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Calçadas: o que facilita e o que dificulta a mobilidade dos pedestres
Soluções que facilitam e os maus exemplos que dificultam o vaivém das pessoas pelas ruas da cidade de São Paulo
Publicado em 26/08/2011
Giuliano Agmont
A irregularidade das calçadas paulistanas: um problema para os pedestres e para a paisagem
Foto: Bruno Gabireli
Sob meus pés, o passeio da rua Apinagés, em Perdizes, bairro de classe média de São Paulo, escolhido aleatoriamente. Levo a tiracolo uma trena, para medir o comprimento dos problemas e das soluções. E logo no primeiro olhar noto um degrau típico dos aclives paulistanos. É uma rampa para entrada de carros, que começa com 40 centímetros no muro do prédio e morre com um leve desnível na guia. "Quase intransponível para um carrinho de bebê", penso.
Variados pisos brotam do chão. Formam um mosaico de formas, cores e texturas. Tem de tudo, do concreto às pedras, dos bloquetes às lajotas. Encontro até o famoso desenho geometrizado do estado de São Paulo com ladrilhos, ícone da cidade. Sinto falta apenas das históricas calçadas com pedras portuguesas, obras-primas dos quase extintos mestres calceteiros. Uma profusão de revestimentos que ostenta lá sua poesia, mas denuncia também uma legislação ultrapassada, a que confere aos munícipes a responsabilidade de construir e manter os passeios da cidade.
"Não conheço nenhum outro país que funcione assim", estranha o britânico Philip Gold, consultor internacional de segurança viária, mobilidade urbana e acessibilidade. A ideia de Gold para as cidades brasileiras é ambiciosa e simples. Ele defende a criação de uma rede viária de circulação a pé. E uma rede contínua, que permita a qualquer um ir de um ponto a outro com as próprias pernas - ou braços, no caso dos cadeirantes -, sem obstáculos.
Degradação e irregularidades
A uniformidade parece um sonho distante para quem percorre o bairro de Perdizes. E as normas de construção de passeios, que existem, não são cumpridas por aqui. De acordo com a Prefeitura de São Paulo, as calçadas, entre outras coisas, devem "possuir superfície regular, firme, contínua e antiderrapante sob qualquer condição; ter inclinação longitudinal acompanhando o greide da rua; ter inclinação transversal constante, não superior a 2%; possuir largura mínima de 1,20 metro; e ser livre de qualquer interferência ou barreira arquitetônica".
Acessibilidade
O arquiteto Sérgio Teperman, autor do livro As Cidades Vivas, Viva as Cidades! (editora Senac), precisa, vez por outra, deslocar-se de cadeira de rodas. "É um sufoco andar pelas calçadas com um material que não seja seus pés. Eu desisti de sair de casa com minha cadeira, impossível circular, ela empaca", esbraveja o arquiteto, para quem as calçadas da cidade estão descalças.
Padronização
O publicitário Zico Farina tem esperança de resolver o problema. Ele criou no começo deste ano o blog SidewalkingSP para defender a padronização dos passeios. "A ideia surgiu quando tentei levar meu filho para dar uma volta de carrinho. Era impossível", lembra o gaúcho, que mora há 12 anos em São Paulo.
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Comentários
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Tônia Azevedo - Este artigo acerta na mosca!!! De volta a São Paulo após 10 anos em Londres, o que tem me enlouquecido não é a corrupção ou a roubalheira - dessas, já não tenho mais esperança de conserto. Mas, AS CALÇADAS!!! O absurdo que é, no Brasil, a responsabilidade pelas calçadas ser do contribuinte e não do Governo (Municipal, no caso) - logicamente, uma maneira de sobrar "mais algum" pra ir pro bolso de alguém. Parabéns ao articulista Giuliano Agmont, porém faltou ser abordado um ponto (também na revista impressa, onde a matéria é mais completa): além da falta de manutenção, das guias rebaixadas e da inclinação excessiva, também poderia ser mencionada a invasão do espaço das calçadas por cercas-vivas e outros tipos de plantas que são usadas como instrumento de segurança pelos moradores, para dificultar o acesso às casas. Os moradores plantam o que querem, não cuidam e o pedestre... Coitado. - 07/09/2011 18:43:07




































