Novelas
Gente, é possível que quando esta coluna for publicada Iná (Nicette Bruno) já tenha se reconciliado com Laudelino (Stênio Garcia), seu namorado na novela A Vida da Gente, da Rede Globo.
Gosto muito de como a autora Lícia Manzo coloca a relação entre um casal idoso (odeio essa palavra) que assume sua idade. São velhos (gosto dessa palavra) que se amam, não vivem juntos, não querem parecer jovens.
Ela é uma dona de casa, com aquele jeito especial de Nicette, que parece sempre uma pombinha arrulhando. Ele, Laudelino, trabalha como marceneiro e não permite se fazer inútil. Se comportam de acordo com a idade: às vezes são ranzinzas, um implica com o outro, têm manias e com categoria e respeito deixam claro sua vida sexual satisfatória.
Bonito de se ver e seria lindo de se viver na vida real se os homens não fossem tão idiotas, que só dão valor à aparência.
Mas os dois estão brigados, porque Laudelino se recusou a fazer um empréstimo de suas economias para a neta de Iná. Ela, ofendida, rompeu com ele. Mas o que Iná não entendeu é que é importante para ele ter seu dinheiro economizado com sacrifício.
Ele é velho, sozinho, a poupança dá segurança, é difícil abrir mão e emprestar para a neta de Iná, pois é um negócio que pode dar errado. Iná considera Laudelino um mão de vaca, aquele que tem um escorpião no bolso. Não é não, cara Iná.
Ele tem medo da solidão, da doença, de passar necessidade, porque, mesmo tendo compromisso com a vida, ele é velho. E sabemos como a sociedade trata os velhos, não é mesmo, Iná?
Você também poderá gostar de:
Insensato Coração, Novelas, Televisão
Gente, dizem que nada, absolutamente nada, abala o amor que uma mãe sente por um filho. Que ela sempre vai arrumar uma desculpa para todos os erros cometidos, quaisquer que sejam eles, mesmo os mais graves. Exemplo desse comportamento nos é mostrado por Wanda (Natália do Vale), na novela Insensato Coração. Mas (sempre há um “mas” no meio do caminho) eu tenho para mim que não é bem assim.
Colocar as mães em um pedestal de santidade me irrita muito. Pior: é uma atitude hipócrita, que impossibilita a mulher de viver a plenitude de sua vida. Endeusá-la a impede de sentir-se pessoa, com virtudes, defeitos, bondades, maldades, desejos, enfim, um ser intenso.
Parece que existe um pacto silencioso, porém atuante, para que, em nome da maternidade, se anule a mulher. De corpo e alma. E filhos também são humanos, podendo magoar profundamente (não necessariamente sendo delinquentes). No cotidiano, nós às vezes somos tão destratadas que o coração até aperta!
Um olhar de descaso quando você está tão necessitada de carinho, o egoísmo do “venha a nós o vosso reino”, a palavra dura, uma cobrança injusta, a desvalorização do seu trabalho. O não perceber que você faz tudo com amor para eles, cuidando da casa, preparando uma comida gostosa, deixando a cama cheirosa. Eles detonam tudo, sem o mínimo afeto ou agradecimento.
Você, que trabalha fora, faz um sacrifício danado para parcelar o computador para um filho ou pagar a faculdade do outro. E, de repente, percebe que está agindo por obrigação. De tanto dar sem receber, ficou vazia de afeto. E descobre-se gostando menos.
Passione
Gente, como é difícil desmontar certos preconceitos. Dizemos que somos livres dessa praga, mas não somos não. Quando menos se espera, olha ele lá, bem à vista, condenando o que não é da sua conta. Eu estava na fila do banco (não uso o privilégio da idade) e ouvi uma conversa entre duas mulheres, ambas beirando sessenta e poucos anos. Dizia uma: “coisa mais sem graça, já estão muito velhos. Gastar tempo da novela com namoro de velhos! Tá na hora é de pegarem no terço”. E fechou o comentário com “Figurati!”
Ah, então estavam falando de Gemma (Aracy Balabanian) e Antero (Leonardo Villar), ambos magníficos atores, que estão levando seus personagens em Passione com o talento de sempre. E, pelo visto, incomodando!
Curioso o comentário ter partido de gente da terceira idade (odeio essa expressão…). Me pergunto: que vidinha de segunda mão tiveram essas duas senhoras, que eliminam todas as possibilidades de amor na idade avançada? Peraí, não vamos ter medo das palavras: amor entre velhos!
Que mentalidade é essa que velhos só podem amar filhos e netos? Que direito tem uma sociedade preconceituosa de colocar o velho sentado em uma cadeira, praticamente expulso do mundo?
Nosso corpo envelhece, nosso andar é mais lento, nossa pele enruga, mas a nossa chama interna não tem idade. Ninguém tem o direito de apagar nossos sonhos, nem o brilho do nosso olhar.
Gemma se recusa a aceitar o amor de Antero. Ele é mais corajoso: quer começar uma vida nova com Gemma. Ela tem medo, diz que na idade deles é quase impossível. Será mesmo?
Você também poderá gostar de:
Passione
Gente, quando eu era jovem – e convenhamos que faz muuuito tempo -, os homens seguiam uma regra: essa mulher é pra me divertir, mas essa outra é pra casar. A sociedade aceitava e aplaudia e, segundo a mentalidade da época, assim a família estava preservada. Moça “mal falada” não casava mesmo.
Homem nenhum tinha peito de enfrentar a família e a sociedade. Mas às vezes uns quebravam a regra e se apaixonavam pela tal mal falada! Era um drama! A família tinha até vergonha de sair na rua e tentava todos os golpes, sujos ou não, para terminar o namoro.
A maioria não aguentava a pressão e desmanchava o compromisso, mas os mais ousados se casavam com aquela que seria para sempre a vergonha da família. E curioso: eram sempre o casal mais feliz.
Estou escrevendo esta coluna pensando em Totó (Tony Ramos), que se envolve com Felícia (Larissa Maciel) mesmo apaixonadíssimo por Clara (Mariana Ximenes). E o caso típico da mulher santa, Felícia, e da prostituta, Clara. E me pergunto: ainda existe esse preconceito? O que faz Clara despertar tanta paixão em Totó? Experiência sexual? Possível. A natureza masculina dá imenso valor ao sexo. Ouso dizer que é a maior importância na vida de um homem.
O mundo do homem gira em torno de seu membro sexual. Mas o homem também quer filhos, que perpetuem sua espécie e provem sua virilidade. E, para isso, o instinto o leva à mulher santa. Aquela confiável, que defenderá sua prole como uma leoa. Todos os homens gostariam de ter as duas mulheres.
Mesmo com a liberação dos costumes, ainda habitam no inconsciente masculino as figuras da santa e da prostituta. Quem vencerá, Felícia ou Clara?
Você também poderá gostar de:
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
Tags
Adriana Esteves ambição Amor Antonio Fagundes ator Avenida Brasil BBB casamento Christiane Torloni Cleyde Yáconis comportamento crianças deborah secco Dilma Débora Falabella emoção Eriberto Leão Escrito nas Estrelas família Faustão Fernanda Montenegro filho filhos fina estampa Gabriel Braga Nunes gay Globo gravidez Hebe Camargo Insensato Coração Jornal Nacional Lula Lázaro Ramos Lília Cabral mulher mulheres mãe novela Novelas Passione relacionamento Roberto Carlos sexo tragédia tv




































