Aprenda a montar um negócio milionário

Dicas da empresária que largou um emprego desgastante para apostar em um negócio que fatura mais de um milhão por ano

Aprenda a montar um negócio milionário

A empresária Ana Carolina Vaz inventou as fraldas caninas e atualmente possui mais de 30 produtos no mercado
Foto: Divulgação

Dicas para seu negócio prosperar e render milhões

 Uma ideia inovadora e muita força de vontade são importantes para criar uma empresa milionária, mas não são suficientes para sua empresa prosperar.

Confira as dicas da empresária Ana Carolina Vaz, que criou e patenteou fraldas para cachorros e montou uma empresa que atualmente possui mais de 30 produtos lançados no mercado.

. Planeje os gastos do primeiro ano de funcionamento
Descubra de quanto dinheiro você vai precisar para abrir um negócio, contratar funcionários e criar uma infraestrutura adequada para executar sua ideia. Calcule os gastos que você terá no primeiro ano de atividade e certifique-se de que você tem recursos para se manter nesse período.

. Saiba o valor certo para o seu produto
Avalie as vantagens do seu produto em relação aos existentes no mercado para definir o preço correto. No nosso caso, comparamos com as calcinhas para cães. O pacote com cinco unidades custava em média R$ 8. Na nossa conta, uma fralda tinha condições de suportar cinco xixis, o que equivalia a cinco calcinhas. Chegamos ao valor de R$ 9,90 para o pacote de fraldas com seis unidades.

. Impressione os clientes
Prepare-se para encontrar a desconfiança típica de um comprador ao se deparar com um produto novo no mercado. Antes de lançar a fralda, montei uma lista de perguntas que os donos de pet shops poderiam fazer. Eu sempre relia esse material antes de uma visita, para estar bem preparada. Se surgisse uma pergunta nova, adicionava à minha lista, com a resposta correta. Estudei cada detalhe.

Conheça a história da megaempresária Ana Carolina Vaz

Aprenda a montar um negócio milionário
                Os empresários Marcelo e Ana Carolina com a cadela Jully

”Ganhei a cadelinha Jully do meu marido Marcelo quando nos casamos, há oito anos. Ela é da raça lhasa apso, conhecida por aguentar a ausência dos donos por várias horas sem se estressar. Eu adoro cães desde criança, mas a escolha dessa raça foi providencial: naquela época, não tínhamos tempo para cuidar da casa e de um bicho de estimação.

Estava no último ano da faculdade de direito e sonhava ser juíza ou promotora. Enquanto isso, ralava como promoter de eventos. Trabalhava em jornadas que iam até a meia-noite. Muitas vezes eu chegava em casa quando meu marido já estava dormindo. Queríamos mudar esse ritmo de vida.

Pensamos em abrir uma franquia, mas o investimento inicial da maioria delas era superior às nossas economias. Aí, por causa de uma doença da Jully, acabamos criando um negócio do zero: o de fraldas para cachorros. Hoje trabalho com meu marido e sou minha própria chefe. Nossa empresa tem mais de 30 produtos diferentes e fatura mais de R$ 1 milhão!

Minha cadela usava fralda de bebê

A Jully suportou nosso ritmo de vida puxado por um ano, até entrar no cio pela primeira vez. Ao contrário das cadelas normais, que soltam pequenas gotas de sangue por até uma semana, ela sofreu esse incômodo por um mês. Nesse período, ela sangrava tanto que formava poças embaixo dos seus pés. O veterinário me explicou que isso era consequência de uma doença sem cura: ovários policísticos.

Enquanto isso, na minha casa, sofás, lençóis, almofadas e cadeiras eram tingidos de vermelho pela Jully. Confesso que ficava brava com ela. Mas o que me deixava mais irritada era o fato de não existir uma solução definitiva para esse problema.

Nas pet shops que visitei, me recomendaram comprar fraldas de bebês e fazer um furo para passar o rabo dela. Mas quem já manuseou uma fralda sabe que o material é bem duro. A cada dez fraldas furadas, eu tinha que jogar fora uma tesoura, pois ela perdia a ponta. E eu ainda perdia meia hora nesse processo todos os dias.

Em uma dessas ocasiões, no início de 2004, eu e o Marcelo cortávamos as fraldas da Jully no chão da sala. Eu estava inconformada por não haver uma fralda especial para cães. Foi quando um olhou para o outro e pensou: ”Por que não criamos esse produto?”. Achei a ideia meio maluca. Mas como tinha tempo livre, Marcelo se dispôs a investigar se essa ideia já havia sido registrada anteriormente.

Juntamos R$ 60 mil para abrir a empresa

Nenhum de nós tinha noção de como se montam fraldas. Aí, vimos na televisão o anúncio de uma máquina caseira para fazer fraldas de bebê. Ela tinha 1,5 m de comprimento e espaços para depositar os materiais que formam a fralda – o plástico polietileno, que fica na parte externa, o tecido não-tecido (TNT), que fica na interna, e a polpa de celulose com gel, que fica no meio e é responsável pela retenção dos líquidos. O equipamento também possuía uma manivela para prensar os materiais e dar forma à fralda.

Enquanto testávamos a máquina, visitamos ferros-velhos, assistimos a vídeos na internet e trocamos ideias com fornecedores de materiais. Queríamos montar uma máquina diferente, com uma alavanca que furasse a fralda no ponto onde deveria passar o rabo do cão. Meu marido pediu demissão do emprego e eu o ajudava nas minhas horas vagas. O equipamento ficou pronto no segundo semestre de 2005, após um ano de pesquisas.

Empolgada com a invenção, fui atrás dos documentos da patente e pesquisei nomes e logotipos para nossa empresa, que batizei de Dog’s Care. Vendemos nossos carros e usamos uma poupança de R$ 60 mil. Assim, conseguimos abrir a empresa, comprar material e contratar funcionários.

Esses processos ficaram prontos em dezembro de 2005. Três meses depois, pedi demissão do trabalho para me dedicar à nossa empresa de fraldas para cães.

Ralamos muito!

As primeiras vendas foram feitas em esquema de consignação. Deixei pacotes de fraldas em 30 pet shops de São Paulo e só fui receber o primeiro pagamento no mês seguinte. Ao conversar com os donos das lojas, descobri que os clientes adoraram a minha invenção.

Mas a boa receptividade não foi suficiente para diminuir nossas dificuldades financeiras. Como estávamos sem emprego fixo e tínhamos uma reserva pequena para cobrir nossos gastos, fomos obrigados a pedir dinheiro emprestado aos amigos. E ainda parcelamos o pagamento dos fornecedores. Também reduzimos nossos gastos pessoais a R$ 2.500. Só assim conseguimos garantir o futuro da empresa.

Ao final do primeiro ano de existência da Dog’s Care, lançamos outra fralda, para cães machos com incontinência urinária. Nessa época, passamos a vender para grandes distribuidores, que colocaram nossos produtos em todo o Brasil e garantiram nossos primeiros lucros. Aí, passamos a criar novos artigos, como sacos plásticos e kits-coleiras, e tivemos condições de comprar mais máquinas para nossa linha de produção.

Hoje, quatro anos depois, temos produtos para cães e gatos. Temos 23 funcionários e 16 máquinas, cinco delas criadas pelo Marcelo. Neste ano, nossa previsão de vendas é de R$ 2,8 milhões.
Desse total, tiro até R$ 10 mil por mês para meus gastos pessoais. O resto é reinvestido em necessidades da empresa. Estou realizada. Agora eu e o Marcelo temos tempo para curtir a Jully, que ganhou a companhia de outros dois cães, a Mel e o Cookie”.

Saiba como patenteamos nosso produto

”Quem cuida disso é o Instituto Nacional de Patentes (Inpi). Marcelo procurou no arquivo deles e não encontrou nada. Então, tínhamos o direito de registrar o produto. Me informei sobre os documentos necessários: um deles era um desenho, feito no computador, do produto e do modo de fabricação. Também fizemos uma descrição do processo e dos componentes. Para patentear nossa fralda, pagamos uma taxa de R$ 160”.

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