta. Eu estava na fila do banco (não uso o privilégio da idade) e ouvi uma conversa entre duas mulheres, ambas beirando sessenta e poucos anos. Dizia uma: “coisa mais sem graça, já estão muito velhos. Gastar tempo da novela com namoro de velhos! Tá na hora é de pegarem no terço”. E fechou o comentário com “Figurati!”
Ah, então estavam falando de Gemma (Aracy Balabanian) e Antero (Leonardo Villar), ambos magníficos atores, que estão levando seus personagens em Passione com o talento de sempre. E, pelo visto, incomodando!
Curioso o comentário ter partido de gente da terceira idade (odeio essa expressão…). Me pergunto: que vidinha de segunda mão tiveram essas duas senhoras, que eliminam todas as possibilidades de amor na idade avançada? Peraí, não vamos ter medo das palavras: amor entre velhos!
Que mentalidade é essa que velhos só podem amar filhos e netos? Que direito tem uma sociedade preconceituosa de colocar o velho sentado em uma cadeira, praticamente expulso do mundo?
Nosso corpo envelhece, nosso andar é mais lento, nossa pele enruga, mas a nossa chama interna não tem idade. Ninguém tem o direito de apagar nossos sonhos, nem o brilho do nosso olhar.
Gemma se recusa a aceitar o amor de Antero. Ele é mais corajoso: quer começar uma vida nova com Gemma. Ela tem medo, diz que na idade deles é quase impossível. Será mesmo?
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Passione
Gente, quando eu era jovem – e convenhamos que faz muuuito tempo -, os homens seguiam uma regra: essa mulher é pra me divertir, mas essa outra é pra casar. A sociedade aceitava e aplaudia e, segundo a mentalidade da época, assim a família estava preservada. Moça “mal falada” não casava mesmo.
Homem nenhum tinha peito de enfrentar a família e a sociedade. Mas às vezes uns quebravam a regra e se apaixonavam pela tal mal falada! Era um drama! A família tinha até vergonha de sair na rua e tentava todos os golpes, sujos ou não, para terminar o namoro.
A maioria não aguentava a pressão e desmanchava o compromisso, mas os mais ousados se casavam com aquela que seria para sempre a vergonha da família. E curioso: eram sempre o casal mais feliz.
Estou escrevendo esta coluna pensando em Totó (Tony Ramos), que se envolve com Felícia (Larissa Maciel) mesmo apaixonadíssimo por Clara (Mariana Ximenes). E o caso típico da mulher santa, Felícia, e da prostituta, Clara. E me pergunto: ainda existe esse preconceito? O que faz Clara despertar tanta paixão em Totó? Experiência sexual? Possível. A natureza masculina dá imenso valor ao sexo. Ouso dizer que é a maior importância na vida de um homem.
O mundo do homem gira em torno de seu membro sexual. Mas o homem também quer filhos, que perpetuem sua espécie e provem sua virilidade. E, para isso, o instinto o leva à mulher santa. Aquela confiável, que defenderá sua prole como uma leoa. Todos os homens gostariam de ter as duas mulheres.
Mesmo com a liberação dos costumes, ainda habitam no inconsciente masculino as figuras da santa e da prostituta. Quem vencerá, Felícia ou Clara?
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Passione
Gente, há tempos estou ruminando uma raiva – contra a novela Passione, porque ela me faz de idiota! Detesto novela que subestima a minha inteligência. Assisto novela, sim, gosto, compreendo que, como num conto de fadas, coisas impossíveis acontecem, situações fogem da realidade… Tudo bem, faz parte e é o encanto da novela! Mas tudo tem limite, e se passar, coloca o telespectador na condição de idiota.
É o que ocorre com essa pretensiosa novela. E, quer saber, quando não acontece a empatia com o público nos primeiros capítulos, pode desistir: a audiência pode até ser satisfatória, mas é um espetáculo morto.
Na linguagem televisiva, as pontas estão soltas, desamarradas. Um exemplo: a novela das 18h, Escrito nas Estrelas, tem todos os núcleos perfeitos, todos têm a ver uns com os outros, formando uma história encantadora. Em Passione o texto é fraco, a trama sem interesse, a direção morna. Mesmo com o excelente elenco, ninguém caiu nas graças do público. É a típica novela que assistimos por força do hábito.
Fernanda Montenegro, Bete Gouveia, parece estar se perguntando: o que é que eu estou fazendo aqui? É uma novela rojão que dá chabu: sobe, mas não estoura.
O autor não acertou a mão dessa vez. É a segunda novela “desamarrada” de Silvio de Abreu. Teve outra, As Filhas da Mãe (2001), que foi de doer. Também teve Fernanda Montenegro perdida naquele pacote desamarrado.
Silvio de Abreu está escrevendo mesmo essa novela? Amigo de Aguinaldo Silva, costumam trocar figurinhas. Essas novelas com personagens largados, um embrolho danado, é muito de Aguinaldo Silva. Assisto sim, mas com muita raiva. Punto e basta!
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Escrito nas Estrelas, Variedades
Gente, acho que deixei clara minha opinião a respeito de espancamento de crianças, mas repito: tenho horror a qualquer atitude que possa ferir um ser humano, criança ou adulto. Mas… Sou favorável ao chamado chá de chinelo com amor.
Explico: a palmada não deve ser tão leve que deixe a criança com receio de não ser punida, o que é péssimo, nem tão forte que deixe marcas vermelhas. Como isso é possível? Se você, cara leitora, tem senso de justiça, sabe que é possível.
Crianças tiram a gente do sério. Parece que vieram ao mundo programadas para nos ensinar a virtude da paciência. Tenho uma neta que está com 8 anos de idade, mas tem cabeça de 14. Veja você a confusão: às vezes menininha, às vezes adolescente. E eu, que já estou com o meu prazo de validade vencendo, subo às vezes nas tamancas. Quando todos os argumentos não resolvem, não entra em cena a Supernanny, mas sim a superpalmada! Bem dosada, é um santo remédio!
Para pais de bom-senso, é desnecessária a lei proibindo palmadas. Eles sabem como conduzir a educação de seus filhos. E até adolescentes devem levar umas palmadas para aceitar limites. Aquela menina, Vanessa (Marina Rui Barbosa), de Escrito nas Estrelas (êta novela boa!): já passou da hora de a mãe tomar as rédeas da situação! É inadmissível a falta de respeito dela. Um péssimo exemplo.
Mas, voltando à lei, esses políticos não têm mais o que fazer? Tanta coisa sem rumo nesse país e eles se metem no que diz respeito aos pais? E a criançada já está ameaçando denunciar! Eu apanhei muito, de menina e de adulta. Tinha 48 anos quando levei o último sacode da minha mãe. E todos eles eu mereci…
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Novelas, Passione
Gente, por que será que os jovens se recusam a ouvir o que falam os mais velhos, que já viveram o que eles experimentam agora? Não falo em conselhos, mas prestar atenção naquilo que é dito com amor para evitar dores maiores.
Fiquei tensa e deprimida com o desespero da jovem Fátima (Bianca Bin), da novela Passione. Grávida, sem intimidade com a mãe-avó e sem saber que na verdade é filha da irmã (êta nóis na fita!).
É bem provável que a leitora conheça o desespero dessa situação. Sozinha, porque quase sempre o pai da criança cai fora. Não esquecer que quem carrega a vida na barriga é a mulher. As adolescentes se esquecem e não acreditam que isso possa acontecer com elas. Mas acontece, e muito!
Sem ter a quem pedir ajuda, com medo do diálogo com os familiares, resta aguentar o tranco. Ou recorrer à aborteiras, em locais que são verdadeiros açougues. O aborto é um trauma sem fim para uma mulher adulta, imagine numa menina recém-saída da infância. Algo feito sem a mínima assistência de higiene ou respeito pela sua dor física e moral…
É uma situação sem final feliz. Se nascer o bebê, a vida da adolescente fica truncada: filho é compromisso para a vida toda, é prisão perpétua. Se assume a responsabilidade, perde a adolescência, que, convenhamos, não é idade para ser mãe. Se não assume, terceiriza a responsabilidade para a mãe, já cansada de criar os próprios filhos. Ou então, parte para o abominável aborto e suas consequências funestas.
Comecei a coluna apelando para os jovens ouvirem mais os mais velhos. Eles podem não acreditar, mas se ouvissem se livrariam de muitos de seus males. E não é caretice, não.
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
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