Premiada chef de cuisine - Cozinha Contemporânea - com passagem por restaurantes espanhóis e consultora, desde 2003 comanda a equipe do conceituado Bar e Bistrô do Victor, no ParkShoppingBarigüi, em Curitiba, especializado em frutos do mar
Site: www.pierdovictor.com.br
E-mail: evaalgomais@hotmail.com
Se você não tem um amigo pescador, não sabe pescar e não conhece um peixe fresco, evite levar produto duvidoso. E em restaurantes, preste atenção para não escolher um peixe que não conhece.
Se for escolher pelo tato, preste atenção: o peixe deve estar firme, uma vez que a rigidez da sua estrutura quer dizer que ele morreu há pouco tempo. Observe, também, se o peixe não estava congelado - se conseguir dobrá-lo é sinal de que está bom; com o congelado isso não seria possível, pois iria se quebrar.
A escolha pela visão: o olho do peixe tem de estar brilhante, com pupila escura e íris branca ou amarelada em algumas espécies. Se os olhos estiverem grandes, inchados e turvos significam deteriorização. Observe, ainda, as brânquias ou guelras: opte pelas que estão vermelhas ou rosadas e frescas, uma vez que cor pálida significa também deteriorização.
A escolha pelo olfato: o peixe deve ter cheiro de maresia (cheiro ácido, pois azedo significa deteriorização). Existem situações em que o consumidor pode ser facilmente enganado. Até que se prove o contrário, todos os peixeiros são honestos - então sempre preste atenção. Ao comprar, dê preferência a peixes inteiros, aqueles que você já conhece a cara. Com filés ou postas podem ocorrer enganos e é quase impossível saber de qual peixe foi extraído o filé oferecido - caso isso ocorra, peça o peixe inteiro e, depois, para filetar na sua frente. Por isso, procure sempre uma peixaria honesta e fique amigo do peixeiro. Após esses procedimentos vem a conservação do peixe.
Para garantir o bom congelamento, limpe-o muito bem pouco antes de levá-lo ao freezer. Para consumo imediato, limpe-o e deixe-o no gelo até o preparo final.
Além disso, a forma como o peixe foi morto também influencia na conservação: os capturados com anzol e arpão resistem mais tempo. Já os pegos com redes resistem menos, porque ficam mais tempo nas águas, já mortos.
Quando vivi na Espanha, acordava às 4 da manhã e seguia até Biarritz, na França, ou até a costa buscar os mais variados peixes e frutos do mar, desde mero, almejas, besugo (esse parecido com pargo), espardenas (pepino do mar), caviar fresco e marisco, todos que acabaram de sair das águas geladas do mar cantábrico, do Oceano Atlântico. Posso dizer que só comi produtos frescos ou enlatados – e enlatados com produtos da melhor safra. As lulas, chamadas de txipirones, eram tão frescas que ainda mudavam de cor e se prendiam nas mãos com suas ventosas. Eram saborosíssimas, mediam 3 cm e eram precoces.
Como se vê, comprar, pescar, limpar, consertar e até preparar um peixe exigem atenção e certos cuidados. Observando-os, você terá uma refeição saborosíssima - e sem surpresas desagradáveis.
Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.
Maria Luiza - Parabéns a Chef de Cuisine Eva dos Santos, profissional excelente e de responsabilidade indiscutível no preparo dos seus pratos..Sucesso!!! - 24/09/2009 19:23:44