Televisão, Variedades
Gente, o papel da mídia falada, escrita e televisada no que diz respeito ao jornalismo é informar a sociedade dos acontecimentos diários do mundo. Até aí, é chover no molhado, todo mundo tá careca de saber. Mas, minha cara leitora, a pergunta que não quer calar é: qual é o limite da informação?
Não estou falando em censura, mas em bom-senso. Em não ultrapassar o limite que separa o sensacionalismo do cidadão. Espetacularizar a tragédia em benefício de maior audiência é, pra mim, uma atitude que causa asco.
Estou me referindo especificamente à tragédia que abalou o país no dia 7 de abril. O massacre de 13 adolescentes dentro da escola Tasso da Silveira. Pergunto: será que o noticiário não podia ser mais contido de acordo com a dor do momento?
Desprezo câmeras se aproximando de mães, procurando lágrimas! Como estive dentro de emissora de TV por 40 anos, entendo um pouco sobre como se comportam. Em tudo buscam a audiência. A audiência se transforma em dinheiro. A desculpa para transformar tragédia em espetáculo é que o povo gosta disso. Se uma parcela da população quer isso, compete também àqueles chegados à informação e educação elevar o nível daqueles menos afortunados por meio dos meios de comunicação.
Sei que tem gente morrendo de rir com minha ingenuidade e por esse motivo fui “podada” da minha profissão. Gente que não tem preço incomoda, mesmo quando “é bobinha”. Outra violência ao sofrimento é repetir o fato centenas de vezes até banalizá-lo. E o cidadão fica imune à dor e acha até comum.
Variedades
Gente, estou aqui sentada em meu cantinho na cozinha em estado de choque. Certos acontecimentos são assustadores demais para caber em minha compreensão!
Sem querer parecer profeta do apocalipse, mas parece que Deus, por meio da natureza que se revolta, está dando seu recado para a humanidade desvairada.
Assustadíssima, eu me pergunto qual é a parte que me cabe no pagamento dessa dívida que temos com a natureza, que também é filha de Deus.
Vendo um país ordeiro, trabalhador, parceiro do futuro, destroçado por um terremoto seguido de um tsunami, concluí: não temos nada, materialmente falando. Nem “nosso” corpo nos pertence!
Vendo aquele dilúvio avançando, arrastando casas, carros, barcos e pessoas, com uma autoridade de quem veio cobrar uma dívida, me senti menor que um grão de areia. Aquelas pessoas acordaram pela manhã com a vida definida: iriam para o trabalho, para a escola, fazer compras… E de repente tudo se acabou. Tudo sumiu. A vida desapareceu. E quem conseguiu sobreviver não tem mais nada (materialmente falando). Tudo boiava como brinquedo. Tudo se desfez em um piscar de olhos.
E nós vivemos hoje para o Deus mercado, vendemos o nosso ser íntegro para ter os vazios das marcas da moda. Nos aviltamos para sermos antenados. Verdadeiros outdoors ambulantes de roupas e comportamentos. Até Sandy sucumbiu diante do preço.
Sinto nas ruas as pessoas assustadas. A tragédia no Japão sacudiu o mundo todo e, por favor, não me perguntem por quem os sinos dobram.
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Gente, me sinto constrangida em abordar nesta coluna temas pesados, que infelizmente enfeiam a vida. Mas não dá para falar só de flores. Quando penso que um ser humano não tem mais nada de monstruoso e cruel para derrubar nossas esperanças de um mundo melhor, alguém se apresenta e pratica um horror maior.
Não sou uma pessoa mórbida, que acompanha o noticiário policial da televisão, mas existem fatos que não dá para desconhecer e, enojada e revoltada, comentar.
Estou me referindo ao crime que abalou o Brasil envolvendo o goleiro Bruno e a moça Elisa. Enquanto escrevo esta coluna, ele e os suspeitos estão presos – e que da cadeia não saiam jamais! Já estou neste planeta há décadas e jamais vi monstruosidade igual.
Não repetirei o que foi feito com o corpo da jovem, em respeito a minha cara leitora. Mas quando vi nos jornais regurgitei o café da manhã. E olha que tenho um estômago forte.
De que parte do inferno veio essa gente? E, por favor, não me falem da pobreza ou de infância sofrida, desculpas para justificar a maldade no mais alto grau! É gente de alma pesada, ruim, má. E tudo envolvendo o maldito dinheiro.
Ela queria se ajeitar com o golpe da barriga; ele, de miserável ficou rico e não queria soltar um real. Os dois, ele e ela, donos de uma vida mixa, sem orgulho ou honra, valores que o dinheiro não compra.
Conheço gente muito pobre com todos esses valores. O que eles ganharam? Ela, barbaramente assassinada. Ele, que teria um grande futuro, passará a vida na cadeia. Que essa história de tristeza e horror sirva de exemplo para cabeças ocas.
Xênia Bier
A ex-apresentadora comenta toda semana na AnaMaria o que acontece na TV, sob um ponto de vista bem pessoal e muito polêmico.
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