Televisão
Estava zapeando pelos canais de TV num sábado preguiçoooso, daqueles que vão se findando devagarinho. Você olha para o relógio, dá mais uma zapeada e, de repente, para. Diante de você lá está Silvio Santos! É incrível como esse homem ainda cria impacto em mim!
Fazia tempo que não via esse magnífico apresentador. Seu carisma continua inabalado. Juntamente com Hebe Camargo, apresentando o Teleton, 160 anos de capacidade profissional estavam diante de mim. Você, cara leitora, pode até não ter simpatia por um dos dois, mas não pode negar que cada qual à sua maneira são os melhores naquilo que fazem!
Cada um com 80 anos de idade, lúcidos, absolutamente capacitados a continuar vida afora recebendo o respeito do telespectador. Silvio Santos jamais posou de homem culto, sempre foi absolutamente popular. E nessa arte é imbatível: jamais houve e jamais haverá outro igual a ele. Quando daqui a muitos anos ele partir, ficará definitivamente na história da televisão brasileira.
E igualmente Hebe Camargo. Sempre foi absolutamente clara em seu propósito profissional: levar alegria e entretenimento ao espectador. Vez por outra envereda para o lado da denúncia social, mas não convence. Não por falta de honestidade no que diz, mas por falta de talento para a polêmica. Hebe é alegria, polêmica é problema.
Olhei Hebe e Silvio, a intimidade que eles têm com o palco, as câmeras e o público. São sacerdote e sacerdotisa de uma profissão. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas: me comove muito gente que ama o que faz. Hebe Camargo e Silvio Santos, palmas eternas para eles!
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Gente, escrevo esta coluna num domingo, dia universal da fossa. Agora são exatamente 23h20 e eu aqui na cozinha, curtindo uma gripe infernal, acompanhada da costumeira depressão dominical. E, cá entre nós, a televisão, a distração dos sem grana, colabora para colocar a gente pra baixo.
Dei uma corrida em todos os canais e, depois, deitei e chorei. Comecei com o Dominguinho do Faustinho: mais magro, mas a voz continua a mesma. E ele continua acreditando que o microfone não foi inventado, continua inconveniente e não acredita que as outras pessoas saibam falar: ele corre e fala primeiro.
Não satisfeita, mudei para o Gugu. Valha-me Deus! Fazia séculos que eu não via o loirinho. É no passar do tempo no rosto dos outros que vejo como estou velha. Conheci Gugu quando ele tinha 18 anos e já vejo nele o começo de um velho!
Passei depressa para o Silvio Santos, que vem aí. Lá estava ele, com aquela fileira de dentes, seu terno e suas colegas de trabalho. Eu queria gritar socorro!!! Os mesmos quadros, o mesmo tudo, menos o rosto do homem que foi a paixão de muitas mulheres, porque para a época ele era muito bonito. Silvio Santos é referência em minha vida e na de muita gente. Em vez de olhar o calendário, olho o rosto de Silvio Santos e já sei o quanto eu caminhei.
E, para completar a “festa depressiva”, quem vem lá? O Fantástico! Ô programa chato! Cansou. Sou favorável que a cada seis meses mudem os apresentadores. Por que eles têm sempre cara de paisagem? E por que estão sempre rindo? De quê? Simpatia nem sempre se traduz num sorriso.
Quer saber? Vou chorar na cama que é lugar quente. Até estou com saudade da Glória Maria!!!
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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