Como participar da construção da casa própria

Dicas para você por a mão na massa e participar do projeto de construção da sua casa

Atualizado em 21/10/2011

Ronaldo Bressane

Mulher pintando a casa

Participe mais da construção da sua casa própria
Foto: Getty Images

Cada vez mais e mais pessoas concretizam o sonho da casa própria - construída com as próprias mãos. Esqueça o preconceito: você também pode bancar o joão-de-barro. Engenheiro civil há 25 anos, James Elkis comprou um lote de 2300 m2 em um condomínio em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Fez uma maquete de oito cômodos, 4x4, formato de cruz, prevendo um sobrado de 200 m2. Foi matutando a ideia. Um dia soube que a Eletropaulo se desfazia de várias cruzetas de madeira, daquelas usadas para postes. Encheu dois caminhões de cruzetas. "Com essa madeira deu para fazer deque, vigas, tesouras, batentes de janelas. Material de graça, só paguei o frete", afirma.

Mais madeira de demolição reutilizada, guarnições recicladas - e até o vidro das janelas saiu de graça: "Troquei um computador que eu tinha pelos vidros, assim envidracei a casa toda na faixa". No entorno da casa criou ambientes com bambu - bancos, garagem, gazebo. Mais tarde, o bambu seria a estrutura de sua nova carreira. Deu um pé na engenharia e começou a criar luminárias, objetos de decoração e estruturas de bambu tratado.

Ecovilas. Uma saída?
Goiás é um dos centros da nova consciência imobiliária. Em Pirenópolis estabeleceu-se André Jaeger Soares, 46, quase um evangelizador do "construa você mesmo". Ali funciona o Ecocentro Ipec, Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado. Permacultura é uma palavra criada pelos ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970 e vem de "permanent culture", ideia assentada sobre a sustentabilidade ecológica.

"Muitos fizeram casas em mutirão, e temos a riquíssima experiência das favelas. A classe média é que tem preconceito com a autoconstrução", afirma Jaeger. Ele crê que mudar para a própria casa equivale a transformar os próprios valores. "Numa ecovila, temos outro modelo econômico: o custo é baixo, mas a segurança e o conforto são altos. O ar é mais puro, o conforto térmico é melhor, tenho uma casa confortável, amena, sem ar-condicionado, a água que bebo é da chuva, vivo no meio dos pássaros, não preciso de porteiros nem pago condomínio..."

Mão na massa
Mas nem só engenheiros ou militantes ecológicos vivem nas casas à moda do dono. Tem gente a que simplesmente dá na telha levantar seu espaço - caso de Lilian Chiari, administradora de 29 anos. Ela construiu a própria casa somente com a ajuda de um pedreiro, de um vizinho especialista em adobe, além, claro, do marido, um especialista em serviços verticais que trabalha no Parque Nacional da Serra do Cipó. É uma construção de 96 m2, com três quartos, um banheiro, uma sala com cozinha e varanda - tudo prestes a ganhar mais 70 m2 com cozinha de fogão a lenha e mirante. "Ela ainda não está acabada, não teve projeto nem nada, nem arquiteto nem engenheiro. É tudo uma mistura de sorte e vontade, meio fora do padrão convencional."

Além da ideologia
Construir o próprio espaço é a melhor alternativa - economicamente. Elkis confirma: "Minha casa em Taboão custou 30% do que custaria se tivesse encomendado ou comprado uma pronta".
 

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