Saiba mais sobre o empreendedorismo verde

No empreendedorismo verde, todo mundo ganha: empresas, consumidores e o planeta como um todo

Atualizado em 08/09/2011

Reportagem: Jeanne Callegari - Edição: MdeMulher

O sucesso do empreendedorismo verde vem sendo comparado ao boom da internet
Foto: Marcelo Zocchio

Nos anos 1980, surgiram os primeiros carros elétricos nos Estados Unidos. Mas, mimadas pelos lucros produzidos pelos veículos a gasolina, as montadoras fizeram de tudo para que o negócio desandasse. No fim dos anos 2000, o cenário mudou. Hoje, carros elétricos e híbridos (movidos a eletricidade e a gasolina) são vistos pelas montadoras como uma das saídas para enfrentar a crise e um nicho de mercado forte.

De lá para cá, o mundo empresarial ficou verde. A preocupação com o clima deixou de ser exclusiva de ambientalistas e passou a ocupar a vida de todos. À medida que aumenta a consciência sobre a preservação ambiental, cresce também a demanda por produtos que sejam menos agressivos. E surgem novos negócios.

É tanto espaço para crescer que o empreendedorismo verde está sendo comparado ao boom da internet. "Das startups verdes de hoje surgirão os Googles e Facebooks do futuro", diz Glenn Croston, autor de Starting Green - From Business Plan to Profits ("Começando verde - do plano de negócios aos lucros", sem edição brasileira). E essa onda verde não é passageira. "A questão ambiental é de difícil solução. Oportunidades vão continuar a aparecer em grande escala por bastante tempo", diz André Carvalho, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração da FGV, em São Paulo.

Chamado à consciência

Para entender essa questão, é preciso voltar aos anos 1960, quando surgem as primeiras empresas dedicadas a produtos e serviços com menos impacto no ambiente. A maioria das companhias convencionais, porém, brigava até o último momento para não ter que se adaptar às crescentes regulamentações, que limitavam, por exemplo, a poluição e o uso de materiais nocivos.

Após esse primeiro momento, veio o chamado Verde 2.0, em que alguns empreendedores visionários perceberam que fazer negócios sustentáveis poderia ser também lucrativo, além de ajudar o meio ambiente.

Essa visão tinha ainda uma vantagem: escala. Afinal, para competir com os produtos tradicionais, as empresas precisavam ter tamanho e capacidade produtiva. E assim chegamos ao momento atual, o Verde 3.0, em que os negócios verdes começam a se tornar grandes. "Algumas categorias, como produtos de limpeza, já são mais verdes. Mas temos um grande caminho a percorrer até todas as categorias de produtos chegarem lá, que é o que vai acabar acontecendo", diz Croston.

Esse será o momento 4.0: quando o verde fizer parte de todos os negócios e for um prérequisito para a competitividade das empresas. Nessa hora, nem precisaremos mais falar em negócios verdes, afinal, todos o serão.

Novas demandas

Quando a Mãe Terra começou, há 30 anos, ser ecológico ainda era um diferencial. A marca surgiu como uma lojinha de produtos naturais, fundada por um empresário que achava importante que as pessoas se alimentassem de forma mais natural. "A Mãe Terra surgiu em uma época em que se acreditava que era preciso fazer certos sacrifícios para comer bem", diz Alexandre. "Hoje, sabemos que, para atingir mais pessoas, alimentar-se de forma integral deve ser algo gostoso, agradável". Os investimentos da marca em sustentabilidade não ficam apenas nos alimentos. A empresa está lançando o Pensando Bem, programa de rastreamento da cadeia produtiva em que é possível descobrir, pelo site, o impacto ambiental dos produtos do plantio até a prateleira do supermercado: consumo de água, emissão de poluentes, biodiversidade, saúde do solo, geração de resíduo, bem-estar animal etc.

O poder da ideia

Uma empresa nova, que há alguns anos seria difícil de encontrar no Brasil, é a Mobilicidade, de Recife, focada em criação de soluções de TI em mobilidade sustentável. O projeto mais badalado da empresa é o Samba, sistema de aluguel de bicicletas do Rio de Janeiro, baseado no Vélib, da França. Os usuários podem se cadastrar na internet e fazer uma compra de créditos; aí é só chegar à estação e ligar para um número de telefone fornecido por eles que a bicicleta será destravada.

Apesar dos casos de sucesso, muita gente ainda assume que produtos verdes custam mais e não combinam com empreendedorismo. Um engano. "O verde, feito da forma correta, pode ajudar as empresas a lucrar, reduzir custos de operação e ganhar uma marca mais forte", diz Gil Friend, autor do livro The Truth About Green Business ("A verdade sobre as empresas verdes", inédito no Brasil). Para o negócio dar certo, empreendedorismo e preocupação com o ambiente devem andar de mãos dadas. "Tornar-se verde não é apenas ajudar o planeta, mas ajudar todas as pessoas com quem dividimos o planeta", afirma Glenn Croston. Produtos e serviços que colaborem para que cada pessoa diminua seu impacto na natureza são cada vez mais necessários e estão se tornando, por sorte, cada vez mais comuns. Afinal, com eles, todos ganham: os consumidores, os empreendedores, o mundo em que vivemos.

LIVROS
Starting Green - From Business Plan to Profits, Glenn Croston, Entrepreneur Press
The Truth About Green Business, Gil Friend, FT Press

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