Passione
Gente, como é difícil desmontar certos preconceitos. Dizemos que somos livres dessa praga, mas não somos não. Quando menos se espera, olha ele lá, bem à vista, condenando o que não é da sua conta. Eu estava na fila do banco (não uso o privilégio da idade) e ouvi uma conversa entre duas mulheres, ambas beirando sessenta e poucos anos. Dizia uma: “coisa mais sem graça, já estão muito velhos. Gastar tempo da novela com namoro de velhos! Tá na hora é de pegarem no terço”. E fechou o comentário com “Figurati!”
Ah, então estavam falando de Gemma (Aracy Balabanian) e Antero (Leonardo Villar), ambos magníficos atores, que estão levando seus personagens em Passione com o talento de sempre. E, pelo visto, incomodando!
Curioso o comentário ter partido de gente da terceira idade (odeio essa expressão…). Me pergunto: que vidinha de segunda mão tiveram essas duas senhoras, que eliminam todas as possibilidades de amor na idade avançada? Peraí, não vamos ter medo das palavras: amor entre velhos!
Que mentalidade é essa que velhos só podem amar filhos e netos? Que direito tem uma sociedade preconceituosa de colocar o velho sentado em uma cadeira, praticamente expulso do mundo?
Nosso corpo envelhece, nosso andar é mais lento, nossa pele enruga, mas a nossa chama interna não tem idade. Ninguém tem o direito de apagar nossos sonhos, nem o brilho do nosso olhar.
Gemma se recusa a aceitar o amor de Antero. Ele é mais corajoso: quer começar uma vida nova com Gemma. Ela tem medo, diz que na idade deles é quase impossível. Será mesmo?
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Ao atender o telefone, uma voz bonita de mulher me disse que se tratava de uma pesquisa a respeito de um conceituado jornal do qual sou assinante. Atendi prontamente. Quantos dias eu lia o jornal? Todos. Há quanto tempo eu era assinante? Vinte anos. E aí a pergunta fatal: quantos anos eu tinha? Quando disse minha idade, a conversa mudou de rumo. A pesquisadora me disse que a grade de perguntas solicitava a opinião de outro leitor que não fosse assinante. Mas, que diabos, eu sou leitora e assinante!
Então entendi: não sou mais o público-alvo! Para o jornal, eu não existo, mas o meu dinheiro no fim do mês eles aceitam. Minha opinião e dos que têm acima de 60 anos não vale mais. Um preconceito que enterra as pessoas vivas.
O jornal que se diz tão moderno é mal informado. Afinal, a população idosa, que também dá as cartas financeiramente, aumentou.
Pergunto: Cleyde Yáconis, a dona Brígida de Passione, 85 anos, ainda dirige, mora sozinha e comanda a própria vida. Está dando um baile de talento na TV. Ela também não será ouvida pela pesquisa? Fernanda Montenegro, 80 anos de capacidade, talento e classe. Também terá de emudecer? E Hebe Camargo, 81 anos, saindo de uma doença gravíssima e já de volta ao trabalho, comandando seu programa e a própria vida? E tantas mulheres que trabalham fora já em idade avançada? E outras que assumem as tarefas da casa, criando netos porque os filhos trabalham – eu incluída?
Cá entre nós, é um trabalho pesado, e nós aguentamos! Mas, para dar uma opinião, o mercado diz que não existimos! Armo o meu braço e dou uma solene banana para o tal mercado. Avante mulherada! Basta de hipocrisia! E punto!
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Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
@revistaanamariaCategorias
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