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Aumente sua voz e apareça!

Falar é um ato tão involuntário que a gente nem se dá conta dele. Pois os estudiosos alertam: a voz pode tanto facilitar quanto complicar nossa ascensão profissional.

Atualizado em 28/06/2012

Reportagem: Marcia Kèdouk - Edição: MdeMulher

Sua voz no trabalho

A sua voz pode ser um instrumento muito importante na sua carreira
Foto: Getty Images

Juliana, de 27 anos, quase viu sua carreira derrapar por não perceber que falava alto demais ao telefone. "Como vivia fazendo contato com clientes, tinha certa intimidade com eles", lembra. "Por isso, era comum ter conversas mais informais e animadas. Fora que sou descendente de italianos: na minha família, falar baixo é sinônimo de tristeza e falta de ânimo. Sempre achei que expressava energia e bom humor agindo daquele jeito; nunca pensei que pudesse incomodar." Até que um vizinho de mesa foi reclamar de Juliana com a chefia. "O gerente me chamou para um café e explicou a situação." De fato, é bem comum encontrar profissionais que exageram no volume. "A poluição sonora é tão grande e corriqueira que você se acostuma a competir com ela, querendo superá-la", observa o fonoaudiólogo Domingos Sávio Ferreira de Oliveira, professor de técnica e expressão vocal da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Só que aprender a regular a velocidade e a altura da fala é fundamental para qualquer uma de nós chegar mais longe, garantem os especialistas. "A voz da mulher tem um poder muito grande, por expressar feminilidade e sedução", explica Reinaldo Passadori, professor e diretor do Instituto Passadori. "A profissional que está se firmando na carreira deve saber adequá-la a esse ambiente."

Sussurro suspeito

Segundo os entrevistados, em vez de expressar extroversão, falar muito alto passa a imagem de que você não é polida. "Pode demonstrar que não sabe ouvir, é intransigente e tem dificuldade para trabalhar em equipe", avalia Carolina Stilhano, gerente de comunicação da Catho Online. Por outro lado, ninguém deve cair no extremo oposto: o de quase sussurrar. "Quem é inseguro, tímido tende a diminuir o volume", explica Passadori. "E acaba indicando dificuldade de delegar tarefas e predisposição para fazer só o que é pedido - nada mais", analisa Carolina. A saída é dosar. "Falar um pouquinho mais alto que o suficiente para ser compreendida pode demonstrar envolvimento, disposição, interesse", acrescenta Reinaldo Polito, professor de oratória e mestre em ciências da comunicação. "Aliás, é uma boa forma de tocar na emoção de quem está ouvindo - só não vale exagerar."

Ritmo acelerado

Imagine que você vai pedir aumento e, para não parecer nervosa, acaba falando devagar demais. Outro equívoco, pois há o risco de parecer que não tem vocabulário suficiente, é desanimada ou ainda negligente. "Esse tipo de lentidão passa a ideia de que a pessoa se orienta mais pela emoção que pela razão, se ressente com feedback negativo, confunde o lado pessoal com o profissional", ressalta Carolina. "No entanto, é mais humanizada, sabe da importância do outro e ajuda em tempos de crise, porque é calma e demonstra equilíbrio." Existem algumas técnicas para melhorar a fala pausada demais. "Durante os intervalos mais prolongados, continue olhando para o ouvinte", ensina Polito. "Assim, não quebrará a linha invisível que liga quem transmite a quem recebe a mensagem. Depois, volte a se comunicar com energia, demonstrando que os momentos de silêncio não ocorreram por falta de vocabulário, e sim porque estava procurando um jeito mais adequado de continuar. E livre-se dos irritantes ‘ããã’, ‘ééé’." Falar rápido demais (na apresentação de um projeto, por exemplo) também é roubada - pode transparecer ansiedade, descontrole. "O segredo é pronunciar bem as palavras", diz Polito. "Se o seu jeito de falar costuma ser acelerado, mas sua dicção é boa, a mensagem será compreendida."

O som do sucesso

Normalmente, não estamos acostumadas a ouvir a própria voz. "Tanto que estranhamos quando a escutamos em uma gravação", observa Passadori. "O som que nos chega quando falamos é uma mistura do que nossos ouvidos captam e das ressonâncias internas - portanto, é diferente do real. Para conhecê-la de verdade, recomendo gravar e, depois de apertar o play, procurar identificar os aspectos positivos e os pontos para corrigir." Ele recomenda também pedir para alguém de confiança dizer o que acha da sua voz. "Não vale ser o namorado recente, porque ele vai dizer que é linda, maravilhosa... e não ajudará em nada", avisa Passadori, brincando. Juliana, a leitora que ocupava os ouvidos dos outros com seus problemas particulares, adotou essa prática. "Passei a perguntar sempre a uma amiga que sentava perto se estava passando da conta", revela.

Ler, cantar e respirar

Para acertar o tom na conversa com um cliente ou chefe, o professor Reinaldo Passadori ensina estes três exercícios:

Em um ambiente tranquilo, sente-se e inspire contando até sete. Segure o ar por um segundo, depois expire contando novamente até sete. Pratique dez minutos por dia e se sentirá mais relaxada e centrada, pronta para não deixar as emoções refletirem na voz.

Para melhorar a dicção e a expressão corporal, leia em voz alta uma poesia ou um conto dando dramaticidade ao texto. Pronuncie as palavras com clareza e procure variar a intensidade, alternando momentos fortes e fracos. A prática vai conferir a você maior controle vocal.

No banho ou no carro, cante suas músicas preferidas. Ajuda a desenvolver o ritmo e a beleza da fala, as variações de tons e de intensidade e sua sensibilidade.

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