A importância da sobremesa para finalizar os bons momentos da refeição
A sobremesa deve ser tratada com tanta importância quanto o resto da refeição, pois é com os doces que finalizamos aqueles bons momentos de comilança
Atualizado em 24/11/2011
Reportagem: Roberta De Lucca - Edição: MdeMulher
Você sabia que as pessoas se lembram com mais facilidade da sobremesa que dos pratos salgados?
Foto: Reprodução revista VIDA SIMPLES
O banquete termina, todos estão satisfeitos, mas na boca há um gostinho de quero mais. Embora o corpo pareça saciado, tem alguma coisa lá dentro pedindo um sabor diferente. É um desejo de comer algo para arrematar o almoço ou o jantar, a vontade de um carinho no estômago e na boca, difícil de expressar em palavras. Enquanto processamos essas sensações, alguém traz para a mesa um manjar ou uma musse de delicada textura, um bolo de chocolate de lamber os beiços, uma torta de peras com sorvete recém-saída do forno, um merengue de morangos e chantilly que derrete na boca, ou a simples, mas não menos deliciosa, azedinha e carnuda carambola. Assim a sobremesa se apresenta diante dos comensais e finalmente satisfaz aquela vontade de minutos atrás.
Um pouco de história
Como toda história tem um começo, vamos a ele, retrocedendo aos banquetes medievais, verdadeiros festivais gastronômicos e que foram as peças iniciais do á-bê-cê do que hoje conhecemos por gastronomia. As comilanças naquela época duravam dias a fio, literalmente. Para dar um descanso entre as baterias de pratos servidos, os convivas (nobres e sua turma) se distraíam com espetáculos de dança, música, teatro e atividades ao ar livre como jogos e caça. À mesa eram dispostas carnes, cereais, ensopados de legumes, pães, tortas, queijos, frutas secas e frescas e mel, entre outros alimentos. Tudo era consumido ao mesmo tempo, ao prazer dos convidados, e muitas vezes comer uma fruta ou um pedaço de queijo após um salgado tinha a função, ainda que empírica, de limpar o paladar e prepará-lo para os pratos seguintes. Tanto que em países como a Itália e a França até hoje comem-se queijos ao fim da refeição, no lugar da sobremesa ou antes dela.
Durante anos os nobres se alimentavam assim, misturando um pouco de tudo. Mas foi a partir de 1533, quando Catarina de Médicis desembarcou no porto francês de Marselha para se casar com o futuro rei Henrique II, que a culinária tomou a forma como a conhecemos hoje. No dote de casamento que a italiana levou para a França havia livros de receitas e um séquito de cozinheiros. Além deles, a jovem apresentou à corte novos hábitos, como abrir os banquetes à participação feminina, e introduziu regras de etiqueta e o garfo de dois dentes (antes não havia garfos na França), além de transportar a sobremesa para o fim da refeição.
Graças a Catarina, a sobremesa passou a ser considerada parte importante de uma refeição e até hoje ocupa tal status. "Ela fecha o almoço ou jantar com chave de ouro", afirma o chef confeiteiro Fabrice Le Nud, que trouxe para São Paulo alguns dos mais tentadores exemplares da pâtisserie francesa.
A tradição
Em uma refeição especial não pode faltar sobremesa. É o momento mais esperado por todos e sempre memorável. "As pessoas se lembram com mais facilidade da sobremesa que do salgado. Começam a descrever como o jantar foi bom falando da sobremesa", afirma o chef Emmanuel Bassoleil. Nosso país, por exemplo, sempre foi famoso por seus doces melados, que pedem um enorme copo d'água após serem consumidos.
Mas qual o motivo de tanta doçura por aqui? A abundância de açúcar no Brasil colonial. "A farta produção açucareira que era levada para Portugal permitiu que os portugueses consumissem largamente o açúcar, até de maneira abusiva, disseminando esse hábito por aqui", afirma o professor de história da Universidade de São Paulo. Em muitos países come-se sobremesa, mas não tão açucaradas quanto aqui .
Confira abaixo algumas receitas de sobremesas clássicas - e muito deliciosas:
Para saber mais
Dona Benta - Comer Bem, Companhia Editora Nacional
História da Alimentação, de Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanarini, Estação Liberdade
A Canja do Imperador, de J.A. Dias Lopes, Companhia Editora Nacional
História da Alimentação no Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, Global Editora
Comida e Sociedade, de Henrique Carneiro, Campus/Elsevier




































