Como escolher vinhos

Para saber o que é um bom vinho, não é preciso ser um estudioso. O segredo é beber para conhecer (oba!)

Atualizado em 23/11/2011

Reportagem: Josimar Melo - Edição: MdeMulher

Qual vinho escolher

Toda vez que comprar uma garrafa de vinho que gosta, experimenter levar outra desconhecida para casa, a fim de conhecer novos sabores
Foto: Dreamstime

Boa notícia: nos últimos anos o Brasil passou a importar e a produzir bons vinhos, contando hoje com um estoque invejável de produtos. A notícia incômoda é que o consumidor não teve ainda tempo nem condições de acompanhar a oferta. O resultado é que sobrevive entre nós uma aura de esnobismo em relação ao vinho, indicando (falsamente) que, para apreciar a bebida, é preciso ter dinheiro e conhecimento. Assim, muita gente desiste de experimentar só de imaginar que possam ser necessários anos de estudo para escolher o que beber.

Mas a verdade é bem diferente: há vinhos bons e baratos, assim como é possível apreciar um bom vinho mesmo que não se tenha uma longa experiência na área. A regra é simples: é seu paladar, seu gosto, que dirá aquilo que o agrada, o tipo de vinho que prefere.

Para começar, não é mau identificar os vinhos que agradaram o paladar - pode até tomar nota de seu nome -, da mesma forma que convém ir memorizando aqueles que desagradaram, para que sejam evitados. Dica: cada vez que comprar uma garrafa daquele vinho que já sabe que apreciae, adquira uma outra, que não conhece. É muito gostoso experimentar um vinho novo - se gostar, vai para a lista dos que você poderá pedir numa próxima ocasião. Senão, vai para a lista negra.

O tipo de vinho importa

Com o tempo, você vai notar que muitos dos seus vinhos do coração têm detalhes em comum. Por exemplo: são todos argentinos ou espanhóis ou gaúchos. Como cada país tem determinadas características climáticas, de terreno, de tradições de cultivo e de produção da bebida, ocorre que seus vinhos tenham algumas características comuns.À medida que se bebe mais, e mais se presta atenção, mais se consegue identificar a riqueza das sutis gamas de sabores e aromas de cada bebida. Para que serve isso? Apenas para uma coisa: amplificar nosso prazer. Para chegar a esse ponto, o melhor caminho é a prática. O principal é experimentar e aprender, por si só, suas preferências, e adotá-las quando for ao mercado ou ao restaurante.

Com que prato combina?

Uma das mais complicadas operações na escolha de vinhos é decidir qual deles combina melhor com determinado prato. Grandes sommeliers mundo afora dedicam horas de seus estudos a definir tais combinações. Algumas são clássicas e vêm das tradições da região em que o vinho é produzido. Outras são inesperadas e devem ser estudadas caso a caso.

A regra principal é que nenhum dos dois componentes pode ofuscar, se sobrepor ao outro: se o prato é um delicado peixe no vapor, não se pode tomar um potente vinho tinto (pois na boca prevalecerá o gosto da bebida, e o sabor do peixe desaparecerá). Nesse caso, melhor um branco leve. Vale o oposto: se o prato é muito potente, um vinho leve vai desaparecer na boca, parecerá aguado e sem graça. Nesse caso, melhor um vinho tinto encorpado.

Outra harmonia comum é a das sobremesas com vinhos doces: o açúcar de ambos tende a se compensar e, ao invés do resultado ser uma sensação doce demais, o que acontece é que a doçura do vinho ameniza a doçura da sobremesa e vice-versa, produzindo um resultado harmonioso. Em outros casos, a harmonia se dá por oposição. Por exemplo, com pratos muito gordurosos, escolhemos aqueles vinhos mais secos, jovens e adstringentes: a gordura amacia a rispidez e os taninos da bebida, enquanto esta diminui a sensação de gordura do prato.

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