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Como lidar com diferentes tipos de chefes

Pelo menos uma vez na vida você vai ter que lidar com um chefe difícil. Saiba o que fazer para ter uma relação tranquila no ambiente de trabalho

Publicado em 28/03/2011

Juliana Diniz

Funcionária com chefe

Há chefes desorganizados, insatisfeitos e inseguros. Aprenda a lidar com o seu líder
Foto: Dreamstime

Você conseguiu o emprego dos seus sonhos. Sente-se feliz, realizada, otimista em relação ao futuro. Tudo estaria perfeito se... seu chefe não fosse tão difícil de lidar, certo? Cada chefe é de um jeito e o que você precisar fazer é aprender a conviver eles. Em vez de fazer piadinhas sobre ele no almoço, veja como transformar um gestor controlador em um gestor desafiador. Confira as dicas dos especialistas:

O chefe desorganizado: aparentemente, esse chefe é uma furada. Mas, no fundo, traz uma grande oportunidade para a sua carreira - mesmo que tenha que fazer hora extra para dar conta de todo o trabalho que ele delegou a você para ir jogar tênis. "Quando o líder é relaxado, abre espaço para que a subordinada ganhe importância para ele e para a equipe", explica a coach Villela Da Matta. Enquanto tapa os buracos que o superior deixa, você constrói uma relação de dependência e confiança. Ele sabe que precisa de você para cumprir seus compromissos, os prazos e atingir as metas. Esse chefe tem o perfil avesso do controlador e acaba ajudando-a a trabalhar melhor e a se tornar mais precavida. "Como ele é desorganizado, preguiçoso e esquecido, você acaba executando tarefas que não foram solicitadas, mas que sabe que podem ser pedidas de última hora", aponta a headhunter Carolina Asevedo, de São Paulo. Ou seja, você aprende a estar pronta para tudo.

O chefe ladrão de ideias: ele age na surdina, roubando seus projetos para vender como se fossem dele. Acha que você não deve fazer nada sem lhe perguntar antes e, quando resolve algum problema sozinha, a acusa de atropelar a hierarquia. Também é o tipo de gestor que a vê sendo cobrada por um erro que ele cometeu e fica calado. Se ele não domina tão bem suas funções a ponto de recorrer às suas ideias, acaba deixando brechas para que você assuma trabalhos mais complexos. Em curto prazo, ninguém sabe que é você quem cria as soluções. Mas um dia esse chefe tira férias, fica gripado... E aí você sai da sombra. "Enquanto isso não acontece, vale lembrar que ninguém sobe na hierarquia de uma corporação sem motivos. O seu superior pode ser incompetente tecnicamente, mas muito hábil em fazer política. Sempre há alguma coisa em que você pode se inspirar e aprender com ele", diz Da Matta.

O chefe bomba: grosso, bate na mesa, grita... Vive um dia de fúria 365 dias por ano. Em vez de motivar, amedronta a equipe com ameaças ("Mais uma dessa e você está demitida!"). A grande vantagem: esse tirano é capaz de ensiná-la a respirar fundo muito mais do que as aulas de ioga - mas talvez você vá precisar delas. Um chefe explosivo necessita de um contraponto para lhe dar equilíbrio. Se você for a pessoa que espera que ele termine de berrar e apresenta um plano de ação para resolver seu desespero, tem grandes chances de se destacar. "E de desenvolver inteligência emocional para lidar com qualquer tipo de situação", afirma a headhunter Carolina. Ela mesma já teve uma gestora bomba. "Gastei uma pequena fortuna com terapia, mas minha chefe mais difícil foi a pessoa mais importante para minha carreira", garante. Sob os olhos de um superior assim, você desenvolve objetividade e certa frieza que servirão de escudo para suportar reuniões com grandes nomes da corporação quando for chefe. "Ao aprender a não se envolver emocionalmente, vai ser capaz de trazer resultado para o negócio mesmo sob pressão", diz a professora e coach Rosângela Gonzaga.

O chefe insatisfeito: é tão perfeccionista que você fica imaginando se, em casa, suas meias ficam dobradas e separadas por cor. No trabalho, se prende a qualquer detalhe. Examina os projetos diversas vezes e sempre - inclusive nos 45 minutos do segundo tempo - pega alguma falha minúscula que você deixou passar. "Se exagera nas críticas com todos, a insatisfação não é com a equipe, é consigo mesmo. Esse tipo de chefe absorve toda a pressão de seus superiores e repassa sem filtro aos subordinados", diz Carlos Alecrim, especialista em coaching para mulheres de negócios. Existe um lado bom em ter um superior que anda com uma lupa. "Essa exigência vai levantar sua régua, ampliar seus parâmetros", afirma Carolina. O seu treino é desenvolver técnicas de automotivação para não se sentir desanimada. "Converse com colegas ou chefias de outras áreas e peça um feedback positivo sobre sua performance", sugere o especialista. Vendo que os problemas são pontuais, você vai manter sua segurança inabalada.

O chefe inseguro: você nunca sabe se vai terminar a semana com o trabalho em dia porque a qualquer momento seu chefe pode querer refazer tudo de outro jeito. Sem contar que ele morre de medo de arriscar com ideias novas e veta qualquer projeto que sair do senso comum. O gestor que se sente eternamente pisando em ovos despende uma energia absurda dos subordinados."E pode impedir a equipe de avançar", completa Rosângela. Por outro lado, o inseguro obriga você a embasar bem suas ideias para convencê-lo. Se você souber enxergar várias saídas para os problemas, quando seu chefe ficar inseguro novamente, vai recorrer à sua opinião e aos números que levantou.

Mulher conversando com chefe

A nova máxima do mercado garante que você pode escolher seu superior: identifique competências que possam lhe ajudar
Foto: Getty Images


Como "escolher" seu chefe


Para não cair nas garras de um chefe carrasco, só mesmo incorporando uma nova máxima do mercado: escolher seu superior. "As pessoas ainda têm a crença de que devem ser selecionadas pelo gestor, quando, na verdade, essa escolha deve ser recíproca", afirma Alecrim. É importante saber identificar competências e comportamentos em quem está do outro lado da mesa na entrevista de emprego. Veja se é alguém que você admira e converse com quem já trabalhou sob a supervisão dele. Pense que tipo de informações gostaria de saber sobre seu futuro gestor. Algumas perguntas podem dar pistas de seu temperamento:

1. quais as expectativas que você tem em relação ao cargo?

2. a que você dá mais importância no ambiente de trabalho?

3. prefere focar em metas ou em uma política de horário rigorosa?

4. qual é a sua visão sobre plano de carreira? Se ele se sair bem, dê a ele esse cargo.

Comentários

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