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Frutas raras do Brasil: conheça diferentes espécies

Já ouviu falar de abio, saputá, mangaba ou cagaita? Maior produtor de frutas nativas do planeta, o Brasil abriga um raro e variado pomar para ser descoberto

Atualizado em 21/10/2011

Rafael Tonon / Edição: MdeMulher

Fruras raras

Já ouviu falar de abio, saputá, mangaba ou cagaita?
Foto: Eduardo Delfim

Da Amazônia aos cerrados, da caatinga às florestas, o Brasil guarda sabores para todos os gostos. Neste país de proporções continentais e de regiões tão distintas, algumas das nossas maiores riquezas culinárias estão escondidas nos pomares que, apesar de pouco explorados, insistem em não arredar pé do nosso solo. São frutas que estão depois das porteiras dos sertões, no meio mais denso das matas, nas encostas dos rios e bem longe das barracas das feiras. Mas que nem por isso deixam de amadurecer nas mudas e servir como um banquete aos animais e a algumas comunidades locais que conhecem muito bem os tesouros que se escondem na nossa diversificada flora. Tão diversificada, aliás, que fez do Brasil o maior produtor de frutas nativas do planeta.

Você conhece abacaxi, banana, maracujá, caju... mas já ouviu falar de abio, saputá, cambuci, mangaba ou cagaita? Pois é, essas são tão brasileiras quanto nossas velhas conhecidas, mas dificilmente já passaram pelo nosso paladar. O principal motivo é que muitas dessas frutas, consumidas há milhares de anos, só são conhecidas regionalmente, como o bacuri, da Amazônia, ou o pequi, do Centro-Oeste. Passados os limites das fronteiras que separam cada estado, elas se tornam apenas ingredientes curiosos, nomes estranhos aos quais não conseguimos atribuir um sabor específico. Qual, afinal, será o gosto de um uxi?

Para apreciar essas frutas, na maioria das vezes, é preciso viajar para suas regiões de origem, já que é difícil encontrá-las em mercados. "Como o país é grande, a logística é complicada, principalmente para os frutos, que são perecíveis. Muitos deles, aliás, têm uma coleta pequena e, portanto, é praticamente impossível tê-los em todo o território nacional", diz o sociólogo Carlos Alberto Dória, especialista em gastronomia e alimentação e autor do livro A Formação da Culinária Brasileira.

Dória também aponta para o fato de termos nas feiras mais frutas importadas que as típicas nacionais. "Hoje é mais fácil trazer coisas de países vizinhos como a Colômbia e a Venezuela, que têm estruturas comerciais voltadas à exportação, que penetrarmos nos sabores brasileiros", diz. Um exemplo é a manga Haden, que, originária de uma variedade indiana, foi geneticamente modificada na Flórida e hoje é onipresente nas bancadas da fruta. “Era comum nos pomares de sítios e fazendas de São Paulo se deliciar com a manga espada, a bourbon ou a coquinho. Mas o aprimoramento genético da Haden quase que resumiu todas as variedades numa só”, diz Dória. Para encontrar variedades como a manga espada, só procurando em algum pé que ainda tenha restado por aí.

Isso também acontece com muitas das frutas nativas que são ignoradas pela lógica do mercado. Os grandes monopólios de produção e comércio se concentram em frutas como o morango e a maçã. As frutas regionais, principalmente do Norte e Nordeste, ainda são ligadas às pequenas propriedades e não conseguem ganhar escala.

Para saber mais

· A Formação da Culinária Brasileira, Carlos Alberto Dória, Publifolha Colecionando Frutas, Helton Josué Teodoro Muniz, Arte & Ciência Editora Frutas Brasil Frutas, de Silvestre Silva e Helena Tassara, Empresa das Artes

Comentários

Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.

Paula Mangia - Desde criança que não como abiu!! Essa fruta é uma delícia!! - 31/01/2013 12:56:39

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